segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Por Wilson Barbosa


Documento[1].

Sistema Nacional de Educação Articulado ao Plano Nacional de Educação: Dermeval Saviani - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação.

Uma Dialética a Respeito


Trabalhar a conjuntura dos problemas refletidos por Dermeval Saviani acerca do Plano Nacional de Educação, remonta à problemas históricos da educação brasileira. A releitura em Saviani corresponde à proposta da idéia dos Universais em contraposição a propostas Separatistas na educação brasileira.

 (...) como se fossem coisas diferentes quando, na verdade, são apenas partes do mesmo sistema educacional em seu conjunto.

Em sua própria perspectiva, o autor passa a considerar os obstáculos que historicamente impediram a organização do Sistema Nacional de Educação em nosso país. Nesse contexto, apóia-se em quatro eixos de reflexão. Para fins de articulação e composição desse artigo, destaco dois eixos do documento, sendo, o A e C, respectivamente.

a) (...) Os obstáculos econômicos decorrentes da histórica resistência à manutenção da educação pública no Brasil;

c) (...) Os obstáculos filosófico-ideológicos, isto é, a prevalência das ideias ou mentalidades pedagógicas refratárias à organização da educação.

A partir desses elementos, fica subentendido que haveria de prevalecer apenas à responsabilização do Estado de Direito sob a educação brasileira, contrariando a idéia de sistemas de ensino. E como se houvesse postulados de sistemas diferentes para povos diferentes. Assim entendo!

Dos itens que destaquei, A e C, soam ambos bastantes relevantes. Quanto ao item A, considerando que em termos de economia do país e o quanto do PIB é destinado para subsidiar a educação em nosso país, resulta o entendimento de que o Brasil caminha a anos luz em investimentos, comparados a países que economicamente não são estáveis como o Brasil. Isso pode ser observado em países da América do Sul, e essa demanda reflete diretamente no índice de desenvolvimento da Educação Básica.
 
                                                                       Para Refletir
*Clique Sobre o texto para ampliar

Considerado o item B, igual ou mais grave, é o problema filosófico-ideológico. Com esse problema, tendo ou não uma margem plausível de aumento de recursos para a educação, o sistema continuará com graves problemas, uma vez que os ideais políticos serão anterior a aplicações desses recursos, o que pode comprometer seriamente o conjunto das matrizes formativas, quando não pautados em uma consciência coletiva atenta às reais necessidades do país.

Mas voltando aos “sistemas de ensino” faz lembrar o Professor e Senador Cristovam Buarque que, insistentemente defende no Senado a federalização da educação pública brasileira e demonstra em números sua ideologia, a qual afirma que com os anunciados 10% do PIB revertido à educação, seria possível um piso salarial do professor da Educação Básica no patamar de R$ 9.000,00. Utópico? -Talvez, mas pensemos a idéia a partir do meio termo do seu projeto. Na mesma linha, equaliza-se a capacidade do país em termos de investimentos tecnológicos, de modo particular, enfatizamos essa necessidade à Educação Especial, normalmente relegada ao esmero e ao esforço da própria instituição de modo quase independente, contando com a participação de uma parcela de professores idealistas que lutam pela causa, apensar das precariedades. A assistência governamental deveria ser kilometricamente maior.

Na articulação em Saviani, deriva do raciocínio original que homologar a soberania do Estado em detrimento da gradativa autonomia dos sistemas de ensino flutua sob quesitos muito sensíveis, embora na verdade, a melhor maneira de respeitar a diversidade (incluindo o setor da educação) dos diferentes locais e regiões é articulá-los no todo (p.384). Logo, articulá-la ao Estado também.

Ao olhar o Estado como legítimo vigilante da aspiração da sociedade, bem ao ponto da legitimidade essencial que esteve presente nos ideais do socialismo, haveria sim de ir ao encontro à coerência por semelhança ideológica.

Mas a história demonstrou que as materializações dos ideais socialistas ficaram apenas no plano teórico, e se vislumbrado essa idéia em um país como o Brasil o qual impera a corrupção e os interesses próprios empedernidos e cruéis, em detrimento do bem coletivo; se pensarmos a hermenêutica falaciosa da politicagem e o descaso da coisa pública, se observarmos a falcatrua, a falta de escrúpulos presentes nos Poderes brasileiros; a inércia política diante das necessidades urgentes, conclui-se que defender a autonomia dos sistemas de ensino, desde a escola do Ensino Fundamental até a Universidade, é um abrir de olhos para uma sociedade pretensamente democrática. Uma conquista que, de Lei e de direito, deve ser fiscalizada por toda a comunidade escolar, e não tragada por qualquer espécie de proposta.

Uma Lógica que Requer Atenção

(...) Em suma, deve-se fixar claramente as seguintes posições: a) Trata-se de construir um verdadeiro Sistema Nacional de Educação, isto é, um conjunto unificado que articula todos os aspectos da educação no país inteiro, com normas comuns válidas para todo o território nacional e com procedimentos também comuns visando assegurar educação com o mesmo padrão de qualidade a toda a população do país, (...).

Nesse ponto, consideremos o problema da diversidade cultural. O Brasil, devido sua extensão geográfica possui realidades que não são equivalentes entre todos os Estados da Federação. Para a União, cabe, a meu ver, a descentralização – caminho em parte, contrário à posição apresentada. Deve sim haver um único Sistema, mas com propósito de delegação de poderes e fiscalização. Uma sugestão é partir, nesse aspecto, dos particulares para o universal, isto é, partir das propostas de cada Estado da Federação em direção ao Sistema Único de Educação, o qual, por essência, deve assistir, subsidiar e convalidar cada sistema em proporção à realidade local. De outro modo, o governo via MEC, partirá de pressupostos apoiados em fórmulas prontas, incompatíveis ao multiculturalismo nacional.

Saviani é de notório saber ao apontar que a sociedade deveria vivenciar o Estado como sua, i.é, como algo seu. É em razão desse desinteresse social que vemos a todo o tempo a usurpação da coisa pública, uma vez que a sociedade não corrobora em termos de cuidados e fiscalização. Saviani trata através de uma exegese do texto, uma perspectiva de reformulação das metas para o próximo PNE, de modo a aglutinar todas as metas que sejam afins e, em determinados casos, excluir algumas.

Trabalhar com o real e possível é o caminho. Nessa linha, caberia aos Estados e Municípios encaminhar ao governo prioridades e demandas urgentes e, a partir daí, redimensionar os aspectos relevantes em educação e desenvolvimento do país, (sair definitivamente da perspectiva fordista) e concentrar esforços, agora sim,  em sistemas de educação, considerando que estes tem o poder de manter à elevar a nossa economia, a saber, poder de pro-jetar o Brasil em linhas de pesquisas e capacitar o país para o oferecimento de serviços tão desejosos para uma economia forte, especialmente o Brasil, que de muitas décadas é carente de qualificação de excelência, o que coloca em risco setores comprometedores e importantes para o crescimento econômico.

Sintetizando os problemas, argüimos que há a necessidade de que seja construído um novo PNE para o Brasil, regado às demandas do mundo contemporâneo, que é a formação integral da pessoa humana nos seus aspectos políticos, econômicos sociais e filosóficos, permeado aos princípios da ética e da moral. Só assim, construir-se-á uma via dupla onde prevaleçam os deveres sociais e contemplará concomitantemente a preparação da nação para reivindicar dos governos a palavra atualmente esquecida e que gosto de relembrá-la a cada oportunidade: a res-pública.

Reservo-me a comentar o autor, o qual é fidedigno enquanto articulista e pensador da educação brasileira, mas entendo também a livre expressão do pensamento como produto da construção humana, daí o texto. Entendo ainda, que a dialética confere a esperança de que juntos encontremos caminhos que avancem rumo a um país autônomo, forte e soberano no que tange à sua economia, sua educação e o bem-estar da sociedade, ainda que a dialética esteja passível a equivocidades e enganos pelo caminho.

Pensemos juntos!  

Cordiais Saudações,
 


Wilson Barbosa

Especialista em Tecnologias Educacionais;

Filósofo Clínico;

Técnico em Ass. Educacionais do

IFTO – Instituto Federal do Tocantins,

Campus Porto Nacional





 
[1] Nota: os comentários, análise das idéias do autor e opiniões particulares desse artigo tiveram como fonte o texto disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbedu/v15n44/v15n44a13.pdf

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Por Wilson Barbosa


FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

PARTE II

Caros Leitores, esse texto é um artigo de opinião, uma adaptação de postagem em fórum do curso de extensão em Educação Inclusiva na modalidade EAD, oferecido pelo IFB- Instituto Federal de Brasília. Dado a importância e relevância social do tema, julgamos pertinente levá-lo aos leitores do Blog como produto de reflexão e debate com vistas a colaborar à ampla divulgação das complexidades e acertos relativos à Educação Especial. Com exceção de Emmanoel Kant, os autores e respectivas bibliografias foram disponibilizados na plataforma de ensino do curso.
O Autor.

A Doutora em Educação e professora da Unicamp, Maria Teresa Eglér Mantoan[1],  no Artigo O Direito à Diferença nas EscolasQuestões sobre a Inclusão Escolar de Pessoas Com e Sem Deficiências, traz à contextualização algumas propostas que fazem inferências às discussões que centram nos princípios da Educação Inclusiva. Ou seja, nos gonzos do entendimento epistemológico do que são Diferenças.

Está aí o principal desafio, uma vez que mesmo entre diversos articuladores que estudam o dilema das Diferenças não há consenso quanto ao entendimento do que é a própria Diferença em si. Um exemplo do não consenso é a diversidade de opiniões quando o assunto é oferecer ou não cotas para negros nas universidades públicas, ou ainda, a mais recente polêmica – algo que estava em discussão há treze anos no senado: a reserva de 50% das vagas em Universidades e IFs para alunos que fizeram todo o ensino médio em escola pública. Quanto à conceituação das Diferenças não há grandes problemas, mas há grandes divergências de opiniões, erros de conceituação e muita ambigüidade nas discussões, quanto à aplicabilidade das medidas.

A bem da verdade, ações educativas tem sido mais evidenciadas nos últimos anos, mas na mesma velocidade, vem sendo plasmado um projeto assistencialista às Diferenças, o que gera riscos graves, uma vez que a Diferença torna-se objeto de separação daquilo que sou, para o outro. Em outras palavras, para aquele que precisa ser e não consegue.

De um modo ou de outro, seja em que palavras forem, a segregação oculta (semelhante ao currículo oculto) se faz presente. Ao olhar a problemática de modo frio e a certa distância, tomamos consciência de que o currículo e o planejamento não podem negligenciar a existência de uma contradição dentro do processo da Educação Formativa. Os problemas são tão graves que a proposta de Educação Formativa alcança e infiltra no problema da contradição e segue até a ineficácia do currículo do ensino fundamental e principalmente do ensino médio-enciclopédico, o qual é constituído de um amontoado de disciplinas desconexas e totalmente aquém das necessidades de formação humana há muito tempo desejado.

Honestamente, até que ponto há verdadeira identidade para o ensino médio do Brasil? Note que não é necessariamente algo relativo às Diretrizes Pedagógicas para essa etapa de ensino como mencionado no artigo “Para Contrariar as Bases do Otimismo” publicado recentemente, ainda em Maio deste ano. Naquele texto, a referência era quanto as Diretrizes do ensino médio no intuito de clarificar se os objetivos propedêuticos asseguravam meios para prosseguir no trabalho ou não, em contraposição a educação estritamente profissionalizante que se propõe a verdadeiramente inserir a pessoa no mercado de trabalho.

Do mesmo modo que não há identidade curricular coerente para o ensino médio, assim também, em matéria de inclusão, a escola não pode tomar a Diferença e Identidade como um fato curricular já resolvido, nem agora e nem em um futuro breve.

É preciso entender que esse fenômeno, exatamente por ser um fenômeno, constitui um paradigma existencial que permeia toda a sociedade e é constituída de uma estrutura móvel de acordo com o entendimento de mundo e de épocas diferentes. Há avanços, mas há muito ainda a ser aprendido sobre a Identidade e a Diferença.

Em Mara Lúcia Sartoretto[2], com o texto Os Fundamentos da Educação Inclusiva, a pergunta que se faz é quanto ao que legitima o direito de todos a freqüentarem a escola comum. Sendo redundante, a minha resposta é que esse direito tem sua gênese nas Leis de Deus. Explicando, temos que a princípio a Constituição Federal tem seu embasamento legislador em propriedades pós-positivismo, balizando conceitos e normas com contornos à primazia do Direito, que por sua vez, no pós-positivismo e fundamentação filosófica acunhado no neoliberalismo, procura uma reaproximação com a Ética, procurando, nessa linha, consagrar a supremacia dos direitos fundamentais do homem, tendo por ideal teórico a dignidade da pessoa humana. A Ética enquanto Ética, por sua vez, dá luz a um processo inato que germina a Experiência Ética, a qual se produz no reconhecimento da Lei e provoca um para-além-da-lei, em uma perspectiva psicanalítica.  

Por fim, essa Experiência Ética tem sua fundamentação e regulação nas Leis da Consciência, nosso mais sublime legislador. A Consciência, proponente do conhecimento do Bem, do Belo e da Verdade, forja, via inspiração, essa busca última do homem, pois, o homem, é criação legítima à imagem e semelhança de Deus, origem de tudo e conhecedor da nossa propensão, quase sempre desarrazoáveis, exceto em nossa essência inconsciente. Essa é a gênese. O que vem após isso são apenas frutos da res cogitans (substância que pensa) e dos signos, como já exposto nesse e em outros artigos. Um enigma para os céticos e pragmáticos radicais.

Talvez a mais importante afirmação desse texto venha a seguir: esse é o meu entendimento da verdade, não a verdade, necessariamente. Ademais, entendo que é assim, porque diante da limitação na perspectiva da razão kantiana frente ao transcendente, ao homem é facultado penetrar lampejos da verdade, faltando sua completude e finitude em qualquer contexto e tipos de linguagem: livro, artigo, abstração na arte e na estética, na poesia, na musica. Enfim, é tudo humano, meramente humano.

A idéia de que o direito à escola tem ascendência na Consciência Ética, não anula a necessidade de discussões com ascendências jurídicas e legais. Em outras palavras, essas idéias não são excludentes entre si. Complementam-se.  

Na acepção psicológica, a discussão toma direções que fogem da regra da lógica e se junta a subjetividade da natureza humana. Isso ocorre porque entra no jogo lingüístico o significado de limites do conhecimento, problema bastante exaurido na Crítica da Razão Pura, memorável obra filosófica de Emmanoel Kant. Os limites do conhecimento e o modo como conhecemos as coisas, vem sendo objeto de discussões nas mais prestigiadas Universidades do mundo e não cessará, haja vista que exercer uma epistemologia sobre “como conhecemos as coisas” é voltarmos a nós mesmos e ao outro de modo atemporal. Logo, não é uma discussão do passado e nem do futuro, ela simplesmente é; ela está; ela se faz presente em todos os momentos da existência.

No texto de pesquisa bibliográfica para embasamento desse artigo, a abordagem de que nas Diferenças há a possibilidade do aprendizado, marca e certifica o direito de que as crianças com Diferenças possam estar na sala de aula convencional. Convencional no sentido de como a conhecemos. Um ponto interessante é que o estudo do problema sob o ponto de vista da subjetividade, como mencionado acima, Diversidade torna-se também um meio de estímulo ao aluno, a qualquer aluno, para chegar ao conhecimento.

Mesmo crianças portadoras de Necessidades Especiais não são diferentes quanto a terem uma autonomia do exercício da sua epistemologia sobre as coisas e sobre o mundo, entendendo com isso, que elas terão seu próprio modo de aprender e apreender as coisas, porque como articula René Descartes, o espírito é mais fácil de conhecer do que o corpo.

Basta o entendimento do termo heterogeneidade em seu sentido geral, para fundamentar os direitos daqueles que por uma razão ou outra são Diferentes, bem como o de poderem freqüentar uma escola comum, porque é nesse meio heterogêneo que pulsa os porquês da vida, os quais propiciam respostas que por sua vez conduz a novas premissas e, para esse ciclo tautológico, não há Diferenças que impeça a caminhar em direção ao Bem, o Belo e a Verdade. É nessa direção que a escola deve atentar, avançar e preparar seus professores, a saber, levá-los à percepção ao que transcende as questões de direitos, concentrando-se no que são possibilidades e competências.

Ainda no tema, um aspecto pouco discutido, encontrou acolhida no artigo da Revista Inclusão[3] - Revista da Educação Especial, artigo da edição de Outubro de 2005 do autor Romeu Kazumi Sassaki. No artigo, foi defendido com muita propriedade o fato de que a Inclusão não é somente para os alunos com deficiência, mas para todos os alunos, educadores, pais e membros da comunidade. Porque ao falarmos em Inclusão/Exclusão, facilmente somos convidados a pensar nas crianças com algum tipo de NE. Raramente se discute o problema da Inclusão abordando outros elementos, algo que provoca a pulsão da segregação.

O artigo aponta para a necessidade de romper com padrões de divisão, inclusive nas nomenclaturas. NE sugere especialidade por parte do professor; sugere estagnar a atenção em um estado momentâneo em separado dos demais, quando talvez o foco devesse ser na resolução de situações-problemas da sala de aula e não em alguns alunos. É sabido que a discussão é ampla e não se esgota em um artigo, mas é sabido também que quando se separa, se coloca um em patamar diferente do outro.

Tratar Diferenças e Igualdade só é possível quando sairmos da zona de conforto de entender o aparente real (o que está diante dos olhos) tomado por verdade absoluta e então abrirmos às possibilidades (subjetividade) como pré-requisito da nossa práxis pedagógica.

E você, caminha em direção ao Bem, ao Belo e a Verdade?

Fique bem e boa direção existencial!

Wilson Barbosa

- Filósofo Clínico e

- Técnico em Assuntos Educacionais

- IFTO – Instituto Federal do Tocantins

Campus Porto Nacional.



[1] MANTOAN, Maria Teresa Égler. O direito à diferença nas escolas – questões sobre a inclusão escolar de pessoas com e sem deficiência.  Disponível em: http://www.todosnos.unicamp.br:8080/lab/links-uteis/acessibilidade-e-inclusao/textos/o-direito-a-diferenca-nas-escolas-2013-questoes-sobre-a-inclusao-escolar-de-pessoas-com-e-sem-deficiencias/
[2] SARTORETTO, Mara Lúcia. Os fundamentos da educação inclusiva.
Disponível em: http://assistiva.com.br/Educa%C3%A7%C3%A3o_Inclusiva.pdf
[3] SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: o paradigma do século XXI. Inclusão - Revista Educação Especial. Out.2005. p. 19 – 23.  Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/revistainclusao1.pdf

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Por Wilson Barbosa


FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

PARTE I
Caros Leitores, esse texto é um artigo de opinião, uma adaptação de postagem em fórum do curso de extensão em Educação Inclusiva na modalidade EAD, oferecido pelo IFB- Instituto Federal de Brasília. Dado à importância e relevância social do tema, julgamos pertinente levá-lo aos leitores do Blog como produto de reflexão e debate com vistas a colaborar à ampla divulgação das complexidades e acertos relativos à Educação Especial. Com exceção de Ludwig Wittgenstein, os autores e respectivas bibliografias foram disponibilizados na plataforma de ensino do curso.

O Autor.

Entre as referências que fazem menção direta ou indireta a Educação Inclusiva, destaco o artigo “Alteridade”, brilhantemente explanado por Frei Betto[1]. Em se tratando de Alteridade, em sentido amplo, é o ato de colocar-se no lugar do outro considerando todas as delimitações e limitações daquele a que recebo em minha percepção de mundo com atenção e respeito. Na prática, o exercício da Alteridade em sua essência demanda muito esforço e desprendimento, um constante exercício intelectivo.

Não obstante, a observação feita pelo autor ao mencionar em seu artigo o Q.E, (Quociente Emocional) como instrumento de avaliação e conhecimento do modo de funcionamento da Estrutura de Pensamento da pessoa, retrata a delicadeza, importância e a necessidade da construção do processo da Alteridade.

Em Dezembro de 2010 publiquei um artigo no Blog intitulado “A Relação Interpessoal na EAD” onde há uma explanação mais aprofundada do conceito e dos movimentos implícitos na Alteridade. Por também ser menção direta ao conceito, proponho ao leitor uma nova visita a este artigo.

Nas palavras de Frei Betto,  Alteridade é a possibilidade de sermos capazes de apreender o outro na plenitude da sua dignidade, dos seus direitos e, sobretudo, da sua Diferença. Assim, quando conseguimos romper as fronteiras do eu permitindo a abertura de um espaço ao outro, torna-se mais fácil, especificamente em educação, romper com a estrutura colonialista da supremacia educacional que forja a exclusividade do saber centrada no professor. De outro lado, rompe com pré-conceitos ultrapassados de que trabalhadores das áreas conhecidas por não eruditas (informais) nada têm a ensinar àqueles que foram privilegiados com estudos diplomados (formais).

 No artigo de Tomaz Tadeu da Silva[2] A Produção Social da Identidade e da Diferença, traz um conteúdo sapiente ao demonstrar que Diferença e Identidade, na perspectiva adotada no exercício da linguagem, simplesmente existem e co-existem em mútua dependência: afirmativas x negativas.

Talvez a problemática que possa surgir do processo lingüístico que sustenta o sentido dessas palavras de Tomaz Tadeu, esteja linkado à concepção da idéia de meio social na qual elas são expressas, derivando, portanto, do modo cultural de um povo. Nessa discussão, Tadeu cita o autor Jacques Derrida, filósofo francês, o qual propõe em termos de entendimento que a linguagem humana, vacila.

Compreendida a idéia de entendimento da linguagem em Derrida, convém também mencionar Wittgenstein, filósofo austríaco, autoridade em linguagem e protagonizador da mudança radical na lingüística da Filosofia do século XX. Wittgenstein demonstra que os signos de modo geral, flutuam sob um processo de abstração, assim, a linguagem tem presente em todos os seus momentos a sua inefabilidade semântica. Por isso a promessa da presença é parte integrante da idéia de signo.

Na prática, toda essa discussão teórica leva a um ponto prático muito importante. Através da Identidade x Diferença, delimita-se territórios, criam fronteiras, aceita e separa situações e/ou pessoas, cristalizam verdades e excluem outras. Embora todo esse processo esteja constantemente em devir- vir a ser, o que sugere instabilidade e mutação, faz também com que o processo se auto renove infinitamente e se auto prevaleça enquanto mecanismo de equilíbrio nas relações sociais, muito embora se torne paralelamente, um mecanismo indubitavelmente temeroso, se considerado a força de segregação em potencial, mesmo que seja uma segregação embutida em elementos periféricos, incompreensíveis e, às vezes, subliminares.

Na pedagogia, a problemática da Identidade e Diferença pode remeter a um fenômeno já conhecido, mas, embora conhecido, é constituído de várias facetas: a principal delas é a Pedagogia Oculta, pois, é precipuamente no espaço escolar em que as crianças e jovens tomam contato com as Diferenças e as Identidades. Por um lado, há um estímulo a que essas crianças entendam e aceitem o diferente, e por outro lado, há um mecanismo de segregação. Vejamos um exemplo: quando a criança não mantém um comportamento padrão em sala de aula; quando a criança aos olhos do professorado é um aluno indisciplinado, implica como resultado que ao mesmo tempo em que essa criança é estimulada a aceitar a Diferença; a própria Diferença nela apresentada (comportamental) não é aceita pelo professor. Há aí um paradoxo conceitual e prático que, a meu ver, deve tornar-se objeto de discussão entre pedagogos a fim de que se encontre um meio termo. Se precisar, releia o exemplo e fomente uma crítica conceitual sob a situação.

Dado à complexidade e extensão para exprimir as idéias com o mínimo necessário de fundamentação teórica, haverá, excepcionalmente para esse tema, uma sequência com post ainda este mês.

E você, tem rompido fronteiras e pré-conceitos ultrapassados?

Por hora vou até aqui. Até a próxima!

 Wilson Barbosa

-Filósofo Clínico

-Técnico em Assuntos Educacionais

 IFTO – Instituto Federal do Tocantins

 Campus Porto Nacional.



[1] BETTO, Frei. Alteridade. Disponível em: http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=7063
[2] SILVA, Tomaz Tadeu da. A produção social da identidade e da diferença. Disponível em: http://ccs.ufpel.edu.br/wp/wp-content/uploads/2011/07/a-producao-social-da-identidade-e-da-diferenca.pdf

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Por Wilson Barbosa

Terceirização Existencial

A Droga das Drogas

No mundo contemporâneo, por força do hábito e do comodismo, a sociedade atribui às coisas e aos outros, responsabilidades que deveriam ser próprias. Diante dessa realidade estamos presenciando a era da terceirização da vida.
Na saúde, a terceirização se dá à custa das “pílulas mágicas” sob as quais prolifera a homogenia na idéia falaciosa de que elas, as pílulas, resolvem os problemas existenciais das pessoas, mesmo quando esses ‘problemas’ deveriam ser entendidos como necessários para a manutenção e o auto equilíbrio. O grifo sob a palavra problema é porque não necessariamente todos os tipos de problemas são para serem resolvidos. Alguns deles são necessários que persistam em virtude de um processo do desenvolvimento do ser humano. Outros ainda, têm o benefício de ajudar a pessoa no processo de maturação de um fato, de um lapso temporal de tempos remotos da vida, e ainda, por outros motivos quase indecifráveis.
Há hoje uma grande permissividade farmacológica, transposto por custas de um marketing desenfreado da bilionária indústria do remédio em detrimento de causas e fenômenos naturais, colocadas como estados patológicos, havendo nisso uma idéia subliminar a qual fomenta o pseudo entendimento de que o medicamento constitui escopo para problemas de ordem reversa à função ideal da droga. Há uma propensão, nesse sentido, de transferir à medicação, o que deveria ser experenciado, suprimido ou digerido pelo indivíduo. A pergunta que se faz (com uma resposta já subentendida) é: Por que não fazer isso havendo, portanto, essa possibilidade? Mas a resposta subentendida pode bem estar carregada de um contra censo, na medida em que o entendimento alonga-se em direção a estados compreendidos como maturação da Estrutura de Pensamento, equalização e necessidade de rigor no pensamento, redirecionamento existencial sob determinadas áreas da vida, e outros fenômenos correlatos. Na prática, o uso exacerbado de drogas com a finalidade de curar problemas de certas origens pode comprometer o processo de regulação do organismo, mascarando algo maior que, por sua vez converte, no tempo oportuno, em uma situação de difícil tratamento do ponto de vista do diagnóstico médico.
A Fé Irracional
Na perspectiva ainda de que com alguma fórmula mágica se possa abreviar dores e sofrimentos, pessoas com as mais variadas razões buscam por meio de uma terceirização da fé, calar angústias e inquietações buscando desesperadamente milagres urgentes. Se voltarmos a tempos remotos, constataremos que mentes que brilharam no mundo – poetas, santos, físicos, matemáticos, filósofos, não abreviavam e nem transferiam responsabilidades existenciais. Longe da idéia mórbida de apetite por sofrimento, esses gênios os quais por capricho os séculos  produzem um por vez, muitas vezes, utilizavam-se da solidão e do recolhimento para criarem obras que ensinaram e ensinam ao mundo, perpetuando o conhecimento e a sabedoria por toda a existência.
Recolhimento e solidão nos dias atuais ecoam algo como retrocesso, uma vez que a sociedade tecnológica, racionalista, revestida dos ideiais positivistas, instiga cada vez mais a que tudo seja feito o mais rápido possível. E quanto a isso há controvérsias, porque às vezes rapidez é prima-irmã da atitude irrefletida e geralmente causadora de danos por vezes irreversíveis.  Pular etapas é a “inteligência da vez”. O slogan da atualidade moderna chama-se ‘pressa’. A prematuridade em que o jovem se depara, por exemplo, com a necessidade de escolha da profissão é um tácito exemplo. Profissionais, principalmente em nível superior, em diversas profissões deparam-se com a formação comprometida em função da falta de maturidade. Na sexualidade, devido a precocidade, os resultados são a má orientação, fazendo com que jovens e adolescentes ultrajem o próprio corpo, cujos efeitos nefastos aparecem alguns anos depois; o uso de drogas na adolescência dão resposta a desventura que, antes, parecia ser uma abertura à vida. Levado tudo isso à soma, fica claro a necessidade de se ter estudos consistentes, a saber, em que e quais aspectos a abreviação do tempo é desejável. Além disso, há a necessidade de profissionais próprios a serem imbuídos na discussão, pois a aceleração de etapas é possível, porém, não deve ser regra. É algo que deveria ser tratado do ponto de vista da subjetividade humana. Isso equivale a dizer que é necessário um estudo a priori do ponto de vista de como é a temporalidade para a própria pessoa e não para um grupo de pessoas, classe,  cultura, etnia. Para algumas pessoas, a temporalidade não é um fenômeno determinante no processo de maturidade, quando para outras, é tudo o que importa para que se entenda o processo de se fazer homem, de se amadurecer mulher. E isso não é tudo, outros elementos constituintes precisariam ser observados.
Responsabilizando a Educação
Em educação, na ânsia e no calor da terceirização, as famílias transferem à escola momentos importantes da construção e maturação do caráter de seus filhos, abnegando-se de participar do processo porque já pagam a mensalidade escolar e com isso, eximem-se de tal tarefa. Do outro lado, essa atitude encontra acolhida até mesmo nos moldes orçamentário do governo que, por sua vez, vem insistindo em um projeto de terceirização das Universidades, agredindo frontalmente o direito expresso e irrevogável, que é o direito líquido e certo da sociedade em ter educação pública, gratuita e de qualidade. Com a terceirização da educação por parte da família, essa expressão forte Terceirização, corrobora para a destituição e desagregação familiar, porque os pais afastam-se dos filhos. Aliás, ao entardecer, quantas famílias transferem a necessidade da sua presença, do calor do diálogo honesto junto às crianças, transferindo essa responsabilidade para a compra de presentes na tentativa de construir uma espécie de medida de profilaxia educacional. Mas claro, tem explicação! Devido o divórcio ou a separação da comunhão estável, não há como estar tão presente, por isso é necessário terceirizar o ato de amar, às coisas. 
A Realidade no Ato de Terceirizar
O silêncio que ensina é hoje objeto de desprezo, porque não há tempo para silenciar tendo por orientação que há tanta coisa paralela a ouvir e tantas outras para falar, fazendo impossível silenciar. A soma de todos esses elementos fornece um mapeamento raso, mas original, do espectro pelo qual é possível enxergar o caos provocado pela terceirização.
Ao lançarmos os olhos sob os fins e não apenas sob os meios, notamos que desde o apogeu do racionalismo grego até o início deste século, em que as bases do conhecimento apóia-se quase que exclusivamente no uso da razão, busca-se uma resposta na tentativa falaciosa tomando a razão como resposta perene para responder às questões existenciais. A perplexidade não está necessariamente na busca de respostas, mas nas propostas de solução. Para saber o que penso dessa proposta de solução, releia os primeiros parágrafos.
Em Erich Fromm (1900-1980), filósofo e psicanalista, em sua obra A Arte de Amar, é ensinado que há uma propensão natural a entender o amor como algo simples. Segundo o autor, em toda a humanidade há uma propensão natural a acreditar que amar é algo corriqueiro e que acontece rapidamente.  Ainda segundo Fromm, a capacidade de amar só se adquire plenamente na madurez pessoal[1]: O amor infantil diz: amo-te porque te necessito - o qual é um afeto egoísta; mas o amor maduro expressa: necessito-te porque te amo.  

Não Terceirize sua Vida!


Wilson Barbosa
Filósofo Clínico &;
Técnico em Assuntos Educacionais,
IFTO - Inst. Federal do Tocantins,
Campus Porto Nacional

 


[1] http://pt.wikipedia.org

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Por Wilson Barbosa


                          Construindo Sonhos com Serenidade

Aceite essas palavras e  meu apreço!    
Nesse texto, oportunizei um momento de desvio de foco consoante às discussões pretensiosamente linkados à educação e trabalho, com o objetivo de voltar a percepção para os espaços existentes entre o que previamente pensamos a despeito dos sonhos e as múltiplas relações internas, as quais sentimos e experimentamos no cotidiano, provocados pelo ato de sonhar. 
O modo como construímos os nossos projetos existenciais e os nossos sonhos parece às vezes vir à consciência já adoecidos por não sabermos elaborá-los e pensá-los com excelência. Talvez não necessariamente os projetos e sonhos, mas os métodos adjacentes a esses, pelo fato de estarem intimamente atrelados, moldando a estruturação mental da pessoa. Algo de fácil separação no plano teórico, mas, para algumas pessoas, de grande complexidade na prática. 
Hipoteticamente a pessoa que vivencia essa situação se assemelha a alguém perdido em um labirinto, uma situação incômoda de difícil saída. Na acepção médica, essa relação mente x pensamento, por vezes é entendida como algum tipo de doença ou estado doentio como ansiedade crônica, depressão, tipos variados de síndromes, etc., contrapondo a outras possibilidades de entendimento. 
O desdobramento do que me vem à mente a essa introdução, diz respeito a queixas existenciais que provém do modo como habitualmente muitas pessoas articulam o pensamento para a construção dos sonhos e esperanças. As expressões verbais que dão conta dos inúmeros casos em que a pessoa sofre à causa são incontáveis: “por que será que sofro tanto nessa vida, tento, tento e fracasso; nada consigo; por que a vida faz isso comigo, tudo que quero não consigo”. 
São pensamentos eivados de um projeto infeliz de elaborar os conceitos e mesmo tendo consciência disso, são exaustivamente exercitados na malha intelectiva e sempre tendem a levar a um enorme esgotamento mental. Observe a palavra destacada “tendem”, porque a priori não há como afirmar que seja uma causa de sofrimento para todas as pessoas, embora no geral seja exatamente isso que ocorre quando existe esse tipo de queixa. Nessa linha, podemos aventar que pensar errado pode causar muito cansaço.
Na perspectiva da Filosofia Clínica, essa trama de pensamentos com esse tipo de ‘vício’ é intitulado de Armadilha Conceitual, algo que faz inferência a um modo de ser da pessoa a qual a leva a sentir-se aprisionada dentro dos próprios conceitos. Literalmente a pessoa esquiva-se para um lado e outro tentando uma saída e não tem sucesso. Sem saber como ou o porquê das coisas (idéias) serem embaraçadas, tenta sobrepor determinada situação e quanto mais se esforça, mais se perde em abstrações que não edificam. Parece que o modo como vêm construindo o mundo existencial não oferece outras oportunidades, senão apenas girar na mesma esfera de conceitos que, em síntese, não leva a lugar algum. 
Em definição clara e a título de exemplo, bem assim é explicitado na conjuntura da Filosofia Clínica[1]:
Armadilha Conceitual é uma trama de conceitos que tem como característica aprisionar existencialmente a pessoa. Em uma Armadilha Conceitual a pessoa acusa estar lutando sem sair do lugar, mostra estar fazendo esforços em direção a algo que não parece alcançar, é usual que a pessoa demonstre estar em uma areia movediça. Muitas expressões aparecem na história de vida de uma pessoa, no consultório, propiciando indícios de Armadilhas Conceituais: “eu nado, nado, e não saio do lugar; parece que a minha vida anda em círculos; quanto mais eu busco, menos eu encontro”. Há centenas de expressões sinônimas a estas. Há também inúmeras formas pelas quais uma Armadilha Conceitual pode atrapalhar a vida de uma pessoa. Quando a pessoa empreende esforços para atingir suas metas e tem seus caminhos fechados, isso é em geral um atrapalho. O problema é que algumas Armadilhas Conceituais são invisíveis para a própria pessoa; ela padece com elas e acaba atribuindo suas mazelas a outras coisas. Um exemplo disso é culpar o casamento como fonte dos sofrimentos, quando o que de fato ocorre é uma incapacidade da pessoa em corresponder a uma relação afetiva”. 
Note que por definição, a sensação que a pessoa tem pode ser comparada a uma espécie de sufocamento, e às vezes a somatização do conceito gera efeito tão forte que literalmente ocorre uma completa perda de forças na pessoa. O resultado é inevitavelmente o sofrimento. É claro que essa é uma das muitas possibilidades de fazer com que a pessoa se sinta assim. Existem outras, mas nesse artigo proponho enfatizar esse aspecto para relacioná-lo ao momento da vida de muitas pessoas que andam sentindo cansaço em suas mentes ao tentarem exercitar com proficiência o pensamento em direção a, e torcem, por conseqüência desses problemas, o modo como vêem a si mesmos, seja tecendo comparações, criando ambigüidades conceituais, se auto desprestigiando.
Fiquei pensando em quantas pessoas tem abortado os sonhos, porque ao sonharem, emaranham-se entre as idéias a tal ponto que não vislumbram saída para o estado tautológico em que se encontram e, desse modo, não conseguem sentir leveza, paz, tranqüilidade, mas tormento, e percebem que ao pensar, ao articular intelectivamente os sonhos, apenas sentem fatiga e por isso vêm minguando a conta-gotas, a prestação, a arte de sonhar. Concordando com o senso comum, sempre morrem na praia!
O quero que aconteça ao discutir isso, é que as pessoas que se perdem no pensamento a ponto de causar sofrimento quando esboçam para si mesmos os próprios projetos existenciais, encontrem um farol próximo ou distante que os orientem ao entendimento da razão; dos motivos que as fazem sentirem-se assim, muito embora o fato de descobrir qual a razão, por si só, talvez não seja motivo de melhora. Por quê? Porque não é assim para todo mundo. Mas não importa, o que de fato importa é que cada um consiga entender o próprio funcionamento para desconstrução dos próprios conflitos e, a partir daí, buscar meios. 
Quero com ousadia, demonstrar que a característica de viver uma Armadilha Conceitual é um fenômeno da própria estrutura organizada do pensamento humano, ou má organizada, dependendo da interpretação.
A notícia que alivia é que essa Armadilha pode ser alterada, se assim for o desejo da pessoa. Isso não é o mover do sobrenatural ou um fenômeno meta-psicológico, mas um entendimento filosófico que faz uso da própria filosofia em si, utilizando-se de meios que levam à organização do pensamento, promovendo, via razão, alterações profundas na vida como um todo. Esses mecanismos são passíveis a novos desdobramentos, e ao serem trabalhados levam a zonas mais ‘seguras’ e confortáveis, quando comparado a antiga causa sofredora. Se não é possível entender isso sozinho, nenhum mal há em buscar ajuda.
Se os padrões de pensamentos que impedem uma pessoa de caminhar forem movidos para outra arena, se com essa discussão propiciarmos juntos a construção e a busca de um novo olhar sob os sonhos e sob a vida, terá valido a pena. Se esse texto sinalizar à celebração de um novo percepcionar sobre as coisas; se de qualquer modo propiciar um novo percepcionar sob o que incomoda, terá cumprido seu papel.
Bem, dizem que quem escreve, escreve também de si mesmo. Será?
Desejo uma mente descansada para você!


[1] www.filosofiaclinica.com.br/exercícios com resposta comentada


Profº Wilson Barbosa
-Filósofo Clínico e
-Técnico em Assuntos Educacionais
-IFTO – Instituto Federal do Tocantins
-Campus Porto Nacional.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Por Wilson Barbosa


PÓS ESTÁGIO
ENCAMINHAMENTOS ACERCA DA INSERÇÃO DO TÉCNICO NO MUNDO DO TRABALHO

Quer arranjar emprego? Cuide antes de alguns encaminhamentos teóricos e práticos fundamentais para a efetiva inserção no mundo do trabalho, segundo informes aqui propostos. As premissas e conceitos apresentados nesse artigo, em geral, são universais, mas há direcionamento e ênfase ao concluinte do curso de nível técnico concomitante ou subseqüente ao ensino médio.

Um levantamento rápido pela internet revela a expressividade e a ascensão desse nível/modalidade de estudos, o curso técnico-profissional. Além disso, sinaliza especificamente para alguns cursos em alta e outros que são bastante promissores. Em termos de país, setores que prometem absorver extensa mão de obra técnica, revelam-se nas indústrias de Petróleo e Gás, Companhias de Açúcar e Álcool, como é  realidade no Centro-Oeste, além da demanda na Construção Civil em todo o Brasil.

Com isso, acresça-se que com a economia elevada, as classes C e D começaram a viajar mais pelo país, movimentando consideravelmente o setor de Turismo.  Com o turismo efervescente, há a busca por profissionais em diversas áreas, desde serviços temporários como locutores lojistas e telemarketing nos grandes centros e em cidades turísticas, até profissionais formais da Comunicação e Marketing.

Nem precisa ser especialista para saber que o salário do jovem detentor de um diploma de curso técnico é maior do que aqueles que iniciam a vida profissional sem um curso profissionalizante. Outro dado revelador, é que no Brasil, 70% dos formados em cursos técnicos conseguem emprego na área[1]. Colocado no gerúndio, perguntaríamos: seria esse o percentual de contratação para àqueles que concluem cursos no nível superior? Portanto, como a resposta já está implícita na pergunta, conclui-se que as perspectivas não poderiam ser melhores para os técnicos formados.

Para o MEC, há ainda as áreas pelas quais as empresas estão ávidas por profissionais formados: biocombustíveis, radiologia, cozinha, edificações, mecatrônica. Ainda, áreas ligadas à ecologia, a informática e a multimídia.

Hoje, grandes corporações tratam os aspectos relacionados aos colaboradores de modo orgânico, pautados em ferramentas de produtividade, economicidade e empreendedorismo. Tudo isso são características que as empresas buscam no colaborador, e em contrapartida, sedimentam uma política clara e objetiva que permite a retenção e a ascensão profissional de seu pessoal.

Dá-se destaque ao substantivo ‘retenção’, porque no contexto trabalhado, o entendimento subjacente da palavra retenção indica maior estabilidade no serviço - caminho oposto, ao que se presencia atualmente no cenário europeu, incluindo grandes potências como a Rússia e a Inglaterra; assim como Itália, França e Espanha, até mesmo a Alemanha que é líder na economia européia, não está imune à queda da economia. Abalados com a crise na Grécia, esses países estão com sérios problemas de empregabilidade. O objetivo de citar os problemas externos não constitui uma tentativa de consternar o jovem brasileiro, mas levá-lo à reflexão quanto à valorização das oportunidades de ingresso e desenvolvimento da carreira, exigindo, apenas, seriedade, comprometimento, muito estudo e capacitação contínua.

No Brasil vivemos um período histórico. As empresas brasileiras ou as multinacionais presentes no país procuram maximizar todos os recursos disponíveis para evitar o turnover, palavra inglesa que define rotatividade entre funcionários, algo que cada vez mais vem sendo indesejável nas corporações [CLIQUE AQUI], e isso é reflexo direto do crescimento da economia que impulsiona as empresas a terem pessoal treinado e capacitado, resultando diretamente no investimento em pessoas. Na prática, o Brasil é o país do momento!

Esses são os informes iniciais, outros, tão ou mais importantes, devem partir da própria pessoa que se propõe a qualificar (e deve se qualificar) como contrapartida devida e esperada de um profissional técnico, ao comprometer-se no trabalho com o fazer bem feito; com o desenvolvimento da capacidade do trabalho em equipe; com o aprendizado legítimo que busca os melhores meios para atingir os fins desejados. 

Para isso, não basta ser proprietário de um certificado ou diploma de técnico em alguma coisa. Ser profissional transcende as especializações enquanto forma, vai à sensibilidade e à técnica. É daí que nasce a reflexão entre ensino e prática como práxis inseparáveis, porque na medida em que se exercitam os fluxos dos dados teóricos, fomentam-se também os dados epistemológicos[2] e por conseqüência os modos cognitivos[3], concomitantemente fazendo na prática o que se aprende em teoria.

Nesse ínterim, reforça-se ainda a necessidade do aprendizado e do exercício da ética no trabalho, dos valores fundamentais que alicerçam uma sociedade organizada onde deve ser primado o espírito da solidariedade, compreendendo com isso o sentido de se trabalhar com vistas a produtos e serviços bem feitos. E mais, paralelamente na construção de produtos e serviços, pautar-se n’uma visão holística que enfatize com prioridade a necessidade urgente de preservação do meio ambiente e a sustentabilidade. Essa perspectiva remonta interesses e necessidades já a nível planetário, a qual passa a ser determinante para a manutenção da vida, portanto, objeto de responsabilidade das empresas e de todos nós.

Nesse viés, todo e qualquer empreendedor que esteja vinculando sua produção ao lucro, sem atentar às causas de respeito aos recursos naturais, está antecipando o próprio fracasso. Notadamente, nos fóruns mundiais não vem se encontrando ponto de consenso sob o problema. O que resta, são as manifestações e críticas de alguns grupos de pessoas, ONGs e organizações envoltas à questão, as quais não cessam de reivindicar por, no mínimo, patamares toleráveis na exploração dos recursos naturais em prol da sustentabilidade. Se seguindo a linha do capitalismo excêntrico, esses são conceitos surreais, mas a verdade é que são fatos que vão sendo incorporados ao imaginário coletivo e posteriormente materializados em ideais educacionais, aglutinados em fóruns mundiais, acordos internacionais; Projetos de Lei, e também em Leis, propriamente ditas.

Uma leitura desinteressada não enxerga as similaridades de contexto: Sustentabilidade >> Formação Técnica >> Produção Ética. As nomenclaturas não são determinantes, mas as gêneses das questões em si, são. Isso implica que não há mais dissociabilidade entre esses temas. De agora em diante, estarão todos a um serviço: a promoção da qualidade de vida. É necessário que haja uma visão holística a despeito de um mundo em que se privilegie o ser em detrimento do produto a alto preço da natureza. E nesse sentido, desde as grandes corporações como a micro e a pequena empresa tem um mesmo papel: o papel da responsabilidade da produção limpa. 

Assim também deve ser o técnico formado o qual deve, em sua formação, coadunar a seus conhecimentos esses preceitos no desenvolvimento do trabalho, nos próprios propósitos e aspirações, e bem assim, na sua visão de mundo.
Até a próxima!

Profº Wilson Barbosa
-Filósofo Clínico e
-Técnico em Assuntos Educacionais
-IFTO – Instituto Federal do Tocantins
-Campus Porto Nacional.




[1] disponível em http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2011/01/curso-de-nivel-tecnico-garante-70-de-contratacao-ao-disputar-vaga.html
[2] Epistemologia: modo de conhecer as coisas; modo de investigação.
[3] Cognição: relativo a processos de aprendizado.
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