segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Por Wilson Barbosa


FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

PARTE I
Caros Leitores, esse texto é um artigo de opinião, uma adaptação de postagem em fórum do curso de extensão em Educação Inclusiva na modalidade EAD, oferecido pelo IFB- Instituto Federal de Brasília. Dado à importância e relevância social do tema, julgamos pertinente levá-lo aos leitores do Blog como produto de reflexão e debate com vistas a colaborar à ampla divulgação das complexidades e acertos relativos à Educação Especial. Com exceção de Ludwig Wittgenstein, os autores e respectivas bibliografias foram disponibilizados na plataforma de ensino do curso.

O Autor.

Entre as referências que fazem menção direta ou indireta a Educação Inclusiva, destaco o artigo “Alteridade”, brilhantemente explanado por Frei Betto[1]. Em se tratando de Alteridade, em sentido amplo, é o ato de colocar-se no lugar do outro considerando todas as delimitações e limitações daquele a que recebo em minha percepção de mundo com atenção e respeito. Na prática, o exercício da Alteridade em sua essência demanda muito esforço e desprendimento, um constante exercício intelectivo.

Não obstante, a observação feita pelo autor ao mencionar em seu artigo o Q.E, (Quociente Emocional) como instrumento de avaliação e conhecimento do modo de funcionamento da Estrutura de Pensamento da pessoa, retrata a delicadeza, importância e a necessidade da construção do processo da Alteridade.

Em Dezembro de 2010 publiquei um artigo no Blog intitulado “A Relação Interpessoal na EAD” onde há uma explanação mais aprofundada do conceito e dos movimentos implícitos na Alteridade. Por também ser menção direta ao conceito, proponho ao leitor uma nova visita a este artigo.

Nas palavras de Frei Betto,  Alteridade é a possibilidade de sermos capazes de apreender o outro na plenitude da sua dignidade, dos seus direitos e, sobretudo, da sua Diferença. Assim, quando conseguimos romper as fronteiras do eu permitindo a abertura de um espaço ao outro, torna-se mais fácil, especificamente em educação, romper com a estrutura colonialista da supremacia educacional que forja a exclusividade do saber centrada no professor. De outro lado, rompe com pré-conceitos ultrapassados de que trabalhadores das áreas conhecidas por não eruditas (informais) nada têm a ensinar àqueles que foram privilegiados com estudos diplomados (formais).

 No artigo de Tomaz Tadeu da Silva[2] A Produção Social da Identidade e da Diferença, traz um conteúdo sapiente ao demonstrar que Diferença e Identidade, na perspectiva adotada no exercício da linguagem, simplesmente existem e co-existem em mútua dependência: afirmativas x negativas.

Talvez a problemática que possa surgir do processo lingüístico que sustenta o sentido dessas palavras de Tomaz Tadeu, esteja linkado à concepção da idéia de meio social na qual elas são expressas, derivando, portanto, do modo cultural de um povo. Nessa discussão, Tadeu cita o autor Jacques Derrida, filósofo francês, o qual propõe em termos de entendimento que a linguagem humana, vacila.

Compreendida a idéia de entendimento da linguagem em Derrida, convém também mencionar Wittgenstein, filósofo austríaco, autoridade em linguagem e protagonizador da mudança radical na lingüística da Filosofia do século XX. Wittgenstein demonstra que os signos de modo geral, flutuam sob um processo de abstração, assim, a linguagem tem presente em todos os seus momentos a sua inefabilidade semântica. Por isso a promessa da presença é parte integrante da idéia de signo.

Na prática, toda essa discussão teórica leva a um ponto prático muito importante. Através da Identidade x Diferença, delimita-se territórios, criam fronteiras, aceita e separa situações e/ou pessoas, cristalizam verdades e excluem outras. Embora todo esse processo esteja constantemente em devir- vir a ser, o que sugere instabilidade e mutação, faz também com que o processo se auto renove infinitamente e se auto prevaleça enquanto mecanismo de equilíbrio nas relações sociais, muito embora se torne paralelamente, um mecanismo indubitavelmente temeroso, se considerado a força de segregação em potencial, mesmo que seja uma segregação embutida em elementos periféricos, incompreensíveis e, às vezes, subliminares.

Na pedagogia, a problemática da Identidade e Diferença pode remeter a um fenômeno já conhecido, mas, embora conhecido, é constituído de várias facetas: a principal delas é a Pedagogia Oculta, pois, é precipuamente no espaço escolar em que as crianças e jovens tomam contato com as Diferenças e as Identidades. Por um lado, há um estímulo a que essas crianças entendam e aceitem o diferente, e por outro lado, há um mecanismo de segregação. Vejamos um exemplo: quando a criança não mantém um comportamento padrão em sala de aula; quando a criança aos olhos do professorado é um aluno indisciplinado, implica como resultado que ao mesmo tempo em que essa criança é estimulada a aceitar a Diferença; a própria Diferença nela apresentada (comportamental) não é aceita pelo professor. Há aí um paradoxo conceitual e prático que, a meu ver, deve tornar-se objeto de discussão entre pedagogos a fim de que se encontre um meio termo. Se precisar, releia o exemplo e fomente uma crítica conceitual sob a situação.

Dado à complexidade e extensão para exprimir as idéias com o mínimo necessário de fundamentação teórica, haverá, excepcionalmente para esse tema, uma sequência com post ainda este mês.

E você, tem rompido fronteiras e pré-conceitos ultrapassados?

Por hora vou até aqui. Até a próxima!

 Wilson Barbosa

-Filósofo Clínico

-Técnico em Assuntos Educacionais

 IFTO – Instituto Federal do Tocantins

 Campus Porto Nacional.



[1] BETTO, Frei. Alteridade. Disponível em: http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=7063
[2] SILVA, Tomaz Tadeu da. A produção social da identidade e da diferença. Disponível em: http://ccs.ufpel.edu.br/wp/wp-content/uploads/2011/07/a-producao-social-da-identidade-e-da-diferenca.pdf

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Por Wilson Barbosa

Terceirização Existencial

A Droga das Drogas

No mundo contemporâneo, por força do hábito e do comodismo, a sociedade atribui às coisas e aos outros, responsabilidades que deveriam ser próprias. Diante dessa realidade estamos presenciando a era da terceirização da vida.
Na saúde, a terceirização se dá à custa das “pílulas mágicas” sob as quais prolifera a homogenia na idéia falaciosa de que elas, as pílulas, resolvem os problemas existenciais das pessoas, mesmo quando esses ‘problemas’ deveriam ser entendidos como necessários para a manutenção e o auto equilíbrio. O grifo sob a palavra problema é porque não necessariamente todos os tipos de problemas são para serem resolvidos. Alguns deles são necessários que persistam em virtude de um processo do desenvolvimento do ser humano. Outros ainda, têm o benefício de ajudar a pessoa no processo de maturação de um fato, de um lapso temporal de tempos remotos da vida, e ainda, por outros motivos quase indecifráveis.
Há hoje uma grande permissividade farmacológica, transposto por custas de um marketing desenfreado da bilionária indústria do remédio em detrimento de causas e fenômenos naturais, colocadas como estados patológicos, havendo nisso uma idéia subliminar a qual fomenta o pseudo entendimento de que o medicamento constitui escopo para problemas de ordem reversa à função ideal da droga. Há uma propensão, nesse sentido, de transferir à medicação, o que deveria ser experenciado, suprimido ou digerido pelo indivíduo. A pergunta que se faz (com uma resposta já subentendida) é: Por que não fazer isso havendo, portanto, essa possibilidade? Mas a resposta subentendida pode bem estar carregada de um contra censo, na medida em que o entendimento alonga-se em direção a estados compreendidos como maturação da Estrutura de Pensamento, equalização e necessidade de rigor no pensamento, redirecionamento existencial sob determinadas áreas da vida, e outros fenômenos correlatos. Na prática, o uso exacerbado de drogas com a finalidade de curar problemas de certas origens pode comprometer o processo de regulação do organismo, mascarando algo maior que, por sua vez converte, no tempo oportuno, em uma situação de difícil tratamento do ponto de vista do diagnóstico médico.
A Fé Irracional
Na perspectiva ainda de que com alguma fórmula mágica se possa abreviar dores e sofrimentos, pessoas com as mais variadas razões buscam por meio de uma terceirização da fé, calar angústias e inquietações buscando desesperadamente milagres urgentes. Se voltarmos a tempos remotos, constataremos que mentes que brilharam no mundo – poetas, santos, físicos, matemáticos, filósofos, não abreviavam e nem transferiam responsabilidades existenciais. Longe da idéia mórbida de apetite por sofrimento, esses gênios os quais por capricho os séculos  produzem um por vez, muitas vezes, utilizavam-se da solidão e do recolhimento para criarem obras que ensinaram e ensinam ao mundo, perpetuando o conhecimento e a sabedoria por toda a existência.
Recolhimento e solidão nos dias atuais ecoam algo como retrocesso, uma vez que a sociedade tecnológica, racionalista, revestida dos ideiais positivistas, instiga cada vez mais a que tudo seja feito o mais rápido possível. E quanto a isso há controvérsias, porque às vezes rapidez é prima-irmã da atitude irrefletida e geralmente causadora de danos por vezes irreversíveis.  Pular etapas é a “inteligência da vez”. O slogan da atualidade moderna chama-se ‘pressa’. A prematuridade em que o jovem se depara, por exemplo, com a necessidade de escolha da profissão é um tácito exemplo. Profissionais, principalmente em nível superior, em diversas profissões deparam-se com a formação comprometida em função da falta de maturidade. Na sexualidade, devido a precocidade, os resultados são a má orientação, fazendo com que jovens e adolescentes ultrajem o próprio corpo, cujos efeitos nefastos aparecem alguns anos depois; o uso de drogas na adolescência dão resposta a desventura que, antes, parecia ser uma abertura à vida. Levado tudo isso à soma, fica claro a necessidade de se ter estudos consistentes, a saber, em que e quais aspectos a abreviação do tempo é desejável. Além disso, há a necessidade de profissionais próprios a serem imbuídos na discussão, pois a aceleração de etapas é possível, porém, não deve ser regra. É algo que deveria ser tratado do ponto de vista da subjetividade humana. Isso equivale a dizer que é necessário um estudo a priori do ponto de vista de como é a temporalidade para a própria pessoa e não para um grupo de pessoas, classe,  cultura, etnia. Para algumas pessoas, a temporalidade não é um fenômeno determinante no processo de maturidade, quando para outras, é tudo o que importa para que se entenda o processo de se fazer homem, de se amadurecer mulher. E isso não é tudo, outros elementos constituintes precisariam ser observados.
Responsabilizando a Educação
Em educação, na ânsia e no calor da terceirização, as famílias transferem à escola momentos importantes da construção e maturação do caráter de seus filhos, abnegando-se de participar do processo porque já pagam a mensalidade escolar e com isso, eximem-se de tal tarefa. Do outro lado, essa atitude encontra acolhida até mesmo nos moldes orçamentário do governo que, por sua vez, vem insistindo em um projeto de terceirização das Universidades, agredindo frontalmente o direito expresso e irrevogável, que é o direito líquido e certo da sociedade em ter educação pública, gratuita e de qualidade. Com a terceirização da educação por parte da família, essa expressão forte Terceirização, corrobora para a destituição e desagregação familiar, porque os pais afastam-se dos filhos. Aliás, ao entardecer, quantas famílias transferem a necessidade da sua presença, do calor do diálogo honesto junto às crianças, transferindo essa responsabilidade para a compra de presentes na tentativa de construir uma espécie de medida de profilaxia educacional. Mas claro, tem explicação! Devido o divórcio ou a separação da comunhão estável, não há como estar tão presente, por isso é necessário terceirizar o ato de amar, às coisas. 
A Realidade no Ato de Terceirizar
O silêncio que ensina é hoje objeto de desprezo, porque não há tempo para silenciar tendo por orientação que há tanta coisa paralela a ouvir e tantas outras para falar, fazendo impossível silenciar. A soma de todos esses elementos fornece um mapeamento raso, mas original, do espectro pelo qual é possível enxergar o caos provocado pela terceirização.
Ao lançarmos os olhos sob os fins e não apenas sob os meios, notamos que desde o apogeu do racionalismo grego até o início deste século, em que as bases do conhecimento apóia-se quase que exclusivamente no uso da razão, busca-se uma resposta na tentativa falaciosa tomando a razão como resposta perene para responder às questões existenciais. A perplexidade não está necessariamente na busca de respostas, mas nas propostas de solução. Para saber o que penso dessa proposta de solução, releia os primeiros parágrafos.
Em Erich Fromm (1900-1980), filósofo e psicanalista, em sua obra A Arte de Amar, é ensinado que há uma propensão natural a entender o amor como algo simples. Segundo o autor, em toda a humanidade há uma propensão natural a acreditar que amar é algo corriqueiro e que acontece rapidamente.  Ainda segundo Fromm, a capacidade de amar só se adquire plenamente na madurez pessoal[1]: O amor infantil diz: amo-te porque te necessito - o qual é um afeto egoísta; mas o amor maduro expressa: necessito-te porque te amo.  

Não Terceirize sua Vida!


Wilson Barbosa
Filósofo Clínico &;
Técnico em Assuntos Educacionais,
IFTO - Inst. Federal do Tocantins,
Campus Porto Nacional

 


[1] http://pt.wikipedia.org

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Por Wilson Barbosa


                          Construindo Sonhos com Serenidade

Aceite essas palavras e  meu apreço!    
Nesse texto, oportunizei um momento de desvio de foco consoante às discussões pretensiosamente linkados à educação e trabalho, com o objetivo de voltar a percepção para os espaços existentes entre o que previamente pensamos a despeito dos sonhos e as múltiplas relações internas, as quais sentimos e experimentamos no cotidiano, provocados pelo ato de sonhar. 
O modo como construímos os nossos projetos existenciais e os nossos sonhos parece às vezes vir à consciência já adoecidos por não sabermos elaborá-los e pensá-los com excelência. Talvez não necessariamente os projetos e sonhos, mas os métodos adjacentes a esses, pelo fato de estarem intimamente atrelados, moldando a estruturação mental da pessoa. Algo de fácil separação no plano teórico, mas, para algumas pessoas, de grande complexidade na prática. 
Hipoteticamente a pessoa que vivencia essa situação se assemelha a alguém perdido em um labirinto, uma situação incômoda de difícil saída. Na acepção médica, essa relação mente x pensamento, por vezes é entendida como algum tipo de doença ou estado doentio como ansiedade crônica, depressão, tipos variados de síndromes, etc., contrapondo a outras possibilidades de entendimento. 
O desdobramento do que me vem à mente a essa introdução, diz respeito a queixas existenciais que provém do modo como habitualmente muitas pessoas articulam o pensamento para a construção dos sonhos e esperanças. As expressões verbais que dão conta dos inúmeros casos em que a pessoa sofre à causa são incontáveis: “por que será que sofro tanto nessa vida, tento, tento e fracasso; nada consigo; por que a vida faz isso comigo, tudo que quero não consigo”. 
São pensamentos eivados de um projeto infeliz de elaborar os conceitos e mesmo tendo consciência disso, são exaustivamente exercitados na malha intelectiva e sempre tendem a levar a um enorme esgotamento mental. Observe a palavra destacada “tendem”, porque a priori não há como afirmar que seja uma causa de sofrimento para todas as pessoas, embora no geral seja exatamente isso que ocorre quando existe esse tipo de queixa. Nessa linha, podemos aventar que pensar errado pode causar muito cansaço.
Na perspectiva da Filosofia Clínica, essa trama de pensamentos com esse tipo de ‘vício’ é intitulado de Armadilha Conceitual, algo que faz inferência a um modo de ser da pessoa a qual a leva a sentir-se aprisionada dentro dos próprios conceitos. Literalmente a pessoa esquiva-se para um lado e outro tentando uma saída e não tem sucesso. Sem saber como ou o porquê das coisas (idéias) serem embaraçadas, tenta sobrepor determinada situação e quanto mais se esforça, mais se perde em abstrações que não edificam. Parece que o modo como vêm construindo o mundo existencial não oferece outras oportunidades, senão apenas girar na mesma esfera de conceitos que, em síntese, não leva a lugar algum. 
Em definição clara e a título de exemplo, bem assim é explicitado na conjuntura da Filosofia Clínica[1]:
Armadilha Conceitual é uma trama de conceitos que tem como característica aprisionar existencialmente a pessoa. Em uma Armadilha Conceitual a pessoa acusa estar lutando sem sair do lugar, mostra estar fazendo esforços em direção a algo que não parece alcançar, é usual que a pessoa demonstre estar em uma areia movediça. Muitas expressões aparecem na história de vida de uma pessoa, no consultório, propiciando indícios de Armadilhas Conceituais: “eu nado, nado, e não saio do lugar; parece que a minha vida anda em círculos; quanto mais eu busco, menos eu encontro”. Há centenas de expressões sinônimas a estas. Há também inúmeras formas pelas quais uma Armadilha Conceitual pode atrapalhar a vida de uma pessoa. Quando a pessoa empreende esforços para atingir suas metas e tem seus caminhos fechados, isso é em geral um atrapalho. O problema é que algumas Armadilhas Conceituais são invisíveis para a própria pessoa; ela padece com elas e acaba atribuindo suas mazelas a outras coisas. Um exemplo disso é culpar o casamento como fonte dos sofrimentos, quando o que de fato ocorre é uma incapacidade da pessoa em corresponder a uma relação afetiva”. 
Note que por definição, a sensação que a pessoa tem pode ser comparada a uma espécie de sufocamento, e às vezes a somatização do conceito gera efeito tão forte que literalmente ocorre uma completa perda de forças na pessoa. O resultado é inevitavelmente o sofrimento. É claro que essa é uma das muitas possibilidades de fazer com que a pessoa se sinta assim. Existem outras, mas nesse artigo proponho enfatizar esse aspecto para relacioná-lo ao momento da vida de muitas pessoas que andam sentindo cansaço em suas mentes ao tentarem exercitar com proficiência o pensamento em direção a, e torcem, por conseqüência desses problemas, o modo como vêem a si mesmos, seja tecendo comparações, criando ambigüidades conceituais, se auto desprestigiando.
Fiquei pensando em quantas pessoas tem abortado os sonhos, porque ao sonharem, emaranham-se entre as idéias a tal ponto que não vislumbram saída para o estado tautológico em que se encontram e, desse modo, não conseguem sentir leveza, paz, tranqüilidade, mas tormento, e percebem que ao pensar, ao articular intelectivamente os sonhos, apenas sentem fatiga e por isso vêm minguando a conta-gotas, a prestação, a arte de sonhar. Concordando com o senso comum, sempre morrem na praia!
O quero que aconteça ao discutir isso, é que as pessoas que se perdem no pensamento a ponto de causar sofrimento quando esboçam para si mesmos os próprios projetos existenciais, encontrem um farol próximo ou distante que os orientem ao entendimento da razão; dos motivos que as fazem sentirem-se assim, muito embora o fato de descobrir qual a razão, por si só, talvez não seja motivo de melhora. Por quê? Porque não é assim para todo mundo. Mas não importa, o que de fato importa é que cada um consiga entender o próprio funcionamento para desconstrução dos próprios conflitos e, a partir daí, buscar meios. 
Quero com ousadia, demonstrar que a característica de viver uma Armadilha Conceitual é um fenômeno da própria estrutura organizada do pensamento humano, ou má organizada, dependendo da interpretação.
A notícia que alivia é que essa Armadilha pode ser alterada, se assim for o desejo da pessoa. Isso não é o mover do sobrenatural ou um fenômeno meta-psicológico, mas um entendimento filosófico que faz uso da própria filosofia em si, utilizando-se de meios que levam à organização do pensamento, promovendo, via razão, alterações profundas na vida como um todo. Esses mecanismos são passíveis a novos desdobramentos, e ao serem trabalhados levam a zonas mais ‘seguras’ e confortáveis, quando comparado a antiga causa sofredora. Se não é possível entender isso sozinho, nenhum mal há em buscar ajuda.
Se os padrões de pensamentos que impedem uma pessoa de caminhar forem movidos para outra arena, se com essa discussão propiciarmos juntos a construção e a busca de um novo olhar sob os sonhos e sob a vida, terá valido a pena. Se esse texto sinalizar à celebração de um novo percepcionar sobre as coisas; se de qualquer modo propiciar um novo percepcionar sob o que incomoda, terá cumprido seu papel.
Bem, dizem que quem escreve, escreve também de si mesmo. Será?
Desejo uma mente descansada para você!


[1] www.filosofiaclinica.com.br/exercícios com resposta comentada


Profº Wilson Barbosa
-Filósofo Clínico e
-Técnico em Assuntos Educacionais
-IFTO – Instituto Federal do Tocantins
-Campus Porto Nacional.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Por Wilson Barbosa


PÓS ESTÁGIO
ENCAMINHAMENTOS ACERCA DA INSERÇÃO DO TÉCNICO NO MUNDO DO TRABALHO

Quer arranjar emprego? Cuide antes de alguns encaminhamentos teóricos e práticos fundamentais para a efetiva inserção no mundo do trabalho, segundo informes aqui propostos. As premissas e conceitos apresentados nesse artigo, em geral, são universais, mas há direcionamento e ênfase ao concluinte do curso de nível técnico concomitante ou subseqüente ao ensino médio.

Um levantamento rápido pela internet revela a expressividade e a ascensão desse nível/modalidade de estudos, o curso técnico-profissional. Além disso, sinaliza especificamente para alguns cursos em alta e outros que são bastante promissores. Em termos de país, setores que prometem absorver extensa mão de obra técnica, revelam-se nas indústrias de Petróleo e Gás, Companhias de Açúcar e Álcool, como é  realidade no Centro-Oeste, além da demanda na Construção Civil em todo o Brasil.

Com isso, acresça-se que com a economia elevada, as classes C e D começaram a viajar mais pelo país, movimentando consideravelmente o setor de Turismo.  Com o turismo efervescente, há a busca por profissionais em diversas áreas, desde serviços temporários como locutores lojistas e telemarketing nos grandes centros e em cidades turísticas, até profissionais formais da Comunicação e Marketing.

Nem precisa ser especialista para saber que o salário do jovem detentor de um diploma de curso técnico é maior do que aqueles que iniciam a vida profissional sem um curso profissionalizante. Outro dado revelador, é que no Brasil, 70% dos formados em cursos técnicos conseguem emprego na área[1]. Colocado no gerúndio, perguntaríamos: seria esse o percentual de contratação para àqueles que concluem cursos no nível superior? Portanto, como a resposta já está implícita na pergunta, conclui-se que as perspectivas não poderiam ser melhores para os técnicos formados.

Para o MEC, há ainda as áreas pelas quais as empresas estão ávidas por profissionais formados: biocombustíveis, radiologia, cozinha, edificações, mecatrônica. Ainda, áreas ligadas à ecologia, a informática e a multimídia.

Hoje, grandes corporações tratam os aspectos relacionados aos colaboradores de modo orgânico, pautados em ferramentas de produtividade, economicidade e empreendedorismo. Tudo isso são características que as empresas buscam no colaborador, e em contrapartida, sedimentam uma política clara e objetiva que permite a retenção e a ascensão profissional de seu pessoal.

Dá-se destaque ao substantivo ‘retenção’, porque no contexto trabalhado, o entendimento subjacente da palavra retenção indica maior estabilidade no serviço - caminho oposto, ao que se presencia atualmente no cenário europeu, incluindo grandes potências como a Rússia e a Inglaterra; assim como Itália, França e Espanha, até mesmo a Alemanha que é líder na economia européia, não está imune à queda da economia. Abalados com a crise na Grécia, esses países estão com sérios problemas de empregabilidade. O objetivo de citar os problemas externos não constitui uma tentativa de consternar o jovem brasileiro, mas levá-lo à reflexão quanto à valorização das oportunidades de ingresso e desenvolvimento da carreira, exigindo, apenas, seriedade, comprometimento, muito estudo e capacitação contínua.

No Brasil vivemos um período histórico. As empresas brasileiras ou as multinacionais presentes no país procuram maximizar todos os recursos disponíveis para evitar o turnover, palavra inglesa que define rotatividade entre funcionários, algo que cada vez mais vem sendo indesejável nas corporações [CLIQUE AQUI], e isso é reflexo direto do crescimento da economia que impulsiona as empresas a terem pessoal treinado e capacitado, resultando diretamente no investimento em pessoas. Na prática, o Brasil é o país do momento!

Esses são os informes iniciais, outros, tão ou mais importantes, devem partir da própria pessoa que se propõe a qualificar (e deve se qualificar) como contrapartida devida e esperada de um profissional técnico, ao comprometer-se no trabalho com o fazer bem feito; com o desenvolvimento da capacidade do trabalho em equipe; com o aprendizado legítimo que busca os melhores meios para atingir os fins desejados. 

Para isso, não basta ser proprietário de um certificado ou diploma de técnico em alguma coisa. Ser profissional transcende as especializações enquanto forma, vai à sensibilidade e à técnica. É daí que nasce a reflexão entre ensino e prática como práxis inseparáveis, porque na medida em que se exercitam os fluxos dos dados teóricos, fomentam-se também os dados epistemológicos[2] e por conseqüência os modos cognitivos[3], concomitantemente fazendo na prática o que se aprende em teoria.

Nesse ínterim, reforça-se ainda a necessidade do aprendizado e do exercício da ética no trabalho, dos valores fundamentais que alicerçam uma sociedade organizada onde deve ser primado o espírito da solidariedade, compreendendo com isso o sentido de se trabalhar com vistas a produtos e serviços bem feitos. E mais, paralelamente na construção de produtos e serviços, pautar-se n’uma visão holística que enfatize com prioridade a necessidade urgente de preservação do meio ambiente e a sustentabilidade. Essa perspectiva remonta interesses e necessidades já a nível planetário, a qual passa a ser determinante para a manutenção da vida, portanto, objeto de responsabilidade das empresas e de todos nós.

Nesse viés, todo e qualquer empreendedor que esteja vinculando sua produção ao lucro, sem atentar às causas de respeito aos recursos naturais, está antecipando o próprio fracasso. Notadamente, nos fóruns mundiais não vem se encontrando ponto de consenso sob o problema. O que resta, são as manifestações e críticas de alguns grupos de pessoas, ONGs e organizações envoltas à questão, as quais não cessam de reivindicar por, no mínimo, patamares toleráveis na exploração dos recursos naturais em prol da sustentabilidade. Se seguindo a linha do capitalismo excêntrico, esses são conceitos surreais, mas a verdade é que são fatos que vão sendo incorporados ao imaginário coletivo e posteriormente materializados em ideais educacionais, aglutinados em fóruns mundiais, acordos internacionais; Projetos de Lei, e também em Leis, propriamente ditas.

Uma leitura desinteressada não enxerga as similaridades de contexto: Sustentabilidade >> Formação Técnica >> Produção Ética. As nomenclaturas não são determinantes, mas as gêneses das questões em si, são. Isso implica que não há mais dissociabilidade entre esses temas. De agora em diante, estarão todos a um serviço: a promoção da qualidade de vida. É necessário que haja uma visão holística a despeito de um mundo em que se privilegie o ser em detrimento do produto a alto preço da natureza. E nesse sentido, desde as grandes corporações como a micro e a pequena empresa tem um mesmo papel: o papel da responsabilidade da produção limpa. 

Assim também deve ser o técnico formado o qual deve, em sua formação, coadunar a seus conhecimentos esses preceitos no desenvolvimento do trabalho, nos próprios propósitos e aspirações, e bem assim, na sua visão de mundo.
Até a próxima!

Profº Wilson Barbosa
-Filósofo Clínico e
-Técnico em Assuntos Educacionais
-IFTO – Instituto Federal do Tocantins
-Campus Porto Nacional.




[1] disponível em http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2011/01/curso-de-nivel-tecnico-garante-70-de-contratacao-ao-disputar-vaga.html
[2] Epistemologia: modo de conhecer as coisas; modo de investigação.
[3] Cognição: relativo a processos de aprendizado.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Por Wilson Barbosa


1º DE MAIO
PARA CONTRARIAR AS BASES DO OTIMISMO


Brasil, país que exibe ao mundo a tomada da sexta economia na escala global, mas que exibe também uma posição expressiva no ranking de descaso do principal “patrimônio imaterial” de qualquer das nações. A educação.
Forjando-a aos guetos do obscurantismo intelectual e consolidando uma estrutura para transeuntes em direção à miséria social por falta de ações efetivas, o desenvolvimento educacional brasileiro caminha aquém em termos de investimento do PIB quando comparado a vários países da América Latina, influenciando decisões políticas, sociais, profissionais e demais esferas que juntas, alicerçam um país.
Em Brasília, imperativo e suntuoso, o símbolo ‘cego’ do Direito ornamenta a entrada do STF, ao passo em que a representatividade de sua pretensa isonomia dá conta do contrário. Os números incontáveis de processos que deveriam protagonizar agilidade se arrastam por anos e, em alguns casos, durante toda uma vida. O respeito à rés–pública vai à contramão do ideal de Justiça Cega.
Com um sistema arcaico, precipitando à falência e inconciliável com a realidade e as necessidades urgentes de toda a sociedade, o judiciário brasileiro não consegue dar conta nem da demanda de trabalho que lhe é atribuída, nem prima pela justiça como deveria, tendo por base o palco político em que assistimos o teatro da mentira e da corrupção a toda hora. Por meio de brechas constitucionais, caras empresas advocatícias são contratadas arrolando sentenças e juízos de toda ordem. Das locuções dos magistrados brasileiros é percebido o descaso generalizado em face de amontoarem processos que deveriam ser prioritárias para o país. Será que algum leitor tem dúvidas a respeito dos resultados dos despachos morosos ou tendenciosos no senado brasileiro? A maioria das PLs em instância de aprovação dá prova da investida dessa projeção!
Educação
Ao olhar o desenvolvimento da história da educação brasileira, desde o início da república, há um retrocesso na formação crítico-social dos educandos. Enquanto filósofo e educador, pode parecer mesmice dizer que a educação vai mal, porque o governo não quer gente que fale, critique e se expresse, portanto, sendo apenas pragmático no raciocínio, chegamos à mesma expressão, via matemática simbólica. Em proporção, temos hoje um maior número de pessoas ignorantes do que início da república, se considerar que há duas (eu disse duas) vezes mais pessoas privadas de saber ler do que no ano da Proclamação[1]. Nossas Universidades, em quase todos os Estados da Federação são sucateadas. As federais, além de mal equipadas, carecem de reestruturação desde equipamentos técnicos e tecnológicos até material humano, patrimônio imprescindível para reverter o quadro precário na produção científica, por exemplo. As Universidades não têm amparo econômico condizente com as necessidades, inviabilizando a pesquisa e a extensão. Desse jeito, não tem sentido de ser.
Nessa mesma linha, pondera-se a equação da formação profissional em áreas tais como as das engenharias, da contabilidade, da biologia, outras. Sem contar com a falta de poder de reação dos sindicatos representativos de classe, frente às necessidades gerais e imediatas as quais urge serem enfrentadas, debatidas e priorizadas conforme demanda, a fim de alcançar conquistas justas para o setor, bem como corroborar de modo efetivo para o desenvolvimento de planos de carreiras afinados às necessidades, além de perspectivas objetivas de desenvolvimento profissional para técnicos educacionais e professores. Essa é uma das urgências dentre outras.
Ainda em Educação, para não atermos apenas na questão das políticas educacionais, toda a comunidade acadêmica desde técnicos a docentes, em 2012 acumula defasagem salarial de anos, além da falta de reposição às perdas inflacionárias de 2011 e 2010, as quais pesaram tanto sob a remuneração do trabalhador da educação em todas as instâncias: federal, estadual e municipal, que literalmente suprimiu o poder de compra desses trabalhadores.
Medidas Profiláticas 
Relativo aos modernos Institutos Federais de Ciência e Tecnologia que se faz guia de esperança para um novo fôlego da educação profissional, de modo particular no âmbito do Ensino Médio, o qual por décadas foi gargalo de problemas consoante as diretrizes básicas para essa etapa de ensino, uma vez que o jovem egresso do antigo ensino de segundo grau nem obtinha formação técnica de qualidade nos moldes de cursos que pretensamente atrelava educação geral com educação profissionalizante, tampouco recebia formação geral que verdadeiramente preparava para avanços no ensino superior, e mais, sofrendo ainda com redução da carga horária em disciplinas fundamentais.
Hoje o cenário é outro, porque há distinção das diretrizes próprias da formação geral e diretrizes objetivas da formação técnica-profissionalizante, o que expressa avanços para ambas. Todavia, o governo federal ainda não se deu conta que para a tríade do processo - Formação X Educador X Aluno, a necessidade de investimento em termos técnicos e salariais é tão importante quanto qualquer outra medida acauteladora a fim de assegurar o desenvolvimento sócio-econômico do país.
Especificamente em 2012, diga-se ao público leigo, não houve espaço para negociação com o funcionalismo público federal vinculado a educação, reservando para o problema, não mais do que discussões vazias e protelatórias, sujeitando os profissionais a recorrerem à única alternativa possível prevista em Lei, o direito de deflagração de greve.
Com respeito ao princípio da publicidade, importa registrar que a título de exemplo, o Técnico Administrativo em Educação, tem hoje, o menor subsídio quando comparado com Técnicos vinculados a outros Poderes.
Revestido de critérios legais, porém em desarmonia e desacordo com a implementação da isonomia prevista constitucionalmente no § 4º do Artigo 40 da Lei 8112/90, a qual regulamenta direitos e deveres do servidor público federal, o governo protela as negociações e não cumpre acordos já traçados e acordados anteriormente. Quanto a Lei, ressalta-se: “é assegurada a isonomia de vencimentos para cargos de atribuições iguais ou assemelhadas do mesmo Poder, ou entre servidores dos três Poderes, ressalvadas as vantagens de caráter individual e as relativas à natureza ou ao local de trabalho”. Se existem proventos diferenciados, excluindo as de caráter pessoal ou de local de trabalho, contrapõe nitidamente a ideia de isonomia, sem outras interpretações.
Realidade
A sexta economia do mundo tem atraído imigrantes das mais diversas partes do mundo devido ao crescimento da economia, algo que é motivo de louvor, contudo, a sexta economia do mundo não cumpre com o dever de casa quando o assunto é educação, não proporcionando investimentos que façam jus para manter nos anos vindouros o mesmo crescimento econômico.
No Brasil, no interior das escolas públicas dos Estados e Municípios, professores são agredidos dentro da sala de aula de norte a sul, fato absurdo e inadmissível. Fica a pergunta para outra reflexão: esse é o caminho proposto para o entendimento do que se espera por emancipação do indivíduo? Certamente que não. Isso somado a desvalorização do profissional, ocasiona o abandono da profissão, agravando a situação. Prova disso é a falta de professores de biologia e matemática, objeto de preocupação constante do MEC.
Não há a pretensão de defender intrinsecamente no texto um projeto pedagógico nos moldes da educação tradicional, crítica, libertadora ou qualquer outra postura pedagógica já registrada em enciclopédias de papel ou digital, como nas Wikis contemporâneas, mas é preciso discutir o contexto em que a educação vem caminhando a muito tempo, instigando agora para o exílio em massa de professores para outras profissões e perpetuando a situação de abandono em que se encontram as escolas, generalizando o descaso e a desvalorização da comunidade escolar, sem mencionar, em particular, as carências latentes do ensino fundamental, patamar base para os demais níveis. 
Na prática, são LI (Laboratórios de Informática) usados como marketing de investimentos em educação, ao passo que governos estaduais, como é o caso do atual governo de Goiás, que toma do pouco salário do professor qualquer tipo de gratificação, não importando, em última análise, que ele deva qualificar-se para prestar um serviço decente para alunos e sociedade, tampouco respeita anos de trabalho que os profissionais tiveram para capacitarem, muitas vezes com recursos próprios em pós-graduação e cursos de aperfeiçoamento, a fim de tentarem garantir ensino de qualidade e por outro lado minimizar efeitos de uma aposentadoria precária.
Nossa história dá conta de que por falta de investimentos decentes em aperfeiçoamento e pesquisas acadêmicas, ficamos com o título de melhor futebol, melhor música sertaneja e o melhor samba - mas perdemos as melhores mentes pensantes para o resto do mundo. O resultado disso é o baixo número de pesquisadores, pouco investimento governamental nas próprias pesquisas científicas em si; falta de aporte de empresas parceiras que custeiem, patrocinem e fomentem pesquisas direcionadas no interior das universidades, evidenciando os motivos da baixa produção acadêmica em geral, explodindo no câncer do torpor e da inércia intelectual, resultando também na perda de patentes em potencial, que são trabalhadas, desenvolvidas e aproveitadas em outros países a partir do trabalho de pesquisadores brasileiros, ao contrário de exemplos como o que fica subentendido na fala que atribui-se a Golda Meir,  ex-primeira-ministra de Israel: “Felizmente, não temos petróleo, por isso somos obrigados a desenvolver nossa maior fonte de energia: o cérebro de nosso povo”².
Conviver com a desonestidade e com a corrupção tem sido um paralelo constante à sexta economia do mundo. Então indagamos: como compreender a sexta economia do mundo em pleno século XXI ainda ter cidades em que corre esgoto a céu aberto; como entender a sexta economia do mundo convivendo paralelamente com salários gigantescos no setor político em Brasília e ao mesmo tempo com a situação do trabalho escravo no interior do país? Não merece sorrisos também, saber que há um número enorme de ingressados na educação, mas que tendem a tornarem-se analfabeto-letrados que não se envolvem politicamente com a sua comunidade, sua cidade, seu país.  Se há dúvidas dessa afirmação, é preciso antes fazer entender os motivos da falta de compromisso do Estado democrático de direito com a formação sociológica da juventude que só a poucos anos conquistou o direito de pensar filosoficamente na escola, um tanto a contragosto de uma parcela resistente em incluir a Filosofia e a Sociologia como obrigatoriedade de oferta na educação pública brasileira.
Esse estancamento generalizado do desenvolvimento crítico e social presente na sexta economia do mundo, entremeado ao contexto do atual desenvolvimento econômico constitui paradoxos e incertezas.  Como conviver com tais realidades?
Para não finalizar e contrariando o otimismo, o Brasil já ao fim desse artigo de opinião, segundo previsão do FMI, deverá perder o posto de sexta economia mundial para o Reino Unido que pode chegar ao PIB de US$ 2, 452 trilhões ainda esse ano.
Nessa nossa data, um forte abraço a todas e todos os trabalhadores, 

Profº Wilson Barbosa
Técnico em Assuntos Educacionais
IFTO – Instituto Federal do Tocantins
Campus Porto Nacional.

[1]  disponível em www.cristovam.org
[2] BUARQUE, Cristovam. Revolução Republicana na Educação: Ensino de Qualidade para Todos Ed. Moderna, 2011. 142p.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Por Wilson Barbosa

 
Reflexão Filosófica sob Certificação por Competência nos Cursos Técnicos

 PERSPECTIVA INTERDISCIPLINAR

Em artigo que publiquei ainda no ano de 1997 para a Revista  Filosofia- Ciência & Vida, Editora Escala, edição especial daquele mês[1], o assunto foi tratar “O Iluminismo no Século XXI”. Considerei como principal protagonista para o texto, Jean-Jacques Rousseau - Filósofo Iluminista do Século XVIII.
Agora, nesse artigo, para fomentar o intrigado raciocínio acerca da Certificação por Competência dentro de uma perspectiva também da interdisciplinaridade, retomo outra vez o Filósofo, a partir da base de seu pensamento efervescente em prol da necessidade de preparar o educando para o futuro. Isso porque, segundo a perspectiva do Pensador em sua obra O Emílio[2], o aluno tem uma enorme potencialidade não aproveitada imediatamente.
Praticamente em toda a história da Filosofia houve pensadores que debruçaram contra toda forma de opressão, do poder autoritário que subjuga o outro para o domínio próprio; do maniqueísmo assassino que usurpa o direito à liberdade. Vários fenômenos dessa natureza tem pano de fundo no momento da história quando alguém cercou um lugar e disse: “isto é meu”. Esse é também o início da privatização da propriedade! Mas é também assunto para outro artigo.
Retomando o tema, nos dias atuais, pouco ou nada se compreende a respeito do Ócio em seu sentido legítimo,  confundindo-o quase sempre com o ócio da aristocracia, daí o interesse em envolver essa significação aos aspectos do potencial estanque do educando que, especificamente, na modalidade de ensino dos cursos técnicos, o qual, conforme legislação vigente pode ser diminuído em termos de tempo da duração do curso por meio da Certificação por Competência, algo devidamente amparado pelo Decreto 5.154[3] de Julho de 2004, além de outras possibilidades que também encaminham à conclusão de cursos em menor tempo, desde que diretamente relacionados com o perfil profissional de conclusão da respectiva qualificação.
Aproveitamento Imediato: Certificação por Competência
É presumido que há entranhados no entendimento do que diz o Decreto, que a Certificação por Competência seja mais uma manobra política que o governo instaura para oferecer uma resposta rápida à demanda necessária para suprimento da falta de mão de obra especializada para o trabalho, algo possível, mas não reduz a isso.
A verdade que precisa ser entendida é que não é mais possível tolerar o não aproveitamento de experiências profissionais anteriores que a pessoa, jovem ou adulto, adquire no decorrer da vida. Pesquisas nesse sentido demonstram que não são poucas.
A Certificação por Competência é um instrumento legal que tem por objetivo ampliar as possibilidades do jovem em utilizar dos seus conhecimentos profissionais a priori a sua formação técnica, sem prejuízo da qualidade, por isso, a aferição do saber adquirido em situações e experiências anteriores faculta-lhe o direito de conclusão abreviada, sem contar com as possibilidades, quando o curso for estruturado e organizado em etapas com terminalidade - saídas intermediárias que possibilitam a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho, após conclusão com aproveitamento. Na prática, é uma legitimação em essência aos ensaios pedagógicos rousserianos que torna o aluno auto-suficiente.
Mas ao contextualizar para a realidade do Século XXI, é sabido que é prematuro orientar as escolas que simplesmente alterem seus projetos pedagógicos com efeito de anuência a esse aproveitamento, porque as próprias normatizações sobre o assunto ainda são pouco debatidas e devidamente elencadas, justificando esforços para que haja sólidos estudos que fortaleçam os parâmetros de metodologias e avaliações para os diversos perfis profissionais, uma vez que a responsabilidade passa a ser da escola que avalia, reconhece e certifica o aluno.
Superada a questão, com a saída intermediária, o aluno logra êxito em se tratando da rápida inserção no trabalho, permitindo o curso de módulos com conclusão, fazendo jus ao final dos módulos, à diplomação. Outro aspecto positivo é que com a iniciativa dessa modalidade de certificação fica garantido o segmento de estudos em nível superior, e mais, com pouco ou nenhum comprometimento no orçamento familiar, uma vez que oportuniza ao técnico a remuneração condigna pelo seu ofício porque ele estará apto a inserir-se no mundo do trabalho[4].
Na perspectiva filosófica, a profissionalização técnica por meio do imediato aproveitamento dos talentos já adquiridos anteriormente pela pessoa e toda a estrutura organizacional que envolve essa modalidade de qualificação, ganha dimensões que até poucos anos era algo inimaginável no cenário brasileiro, existindo apenas nas ilusões e na utopia de alguns pensadores interessados em ciências sociais.
O Ócio como Expressão da Liberdade
O Ócio na perspectiva proposta, é algo decorrente da boa utilização do tempo, da otimização de todos os recursos disponíveis para a consecução dos trabalhos, da produtividade que seja resultante da necessidade, algo que é idéia embrionária do empreendedorismo utilitário. Esse empreendedorismo utilitário tem alguns aspectos que assemelham o modo toyotista o qual o trabalhador é consciente de todo o processo da produção e nunca relegado ao trabalho segmentado onde jamais há a oportunidade de conhecer todas as dimensões da produção industrial; dos projetos que resultam em comercialização de bens; da participação nos lucros.
Não obstante, várias vezes no meio profissional o trabalhador conta com um tipo de ambiente de trabalho hostil, inóspito ou insalubre agravando sensivelmente a sua condição física e intelectual, criando uma situação de tédio e muitas vezes apatia por ações repetitivas e rotineiras, que não oferecem  a oportunidade de criar ou pensar o processo decisório. É contrariando essa formação absurda e intolerável que o modelo de formação técnica para o jovem brasileiro vem ganhando novo espaço no cenário das empresas internas e em outros países. É a refutação da projeção desse caos que a concepção da educação contemporânea, com respaldo nas Diretrizes da Educação Nacional, contrapõe o cerceamento intelectual da pessoa que se impõe com a hermenêutica travestida de “foco na produtividade”.
O fato real é que o aprendizado que liberta o ser humano para a criatividade, para o desempenho de tarefas cuja participação do trabalhador, seja em qual etapa for da criação, constitui algo fundamental para o melhor aproveitamento dos processos e produtos e possibilita abrir espaço para atividades que são significativas e cada vez mais valorizadas em termos de formação humana: atividades tais como tempo livre para a família, tempo para os filhos, para os cuidados com a saúde, tempo para a esposa, para o exercício físico ou para a reflexão intelectual ou espiritual. A isso damos o nome vida! É dessa maneira que atrelamos a significação ao Ócio decente e pretendido pela Estética da Sensibilidade- braço da Filosofia prática, a qual algumas empresas e grandes corporações já se deram conta da necessidade e dos resultados dessa prática.
A Estética da Sensibilidade é reflexo direto à contraposição a hegemonia dos padrões dos iguais em que a beleza do saber fazer é diluída no saber repetir, próprio do trabalho servil e escravatório.
Esses pressupostos estão internamente presentes no novo paradigma educacional do Brasil e fortemente arraigados na construção do texto das     Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Técnico, entretanto, pouco debatido no cotidiano até mesmo das escolas que consagram novas tecnologias profissionalizantes. Tecnologias essas, que precisa ter por principal objetivo facilitar o trabalho humano e oferecer novas metodologias para o melhor aproveitamento do tempo e melhorar a qualidade de vida.
Essa dimensão existe em potencial na modalidade de Ensino Técnico e, por consequência, no modelo pedagógico que contempla a Certificação por Competência, bem assim, também o reconhecimento do autodidatismo, da criatividade, da invencionice, da celebração de aferição de conhecimentos do estudante; do aproveitamento de disciplina, do exame de proficiência, da possibilidade de matrícula em série, módulos, ciclos, etapas ou em outra forma de organização pedagógica, sempre sem prejuízo para o aluno.
Essa reflexão pelo prisma da Filosofia é porque enquanto as ciências exatas, em geral, são particulares, ou seja, segmenta aspectos da realidade em detrimento de outras possibilidades de conhecimento, como por exemplo, através da reflexão abstrata, a Filosofia enxerga o conjunto e postula uma visão globalizante examinando os problemas também do todo para as partes, formando em sua totalidade uma análise rigorosa da realidade, pois na sua equação produz um elo de intercessão entre as partes que compõe o objeto.
Enquanto Filosofia, os objetos de interesse parte da natureza ao Ser. O Ser é equivalente a exprimir o fato de que determinada coisa existe, portanto, o objeto de seu interesse, é tudo! Assim, a Filosofia relaciona com o contexto da educação pretendida e é a maior referência do pretenso entendimento e exercício da interdisciplinaridade na educação contemporânea, mas não necessariamente a melhor, considerando se isso pode mesmo ser mensurado.


Profº Wilson Barbosa
Técnico em Assuntos Educacionais
IFTO - Instituto Federal do Tocantins
Campus Porto Nacional



[1] ALVES, W. B. O Iluminismo no Século XXI. Filosofia- Ciência & Vida ESPECIAL, Ed. Escala, 2007, Edição nº 5.

[2] Rousseau faz referência à criança e sua preparação para o futuro, no momento certo da vida.
[3]  http://www.planalto.gov.br/ccivil 03/ato2004-2006/2004/decreto/d5154.htm

[4]  http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/pceb20_05.pdf

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Por Wilson Alves

Uma Crítica às Diretrizes Ministeriais para a Educação Profissional no que Concerne ao Estágio Supervisionado

Com a expansão da Educação Profissional no Brasil, cujos objetivos fazem inferência a vários fatores imprescindíveis para a construção do conhecimento, para a promoção da cidadania, a emancipação do indivíduo e a formação para o trabalho, os apontamentos desde os Pareceres emanados pelo Ministério da Educação até os Avisos Ministeriais em geral, os quais tratam dos ditames envoltos a elementos precipuamente ligado as demandas de alocação do jovem e do adulto no mercado atual, faz-se preciso que as diretrizes que regulamentam os mais variados cursos oferecidos pelas instituições competentes nessa modalidade de ensino, em especial, os Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia, componham nas discussões e Planejamentos de Desenvolvimento Institucional, no Projeto Pedagógico da escola, uma abertura dialética para contemplar questões que vão além da visão da exigência de formação por área de competência, e ainda, elementos que transcendam a técnica, propriamente dito.
Dois avisos precisam estar presentes enquanto premissa básica para a boa formação do estagiário, as quais não estão claramente contempladas no conjunto das ações adotadas nos eixos norteadores legais.
A princípio, todos os esforços no sentido de alocar os alunos em empresas compatíveis com a formação do aluno, precisam antes, de um mapeamento singular junto aos pretensos estagiários, quando dos aspectos relacionado a malha intelectiva do aluno de modo que isso venha a significar uma leitura pormenorizada e criteriosa das suas habilidades extra-sala, das competências adquiridas na vida e no trabalho, mesmo que seja fruto do trabalho precoce que lamentavelmente ainda é realidade no  nosso país, bem como da aptidão imanente que a pessoa já trás em si devido a aspectos vocacionais, filosóficos ou ideológicos, compatibilizando com essa ou aquela empresa, instituição, setor de alocação.
 A idéia de aproximar a teoria à prática no tocante ao ensino técnico e educação em geral, é um avanço nos ideais da formação educacional brasileira, entretanto, a questão vai além. Com a presente tendência de alto nível de exigência das empresas que competem em um mercado cada vez mais exigente, espera-se na contrapartida da formação técnica estagiários altamente capacitados e, sobretudo, flexíveis para transitarem entre um posto de trabalho e outro, além da necessária capacidade de tomada de decisão no momento certo, na situação adequada. O problema ganha dimensões se não houver um trabalho de reconhecimento de talentos de modo a aferir um mínimo de compatibilidade entre o aluno A com a empresa X. Isso quer dizer na prática que há um risco iminente de ‘queima de talentos’ quando os alunos da formação técnica passam a ser vistos como números e não pessoas, assim, os responsáveis pela formação não vislumbram a subjetividade singular imposta pela própria natureza e tendem a não detectar  eventuais situações adversas ou irreconhecíveis quanto a lógica e a forma.
Buscar uma solução para esse problema parece algo possível se olharmos a gama de profissionais envolvidos no processo formativo do aluno, de modo particular, nas instituições supra citadas. O Pedagogo ou Orientador Educacional, o Assistente Social, o Assistente de Aluno, o Psicólogo e o Técnico em Assuntos Educacionais são pálidos exemplos para essa possibilidade.  A soma de talentos desses profissionais pode oferecer um leque de oportunidades para o reconhecimento de ações que minimizem riscos de estágios infrutíferos que só corroboram para possíveis frustrações e desencorajamento para a vida profissional do aluno, além do caráter de fracasso que será forjado à instituição que teoricamente tenha oferecido a formação.
A fragilidade é estancada quando ações no sentido de ajustar o que vem sendo discutido em termos de teoria x prática ganha a práxis de levar o aluno em direção às sensações – termo técnico para caracterizar o ajuste de conduta prática do aluno em face a execução do trabalho que envolve elementos práticos da especialidade da sua formação.
Essa discussão só faz sentido quando despertar o interesse da legislação a qual tem o poder legal para celar limítrofes e obrigatoriedades que evitem margem para interpretações antagônicas e erros de execução. A meu ver, é preciso partir de publicações legais para direcionar as instituições de ensino e encorajá-las a atuar no que é exigida pela Lei maior da Educação Nacional, a LDB. Esta, insistente para que sejam observadas todas as medidas de formação integral do aluno.
Enquanto sugestão, ofereço um roteiro sem igual que fomentou as idéias primárias que deram origem a essa crítica: a antiga PL 1.603/96; a Lei 9.394/96; Decreto 2.208/97; Decreto 5.154/04 e, sobretudo, o Parecer do CNE/CEB Nº 16/99.
Um afetuoso abraço a todos,

Profº Wilson Barbosa
Técnico em Assuntos Educacionais
IFTO - Instituto Federal do Tocantins
Campus Porto Nacional


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Por Wilson Alves

Cursos Técnicos Médio e Pós-Médio: Novos Rumos, Nova História.



Os cursos técnicos, em geral, surgiram no Brasil a fim de atender uma demanda do mercado e do capital, tão somente preocupado em responder aos anseios da elite detentora da relação de  poder nas cidades. Disso depreende-se que o formato desse ensino de caráter vinclulado a operacionalização não era propositadamente endereçado àqueles que vinham das classes privilegiadas, antes, àqueles filhos de trabalhadores pobres, sem esperança no futuro, de alma ferida e de caráter forjado pelo impulso do aliciamento psicológico o qual os tornaram cônscios de que os seus papéis era oferecer o trabalho da produção em série e segmentada para alimentar os propósitos e a ambição das castas dominantes.
A imblemática de ensino técnico fortemente marcada pela dicotomia entre ensino propedêutico voltado exlusivamente às artes, a cultura e ao universo intelectual e político, foi absolvida por um novo ethos cultural que se sedimenta em valores que, nos dias atuais, ganham dimensões totalmente inovadoras e perspectivas antes inimagináveis. Precedido por uma economia globalizante e uma política democrática dos saberes práticos, observca-se a aproximação entre a teoria e a prática, tendo por base referencial, uma ação a qual admite que ambas não concorrem entre si, mas complementam-se na construção do conhecimento.

Atualmente no Brasil, o ensino técnico profissionalizante em nível médio, pós-médio e concomitante constitui em marco revolucionário e histórico ora implantado especialmente nos Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia, de modo a reparar parte de uma dívida desde os tempos remotos quando a retalhação e a segregação sob essa modalidade de ensino imperava, além disso, nos limítrofes do início do século XXI essa modalidade de educação fomenta a  mão de obra qualificada para atender as necessidades de produção estritamente relacionada a economia, a política, a indústria, enfim, a vida social como um todo. 

Por conseguinte, o fato de que a educação técnica tem entre os seus objetivos a manutenção do mercado, é também agregado entre os valores que a compõe, a formação crítico-social do profissional, entendendo por isso,  a presença de valores que sustentam o processo de autonomia da pessoa humana, resguardando-a de toda e qualquer forma de prosetilismo dominante de classes opressoras. Assim, a educação técnica sustenta em seu eixo norteador valores que consagram o processo de formação relacionando-o a uma co-participação na formação da política de desenvolvimento sustentável, algo que está em franco questionamento e discussão nas mais distintas forças sociais, marcando o final do século XX e agora o início do século XXI como principais responsáveis pelos efeitos positivos e/ou negativos da produção industrial. 

Com tudo isso, há pouca ou nenhuma diferença entre o ensino propedêutico voltado às profissões revestidas da hermenêutica, comparado àquelas que contróem, criam, renovam, inovam ou modificam o processo de produção: as Profissões Técnicas. Essa última, transforma-se em instrumentos que insere as pessoas no mercado de trabalho e na vida social e política de seu tempo, pois, a produção contemporânea não é entendida no sentido da dicotomia segmentada do passado, mas é enriquecida com a evolução do status da consciência global que responsabiliza o processo de criação à representação simbólica das demandas sociais as quais ele mesmo ( o técnico) é consumidor.
Com o viés da proposta do pensamento crítico, a formação técnica de nível médio ou pós médio constitui um manancial de operações lógicas humanizantes, distante do cartesianismo representado e arquivado nas enciclopédias do Brasil do século passado.

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Wilson Barbosa
Técnico em Assuntos Educacionais
IFTO- Instituto Federal do Tocantins 
Campus Porto Nacional.

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