sexta-feira, 1 de junho de 2012

Por Wilson Barbosa


PÓS ESTÁGIO
ENCAMINHAMENTOS ACERCA DA INSERÇÃO DO TÉCNICO NO MUNDO DO TRABALHO

Quer arranjar emprego? Cuide antes de alguns encaminhamentos teóricos e práticos fundamentais para a efetiva inserção no mundo do trabalho, segundo informes aqui propostos. As premissas e conceitos apresentados nesse artigo, em geral, são universais, mas há direcionamento e ênfase ao concluinte do curso de nível técnico concomitante ou subseqüente ao ensino médio.

Um levantamento rápido pela internet revela a expressividade e a ascensão desse nível/modalidade de estudos, o curso técnico-profissional. Além disso, sinaliza especificamente para alguns cursos em alta e outros que são bastante promissores. Em termos de país, setores que prometem absorver extensa mão de obra técnica, revelam-se nas indústrias de Petróleo e Gás, Companhias de Açúcar e Álcool, como é  realidade no Centro-Oeste, além da demanda na Construção Civil em todo o Brasil.

Com isso, acresça-se que com a economia elevada, as classes C e D começaram a viajar mais pelo país, movimentando consideravelmente o setor de Turismo.  Com o turismo efervescente, há a busca por profissionais em diversas áreas, desde serviços temporários como locutores lojistas e telemarketing nos grandes centros e em cidades turísticas, até profissionais formais da Comunicação e Marketing.

Nem precisa ser especialista para saber que o salário do jovem detentor de um diploma de curso técnico é maior do que aqueles que iniciam a vida profissional sem um curso profissionalizante. Outro dado revelador, é que no Brasil, 70% dos formados em cursos técnicos conseguem emprego na área[1]. Colocado no gerúndio, perguntaríamos: seria esse o percentual de contratação para àqueles que concluem cursos no nível superior? Portanto, como a resposta já está implícita na pergunta, conclui-se que as perspectivas não poderiam ser melhores para os técnicos formados.

Para o MEC, há ainda as áreas pelas quais as empresas estão ávidas por profissionais formados: biocombustíveis, radiologia, cozinha, edificações, mecatrônica. Ainda, áreas ligadas à ecologia, a informática e a multimídia.

Hoje, grandes corporações tratam os aspectos relacionados aos colaboradores de modo orgânico, pautados em ferramentas de produtividade, economicidade e empreendedorismo. Tudo isso são características que as empresas buscam no colaborador, e em contrapartida, sedimentam uma política clara e objetiva que permite a retenção e a ascensão profissional de seu pessoal.

Dá-se destaque ao substantivo ‘retenção’, porque no contexto trabalhado, o entendimento subjacente da palavra retenção indica maior estabilidade no serviço - caminho oposto, ao que se presencia atualmente no cenário europeu, incluindo grandes potências como a Rússia e a Inglaterra; assim como Itália, França e Espanha, até mesmo a Alemanha que é líder na economia européia, não está imune à queda da economia. Abalados com a crise na Grécia, esses países estão com sérios problemas de empregabilidade. O objetivo de citar os problemas externos não constitui uma tentativa de consternar o jovem brasileiro, mas levá-lo à reflexão quanto à valorização das oportunidades de ingresso e desenvolvimento da carreira, exigindo, apenas, seriedade, comprometimento, muito estudo e capacitação contínua.

No Brasil vivemos um período histórico. As empresas brasileiras ou as multinacionais presentes no país procuram maximizar todos os recursos disponíveis para evitar o turnover, palavra inglesa que define rotatividade entre funcionários, algo que cada vez mais vem sendo indesejável nas corporações [CLIQUE AQUI], e isso é reflexo direto do crescimento da economia que impulsiona as empresas a terem pessoal treinado e capacitado, resultando diretamente no investimento em pessoas. Na prática, o Brasil é o país do momento!

Esses são os informes iniciais, outros, tão ou mais importantes, devem partir da própria pessoa que se propõe a qualificar (e deve se qualificar) como contrapartida devida e esperada de um profissional técnico, ao comprometer-se no trabalho com o fazer bem feito; com o desenvolvimento da capacidade do trabalho em equipe; com o aprendizado legítimo que busca os melhores meios para atingir os fins desejados. 

Para isso, não basta ser proprietário de um certificado ou diploma de técnico em alguma coisa. Ser profissional transcende as especializações enquanto forma, vai à sensibilidade e à técnica. É daí que nasce a reflexão entre ensino e prática como práxis inseparáveis, porque na medida em que se exercitam os fluxos dos dados teóricos, fomentam-se também os dados epistemológicos[2] e por conseqüência os modos cognitivos[3], concomitantemente fazendo na prática o que se aprende em teoria.

Nesse ínterim, reforça-se ainda a necessidade do aprendizado e do exercício da ética no trabalho, dos valores fundamentais que alicerçam uma sociedade organizada onde deve ser primado o espírito da solidariedade, compreendendo com isso o sentido de se trabalhar com vistas a produtos e serviços bem feitos. E mais, paralelamente na construção de produtos e serviços, pautar-se n’uma visão holística que enfatize com prioridade a necessidade urgente de preservação do meio ambiente e a sustentabilidade. Essa perspectiva remonta interesses e necessidades já a nível planetário, a qual passa a ser determinante para a manutenção da vida, portanto, objeto de responsabilidade das empresas e de todos nós.

Nesse viés, todo e qualquer empreendedor que esteja vinculando sua produção ao lucro, sem atentar às causas de respeito aos recursos naturais, está antecipando o próprio fracasso. Notadamente, nos fóruns mundiais não vem se encontrando ponto de consenso sob o problema. O que resta, são as manifestações e críticas de alguns grupos de pessoas, ONGs e organizações envoltas à questão, as quais não cessam de reivindicar por, no mínimo, patamares toleráveis na exploração dos recursos naturais em prol da sustentabilidade. Se seguindo a linha do capitalismo excêntrico, esses são conceitos surreais, mas a verdade é que são fatos que vão sendo incorporados ao imaginário coletivo e posteriormente materializados em ideais educacionais, aglutinados em fóruns mundiais, acordos internacionais; Projetos de Lei, e também em Leis, propriamente ditas.

Uma leitura desinteressada não enxerga as similaridades de contexto: Sustentabilidade >> Formação Técnica >> Produção Ética. As nomenclaturas não são determinantes, mas as gêneses das questões em si, são. Isso implica que não há mais dissociabilidade entre esses temas. De agora em diante, estarão todos a um serviço: a promoção da qualidade de vida. É necessário que haja uma visão holística a despeito de um mundo em que se privilegie o ser em detrimento do produto a alto preço da natureza. E nesse sentido, desde as grandes corporações como a micro e a pequena empresa tem um mesmo papel: o papel da responsabilidade da produção limpa. 

Assim também deve ser o técnico formado o qual deve, em sua formação, coadunar a seus conhecimentos esses preceitos no desenvolvimento do trabalho, nos próprios propósitos e aspirações, e bem assim, na sua visão de mundo.
Até a próxima!

Profº Wilson Barbosa
-Filósofo Clínico e
-Técnico em Assuntos Educacionais
-IFTO – Instituto Federal do Tocantins
-Campus Porto Nacional.




[1] disponível em http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2011/01/curso-de-nivel-tecnico-garante-70-de-contratacao-ao-disputar-vaga.html
[2] Epistemologia: modo de conhecer as coisas; modo de investigação.
[3] Cognição: relativo a processos de aprendizado.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Por Wilson Barbosa


1º DE MAIO
PARA CONTRARIAR AS BASES DO OTIMISMO


Brasil, país que exibe ao mundo a tomada da sexta economia na escala global, mas que exibe também uma posição expressiva no ranking de descaso do principal “patrimônio imaterial” de qualquer das nações. A educação.
Forjando-a aos guetos do obscurantismo intelectual e consolidando uma estrutura para transeuntes em direção à miséria social por falta de ações efetivas, o desenvolvimento educacional brasileiro caminha aquém em termos de investimento do PIB quando comparado a vários países da América Latina, influenciando decisões políticas, sociais, profissionais e demais esferas que juntas, alicerçam um país.
Em Brasília, imperativo e suntuoso, o símbolo ‘cego’ do Direito ornamenta a entrada do STF, ao passo em que a representatividade de sua pretensa isonomia dá conta do contrário. Os números incontáveis de processos que deveriam protagonizar agilidade se arrastam por anos e, em alguns casos, durante toda uma vida. O respeito à rés–pública vai à contramão do ideal de Justiça Cega.
Com um sistema arcaico, precipitando à falência e inconciliável com a realidade e as necessidades urgentes de toda a sociedade, o judiciário brasileiro não consegue dar conta nem da demanda de trabalho que lhe é atribuída, nem prima pela justiça como deveria, tendo por base o palco político em que assistimos o teatro da mentira e da corrupção a toda hora. Por meio de brechas constitucionais, caras empresas advocatícias são contratadas arrolando sentenças e juízos de toda ordem. Das locuções dos magistrados brasileiros é percebido o descaso generalizado em face de amontoarem processos que deveriam ser prioritárias para o país. Será que algum leitor tem dúvidas a respeito dos resultados dos despachos morosos ou tendenciosos no senado brasileiro? A maioria das PLs em instância de aprovação dá prova da investida dessa projeção!
Educação
Ao olhar o desenvolvimento da história da educação brasileira, desde o início da república, há um retrocesso na formação crítico-social dos educandos. Enquanto filósofo e educador, pode parecer mesmice dizer que a educação vai mal, porque o governo não quer gente que fale, critique e se expresse, portanto, sendo apenas pragmático no raciocínio, chegamos à mesma expressão, via matemática simbólica. Em proporção, temos hoje um maior número de pessoas ignorantes do que início da república, se considerar que há duas (eu disse duas) vezes mais pessoas privadas de saber ler do que no ano da Proclamação[1]. Nossas Universidades, em quase todos os Estados da Federação são sucateadas. As federais, além de mal equipadas, carecem de reestruturação desde equipamentos técnicos e tecnológicos até material humano, patrimônio imprescindível para reverter o quadro precário na produção científica, por exemplo. As Universidades não têm amparo econômico condizente com as necessidades, inviabilizando a pesquisa e a extensão. Desse jeito, não tem sentido de ser.
Nessa mesma linha, pondera-se a equação da formação profissional em áreas tais como as das engenharias, da contabilidade, da biologia, outras. Sem contar com a falta de poder de reação dos sindicatos representativos de classe, frente às necessidades gerais e imediatas as quais urge serem enfrentadas, debatidas e priorizadas conforme demanda, a fim de alcançar conquistas justas para o setor, bem como corroborar de modo efetivo para o desenvolvimento de planos de carreiras afinados às necessidades, além de perspectivas objetivas de desenvolvimento profissional para técnicos educacionais e professores. Essa é uma das urgências dentre outras.
Ainda em Educação, para não atermos apenas na questão das políticas educacionais, toda a comunidade acadêmica desde técnicos a docentes, em 2012 acumula defasagem salarial de anos, além da falta de reposição às perdas inflacionárias de 2011 e 2010, as quais pesaram tanto sob a remuneração do trabalhador da educação em todas as instâncias: federal, estadual e municipal, que literalmente suprimiu o poder de compra desses trabalhadores.
Medidas Profiláticas 
Relativo aos modernos Institutos Federais de Ciência e Tecnologia que se faz guia de esperança para um novo fôlego da educação profissional, de modo particular no âmbito do Ensino Médio, o qual por décadas foi gargalo de problemas consoante as diretrizes básicas para essa etapa de ensino, uma vez que o jovem egresso do antigo ensino de segundo grau nem obtinha formação técnica de qualidade nos moldes de cursos que pretensamente atrelava educação geral com educação profissionalizante, tampouco recebia formação geral que verdadeiramente preparava para avanços no ensino superior, e mais, sofrendo ainda com redução da carga horária em disciplinas fundamentais.
Hoje o cenário é outro, porque há distinção das diretrizes próprias da formação geral e diretrizes objetivas da formação técnica-profissionalizante, o que expressa avanços para ambas. Todavia, o governo federal ainda não se deu conta que para a tríade do processo - Formação X Educador X Aluno, a necessidade de investimento em termos técnicos e salariais é tão importante quanto qualquer outra medida acauteladora a fim de assegurar o desenvolvimento sócio-econômico do país.
Especificamente em 2012, diga-se ao público leigo, não houve espaço para negociação com o funcionalismo público federal vinculado a educação, reservando para o problema, não mais do que discussões vazias e protelatórias, sujeitando os profissionais a recorrerem à única alternativa possível prevista em Lei, o direito de deflagração de greve.
Com respeito ao princípio da publicidade, importa registrar que a título de exemplo, o Técnico Administrativo em Educação, tem hoje, o menor subsídio quando comparado com Técnicos vinculados a outros Poderes.
Revestido de critérios legais, porém em desarmonia e desacordo com a implementação da isonomia prevista constitucionalmente no § 4º do Artigo 40 da Lei 8112/90, a qual regulamenta direitos e deveres do servidor público federal, o governo protela as negociações e não cumpre acordos já traçados e acordados anteriormente. Quanto a Lei, ressalta-se: “é assegurada a isonomia de vencimentos para cargos de atribuições iguais ou assemelhadas do mesmo Poder, ou entre servidores dos três Poderes, ressalvadas as vantagens de caráter individual e as relativas à natureza ou ao local de trabalho”. Se existem proventos diferenciados, excluindo as de caráter pessoal ou de local de trabalho, contrapõe nitidamente a ideia de isonomia, sem outras interpretações.
Realidade
A sexta economia do mundo tem atraído imigrantes das mais diversas partes do mundo devido ao crescimento da economia, algo que é motivo de louvor, contudo, a sexta economia do mundo não cumpre com o dever de casa quando o assunto é educação, não proporcionando investimentos que façam jus para manter nos anos vindouros o mesmo crescimento econômico.
No Brasil, no interior das escolas públicas dos Estados e Municípios, professores são agredidos dentro da sala de aula de norte a sul, fato absurdo e inadmissível. Fica a pergunta para outra reflexão: esse é o caminho proposto para o entendimento do que se espera por emancipação do indivíduo? Certamente que não. Isso somado a desvalorização do profissional, ocasiona o abandono da profissão, agravando a situação. Prova disso é a falta de professores de biologia e matemática, objeto de preocupação constante do MEC.
Não há a pretensão de defender intrinsecamente no texto um projeto pedagógico nos moldes da educação tradicional, crítica, libertadora ou qualquer outra postura pedagógica já registrada em enciclopédias de papel ou digital, como nas Wikis contemporâneas, mas é preciso discutir o contexto em que a educação vem caminhando a muito tempo, instigando agora para o exílio em massa de professores para outras profissões e perpetuando a situação de abandono em que se encontram as escolas, generalizando o descaso e a desvalorização da comunidade escolar, sem mencionar, em particular, as carências latentes do ensino fundamental, patamar base para os demais níveis. 
Na prática, são LI (Laboratórios de Informática) usados como marketing de investimentos em educação, ao passo que governos estaduais, como é o caso do atual governo de Goiás, que toma do pouco salário do professor qualquer tipo de gratificação, não importando, em última análise, que ele deva qualificar-se para prestar um serviço decente para alunos e sociedade, tampouco respeita anos de trabalho que os profissionais tiveram para capacitarem, muitas vezes com recursos próprios em pós-graduação e cursos de aperfeiçoamento, a fim de tentarem garantir ensino de qualidade e por outro lado minimizar efeitos de uma aposentadoria precária.
Nossa história dá conta de que por falta de investimentos decentes em aperfeiçoamento e pesquisas acadêmicas, ficamos com o título de melhor futebol, melhor música sertaneja e o melhor samba - mas perdemos as melhores mentes pensantes para o resto do mundo. O resultado disso é o baixo número de pesquisadores, pouco investimento governamental nas próprias pesquisas científicas em si; falta de aporte de empresas parceiras que custeiem, patrocinem e fomentem pesquisas direcionadas no interior das universidades, evidenciando os motivos da baixa produção acadêmica em geral, explodindo no câncer do torpor e da inércia intelectual, resultando também na perda de patentes em potencial, que são trabalhadas, desenvolvidas e aproveitadas em outros países a partir do trabalho de pesquisadores brasileiros, ao contrário de exemplos como o que fica subentendido na fala que atribui-se a Golda Meir,  ex-primeira-ministra de Israel: “Felizmente, não temos petróleo, por isso somos obrigados a desenvolver nossa maior fonte de energia: o cérebro de nosso povo”².
Conviver com a desonestidade e com a corrupção tem sido um paralelo constante à sexta economia do mundo. Então indagamos: como compreender a sexta economia do mundo em pleno século XXI ainda ter cidades em que corre esgoto a céu aberto; como entender a sexta economia do mundo convivendo paralelamente com salários gigantescos no setor político em Brasília e ao mesmo tempo com a situação do trabalho escravo no interior do país? Não merece sorrisos também, saber que há um número enorme de ingressados na educação, mas que tendem a tornarem-se analfabeto-letrados que não se envolvem politicamente com a sua comunidade, sua cidade, seu país.  Se há dúvidas dessa afirmação, é preciso antes fazer entender os motivos da falta de compromisso do Estado democrático de direito com a formação sociológica da juventude que só a poucos anos conquistou o direito de pensar filosoficamente na escola, um tanto a contragosto de uma parcela resistente em incluir a Filosofia e a Sociologia como obrigatoriedade de oferta na educação pública brasileira.
Esse estancamento generalizado do desenvolvimento crítico e social presente na sexta economia do mundo, entremeado ao contexto do atual desenvolvimento econômico constitui paradoxos e incertezas.  Como conviver com tais realidades?
Para não finalizar e contrariando o otimismo, o Brasil já ao fim desse artigo de opinião, segundo previsão do FMI, deverá perder o posto de sexta economia mundial para o Reino Unido que pode chegar ao PIB de US$ 2, 452 trilhões ainda esse ano.
Nessa nossa data, um forte abraço a todas e todos os trabalhadores, 

Profº Wilson Barbosa
Técnico em Assuntos Educacionais
IFTO – Instituto Federal do Tocantins
Campus Porto Nacional.

[1]  disponível em www.cristovam.org
[2] BUARQUE, Cristovam. Revolução Republicana na Educação: Ensino de Qualidade para Todos Ed. Moderna, 2011. 142p.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Por Wilson Barbosa

 
Reflexão Filosófica sob Certificação por Competência nos Cursos Técnicos

 PERSPECTIVA INTERDISCIPLINAR

Em artigo que publiquei ainda no ano de 1997 para a Revista  Filosofia- Ciência & Vida, Editora Escala, edição especial daquele mês[1], o assunto foi tratar “O Iluminismo no Século XXI”. Considerei como principal protagonista para o texto, Jean-Jacques Rousseau - Filósofo Iluminista do Século XVIII.
Agora, nesse artigo, para fomentar o intrigado raciocínio acerca da Certificação por Competência dentro de uma perspectiva também da interdisciplinaridade, retomo outra vez o Filósofo, a partir da base de seu pensamento efervescente em prol da necessidade de preparar o educando para o futuro. Isso porque, segundo a perspectiva do Pensador em sua obra O Emílio[2], o aluno tem uma enorme potencialidade não aproveitada imediatamente.
Praticamente em toda a história da Filosofia houve pensadores que debruçaram contra toda forma de opressão, do poder autoritário que subjuga o outro para o domínio próprio; do maniqueísmo assassino que usurpa o direito à liberdade. Vários fenômenos dessa natureza tem pano de fundo no momento da história quando alguém cercou um lugar e disse: “isto é meu”. Esse é também o início da privatização da propriedade! Mas é também assunto para outro artigo.
Retomando o tema, nos dias atuais, pouco ou nada se compreende a respeito do Ócio em seu sentido legítimo,  confundindo-o quase sempre com o ócio da aristocracia, daí o interesse em envolver essa significação aos aspectos do potencial estanque do educando que, especificamente, na modalidade de ensino dos cursos técnicos, o qual, conforme legislação vigente pode ser diminuído em termos de tempo da duração do curso por meio da Certificação por Competência, algo devidamente amparado pelo Decreto 5.154[3] de Julho de 2004, além de outras possibilidades que também encaminham à conclusão de cursos em menor tempo, desde que diretamente relacionados com o perfil profissional de conclusão da respectiva qualificação.
Aproveitamento Imediato: Certificação por Competência
É presumido que há entranhados no entendimento do que diz o Decreto, que a Certificação por Competência seja mais uma manobra política que o governo instaura para oferecer uma resposta rápida à demanda necessária para suprimento da falta de mão de obra especializada para o trabalho, algo possível, mas não reduz a isso.
A verdade que precisa ser entendida é que não é mais possível tolerar o não aproveitamento de experiências profissionais anteriores que a pessoa, jovem ou adulto, adquire no decorrer da vida. Pesquisas nesse sentido demonstram que não são poucas.
A Certificação por Competência é um instrumento legal que tem por objetivo ampliar as possibilidades do jovem em utilizar dos seus conhecimentos profissionais a priori a sua formação técnica, sem prejuízo da qualidade, por isso, a aferição do saber adquirido em situações e experiências anteriores faculta-lhe o direito de conclusão abreviada, sem contar com as possibilidades, quando o curso for estruturado e organizado em etapas com terminalidade - saídas intermediárias que possibilitam a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho, após conclusão com aproveitamento. Na prática, é uma legitimação em essência aos ensaios pedagógicos rousserianos que torna o aluno auto-suficiente.
Mas ao contextualizar para a realidade do Século XXI, é sabido que é prematuro orientar as escolas que simplesmente alterem seus projetos pedagógicos com efeito de anuência a esse aproveitamento, porque as próprias normatizações sobre o assunto ainda são pouco debatidas e devidamente elencadas, justificando esforços para que haja sólidos estudos que fortaleçam os parâmetros de metodologias e avaliações para os diversos perfis profissionais, uma vez que a responsabilidade passa a ser da escola que avalia, reconhece e certifica o aluno.
Superada a questão, com a saída intermediária, o aluno logra êxito em se tratando da rápida inserção no trabalho, permitindo o curso de módulos com conclusão, fazendo jus ao final dos módulos, à diplomação. Outro aspecto positivo é que com a iniciativa dessa modalidade de certificação fica garantido o segmento de estudos em nível superior, e mais, com pouco ou nenhum comprometimento no orçamento familiar, uma vez que oportuniza ao técnico a remuneração condigna pelo seu ofício porque ele estará apto a inserir-se no mundo do trabalho[4].
Na perspectiva filosófica, a profissionalização técnica por meio do imediato aproveitamento dos talentos já adquiridos anteriormente pela pessoa e toda a estrutura organizacional que envolve essa modalidade de qualificação, ganha dimensões que até poucos anos era algo inimaginável no cenário brasileiro, existindo apenas nas ilusões e na utopia de alguns pensadores interessados em ciências sociais.
O Ócio como Expressão da Liberdade
O Ócio na perspectiva proposta, é algo decorrente da boa utilização do tempo, da otimização de todos os recursos disponíveis para a consecução dos trabalhos, da produtividade que seja resultante da necessidade, algo que é idéia embrionária do empreendedorismo utilitário. Esse empreendedorismo utilitário tem alguns aspectos que assemelham o modo toyotista o qual o trabalhador é consciente de todo o processo da produção e nunca relegado ao trabalho segmentado onde jamais há a oportunidade de conhecer todas as dimensões da produção industrial; dos projetos que resultam em comercialização de bens; da participação nos lucros.
Não obstante, várias vezes no meio profissional o trabalhador conta com um tipo de ambiente de trabalho hostil, inóspito ou insalubre agravando sensivelmente a sua condição física e intelectual, criando uma situação de tédio e muitas vezes apatia por ações repetitivas e rotineiras, que não oferecem  a oportunidade de criar ou pensar o processo decisório. É contrariando essa formação absurda e intolerável que o modelo de formação técnica para o jovem brasileiro vem ganhando novo espaço no cenário das empresas internas e em outros países. É a refutação da projeção desse caos que a concepção da educação contemporânea, com respaldo nas Diretrizes da Educação Nacional, contrapõe o cerceamento intelectual da pessoa que se impõe com a hermenêutica travestida de “foco na produtividade”.
O fato real é que o aprendizado que liberta o ser humano para a criatividade, para o desempenho de tarefas cuja participação do trabalhador, seja em qual etapa for da criação, constitui algo fundamental para o melhor aproveitamento dos processos e produtos e possibilita abrir espaço para atividades que são significativas e cada vez mais valorizadas em termos de formação humana: atividades tais como tempo livre para a família, tempo para os filhos, para os cuidados com a saúde, tempo para a esposa, para o exercício físico ou para a reflexão intelectual ou espiritual. A isso damos o nome vida! É dessa maneira que atrelamos a significação ao Ócio decente e pretendido pela Estética da Sensibilidade- braço da Filosofia prática, a qual algumas empresas e grandes corporações já se deram conta da necessidade e dos resultados dessa prática.
A Estética da Sensibilidade é reflexo direto à contraposição a hegemonia dos padrões dos iguais em que a beleza do saber fazer é diluída no saber repetir, próprio do trabalho servil e escravatório.
Esses pressupostos estão internamente presentes no novo paradigma educacional do Brasil e fortemente arraigados na construção do texto das     Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Técnico, entretanto, pouco debatido no cotidiano até mesmo das escolas que consagram novas tecnologias profissionalizantes. Tecnologias essas, que precisa ter por principal objetivo facilitar o trabalho humano e oferecer novas metodologias para o melhor aproveitamento do tempo e melhorar a qualidade de vida.
Essa dimensão existe em potencial na modalidade de Ensino Técnico e, por consequência, no modelo pedagógico que contempla a Certificação por Competência, bem assim, também o reconhecimento do autodidatismo, da criatividade, da invencionice, da celebração de aferição de conhecimentos do estudante; do aproveitamento de disciplina, do exame de proficiência, da possibilidade de matrícula em série, módulos, ciclos, etapas ou em outra forma de organização pedagógica, sempre sem prejuízo para o aluno.
Essa reflexão pelo prisma da Filosofia é porque enquanto as ciências exatas, em geral, são particulares, ou seja, segmenta aspectos da realidade em detrimento de outras possibilidades de conhecimento, como por exemplo, através da reflexão abstrata, a Filosofia enxerga o conjunto e postula uma visão globalizante examinando os problemas também do todo para as partes, formando em sua totalidade uma análise rigorosa da realidade, pois na sua equação produz um elo de intercessão entre as partes que compõe o objeto.
Enquanto Filosofia, os objetos de interesse parte da natureza ao Ser. O Ser é equivalente a exprimir o fato de que determinada coisa existe, portanto, o objeto de seu interesse, é tudo! Assim, a Filosofia relaciona com o contexto da educação pretendida e é a maior referência do pretenso entendimento e exercício da interdisciplinaridade na educação contemporânea, mas não necessariamente a melhor, considerando se isso pode mesmo ser mensurado.


Profº Wilson Barbosa
Técnico em Assuntos Educacionais
IFTO - Instituto Federal do Tocantins
Campus Porto Nacional



[1] ALVES, W. B. O Iluminismo no Século XXI. Filosofia- Ciência & Vida ESPECIAL, Ed. Escala, 2007, Edição nº 5.

[2] Rousseau faz referência à criança e sua preparação para o futuro, no momento certo da vida.
[3]  http://www.planalto.gov.br/ccivil 03/ato2004-2006/2004/decreto/d5154.htm

[4]  http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/pceb20_05.pdf

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Por Wilson Alves

Uma Crítica às Diretrizes Ministeriais para a Educação Profissional no que Concerne ao Estágio Supervisionado

Com a expansão da Educação Profissional no Brasil, cujos objetivos fazem inferência a vários fatores imprescindíveis para a construção do conhecimento, para a promoção da cidadania, a emancipação do indivíduo e a formação para o trabalho, os apontamentos desde os Pareceres emanados pelo Ministério da Educação até os Avisos Ministeriais em geral, os quais tratam dos ditames envoltos a elementos precipuamente ligado as demandas de alocação do jovem e do adulto no mercado atual, faz-se preciso que as diretrizes que regulamentam os mais variados cursos oferecidos pelas instituições competentes nessa modalidade de ensino, em especial, os Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia, componham nas discussões e Planejamentos de Desenvolvimento Institucional, no Projeto Pedagógico da escola, uma abertura dialética para contemplar questões que vão além da visão da exigência de formação por área de competência, e ainda, elementos que transcendam a técnica, propriamente dito.
Dois avisos precisam estar presentes enquanto premissa básica para a boa formação do estagiário, as quais não estão claramente contempladas no conjunto das ações adotadas nos eixos norteadores legais.
A princípio, todos os esforços no sentido de alocar os alunos em empresas compatíveis com a formação do aluno, precisam antes, de um mapeamento singular junto aos pretensos estagiários, quando dos aspectos relacionado a malha intelectiva do aluno de modo que isso venha a significar uma leitura pormenorizada e criteriosa das suas habilidades extra-sala, das competências adquiridas na vida e no trabalho, mesmo que seja fruto do trabalho precoce que lamentavelmente ainda é realidade no  nosso país, bem como da aptidão imanente que a pessoa já trás em si devido a aspectos vocacionais, filosóficos ou ideológicos, compatibilizando com essa ou aquela empresa, instituição, setor de alocação.
 A idéia de aproximar a teoria à prática no tocante ao ensino técnico e educação em geral, é um avanço nos ideais da formação educacional brasileira, entretanto, a questão vai além. Com a presente tendência de alto nível de exigência das empresas que competem em um mercado cada vez mais exigente, espera-se na contrapartida da formação técnica estagiários altamente capacitados e, sobretudo, flexíveis para transitarem entre um posto de trabalho e outro, além da necessária capacidade de tomada de decisão no momento certo, na situação adequada. O problema ganha dimensões se não houver um trabalho de reconhecimento de talentos de modo a aferir um mínimo de compatibilidade entre o aluno A com a empresa X. Isso quer dizer na prática que há um risco iminente de ‘queima de talentos’ quando os alunos da formação técnica passam a ser vistos como números e não pessoas, assim, os responsáveis pela formação não vislumbram a subjetividade singular imposta pela própria natureza e tendem a não detectar  eventuais situações adversas ou irreconhecíveis quanto a lógica e a forma.
Buscar uma solução para esse problema parece algo possível se olharmos a gama de profissionais envolvidos no processo formativo do aluno, de modo particular, nas instituições supra citadas. O Pedagogo ou Orientador Educacional, o Assistente Social, o Assistente de Aluno, o Psicólogo e o Técnico em Assuntos Educacionais são pálidos exemplos para essa possibilidade.  A soma de talentos desses profissionais pode oferecer um leque de oportunidades para o reconhecimento de ações que minimizem riscos de estágios infrutíferos que só corroboram para possíveis frustrações e desencorajamento para a vida profissional do aluno, além do caráter de fracasso que será forjado à instituição que teoricamente tenha oferecido a formação.
A fragilidade é estancada quando ações no sentido de ajustar o que vem sendo discutido em termos de teoria x prática ganha a práxis de levar o aluno em direção às sensações – termo técnico para caracterizar o ajuste de conduta prática do aluno em face a execução do trabalho que envolve elementos práticos da especialidade da sua formação.
Essa discussão só faz sentido quando despertar o interesse da legislação a qual tem o poder legal para celar limítrofes e obrigatoriedades que evitem margem para interpretações antagônicas e erros de execução. A meu ver, é preciso partir de publicações legais para direcionar as instituições de ensino e encorajá-las a atuar no que é exigida pela Lei maior da Educação Nacional, a LDB. Esta, insistente para que sejam observadas todas as medidas de formação integral do aluno.
Enquanto sugestão, ofereço um roteiro sem igual que fomentou as idéias primárias que deram origem a essa crítica: a antiga PL 1.603/96; a Lei 9.394/96; Decreto 2.208/97; Decreto 5.154/04 e, sobretudo, o Parecer do CNE/CEB Nº 16/99.
Um afetuoso abraço a todos,

Profº Wilson Barbosa
Técnico em Assuntos Educacionais
IFTO - Instituto Federal do Tocantins
Campus Porto Nacional


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Por Wilson Alves

Cursos Técnicos Médio e Pós-Médio: Novos Rumos, Nova História.



Os cursos técnicos, em geral, surgiram no Brasil a fim de atender uma demanda do mercado e do capital, tão somente preocupado em responder aos anseios da elite detentora da relação de  poder nas cidades. Disso depreende-se que o formato desse ensino de caráter vinclulado a operacionalização não era propositadamente endereçado àqueles que vinham das classes privilegiadas, antes, àqueles filhos de trabalhadores pobres, sem esperança no futuro, de alma ferida e de caráter forjado pelo impulso do aliciamento psicológico o qual os tornaram cônscios de que os seus papéis era oferecer o trabalho da produção em série e segmentada para alimentar os propósitos e a ambição das castas dominantes.
A imblemática de ensino técnico fortemente marcada pela dicotomia entre ensino propedêutico voltado exlusivamente às artes, a cultura e ao universo intelectual e político, foi absolvida por um novo ethos cultural que se sedimenta em valores que, nos dias atuais, ganham dimensões totalmente inovadoras e perspectivas antes inimagináveis. Precedido por uma economia globalizante e uma política democrática dos saberes práticos, observca-se a aproximação entre a teoria e a prática, tendo por base referencial, uma ação a qual admite que ambas não concorrem entre si, mas complementam-se na construção do conhecimento.

Atualmente no Brasil, o ensino técnico profissionalizante em nível médio, pós-médio e concomitante constitui em marco revolucionário e histórico ora implantado especialmente nos Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia, de modo a reparar parte de uma dívida desde os tempos remotos quando a retalhação e a segregação sob essa modalidade de ensino imperava, além disso, nos limítrofes do início do século XXI essa modalidade de educação fomenta a  mão de obra qualificada para atender as necessidades de produção estritamente relacionada a economia, a política, a indústria, enfim, a vida social como um todo. 

Por conseguinte, o fato de que a educação técnica tem entre os seus objetivos a manutenção do mercado, é também agregado entre os valores que a compõe, a formação crítico-social do profissional, entendendo por isso,  a presença de valores que sustentam o processo de autonomia da pessoa humana, resguardando-a de toda e qualquer forma de prosetilismo dominante de classes opressoras. Assim, a educação técnica sustenta em seu eixo norteador valores que consagram o processo de formação relacionando-o a uma co-participação na formação da política de desenvolvimento sustentável, algo que está em franco questionamento e discussão nas mais distintas forças sociais, marcando o final do século XX e agora o início do século XXI como principais responsáveis pelos efeitos positivos e/ou negativos da produção industrial. 

Com tudo isso, há pouca ou nenhuma diferença entre o ensino propedêutico voltado às profissões revestidas da hermenêutica, comparado àquelas que contróem, criam, renovam, inovam ou modificam o processo de produção: as Profissões Técnicas. Essa última, transforma-se em instrumentos que insere as pessoas no mercado de trabalho e na vida social e política de seu tempo, pois, a produção contemporânea não é entendida no sentido da dicotomia segmentada do passado, mas é enriquecida com a evolução do status da consciência global que responsabiliza o processo de criação à representação simbólica das demandas sociais as quais ele mesmo ( o técnico) é consumidor.
Com o viés da proposta do pensamento crítico, a formação técnica de nível médio ou pós médio constitui um manancial de operações lógicas humanizantes, distante do cartesianismo representado e arquivado nas enciclopédias do Brasil do século passado.

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Wilson Barbosa
Técnico em Assuntos Educacionais
IFTO- Instituto Federal do Tocantins 
Campus Porto Nacional.

terça-feira, 1 de março de 2011

Por Wilson Alves


Um pouco Sobre Mediação Pedagógica

Ao propor a mediação na EAD, o professor, dentro do entendimento de “quem é o aluno virtual”, precisa estar atento a maturação singular do aluno no dia a dia do curso. Com atenção às peculiaridades próprias do aluno, torna-se possível, por exemplo, pensar o processo de uma Avaliação Diagnóstica, cuja característica é a sua realização durante o processo de ensino-aprendizagem, além de ser melhor aproveitada, quando o resultado (feedback) para o aluno é iminente, logrando assim, êxito no que tange a possíveis correções dos conteúdos tratados. PRADO (2006) faz menção a essa necessidade: “Esta sensibilidade do professor, atento para conhecer o aluno virtual é importante para o re-planejamento de suas ações, balizando as necessidades dos alunos com os objetivos educacionais que pretende atingir”. OLIVEIRA (2006), por outro lado, atribui destaque às Bases Epistemológicas da Avaliação na Educação. É importante ressaltar que os dados epistemológicos encontrados no perfil do aluno implicam necessariamente ao seu modo de aprender e apreender as coisas. Assim, reafirma a necessidade do professor em conhecer a subjetividade do aluno diuturnamente.
De antemão, antes mesmo do processo de mediação propriamente dito, é fundamental que o professor questione o quanto está preparado para reconhecer a maturação do aluno e, sobretudo, reconhecer os pontos limítrofes da sua expressividade em ambientes colaborativos de aprendizagem, reduzindo ou eliminando a possibilidade de, involuntariamente, iludir-se em uma avaliação talvez inócua, porém, superficial, rasa e, quem sabe, até irresponsável.
Ao ler atentamente o texto de PRADO (2006), percebe-se que os problemas enfrentados no exterior, não são tão diferentes dos problemas enfrentados no Brasil. O trecho a seguir demonstra essa similaridade: “Em primeiro lugar e acima de tudo, está claro que, para trabalhar virtualmente, o aluno precisa ter acesso a um computador e a um modem ou conexão de alta velocidade e saber usá-los (...) é importante lembrar que nem todos os alunos têm acesso a conexões de alta velocidade. (...) terão também de lidar com questões de privacidade e confidencialidade, conflitos com o horário de trabalho, direitos autorais e propriedade intelectual.
No texto, PRADO (apud Brookfield, 1987, p. 1) segue: “Ser alguém que pensa criticamente é parte daquilo que forma a pessoa que se desenvolve”- característica essa que deve estar presente também no aluno AVA.
Entretanto, aí está um ponto a ser observado, especialmente na realidade brasileira. Dos cursos de capacitação/aperfeiçoamento e até pós-graduação, quando direcionado especificamente a professores, um percentual muito grande é de professores que estão na rede de ensino  a vários anos, dos quais existe um subgrupo que compõe outro grande percentual de profissionais que estão acima dos 40 anos de idade e que, por conseqüência, não foram educados pedagogicamente com a participação das TIC. O resultado disso é que ao ingressarem nos cursos EAD preocupam-se e se detêm com o aprendizado das tecnologias, com o uso correto do computador, por exemplo, que intelectivamente não conseguem pensar criticamente como o fariam na educação presencial. Essa é uma generalização local, goiana, pontual à realidade do Estado de Goiás, onde experenciamos o fato. É uma característica que observamos no dia a dia em cursos simples como no curso de Introdução a Educação Digital do PROINFO, oferecido pelos NTEs em diversas cidades. 

Assim, é fundamental que o professor diante de realidades diferentes, isto é, de faixa etárias mistas, de alunos com e sem cultura digital, conheça o perfil singular do aluno e alie-se a ele de modo a tranqüilizá-lo quando preciso, encorajá-lo quando preciso, ser junto, próximo, presente virtualmente  de modo a ser quase imperceptível a distância física que os separa. Prado (2006, p. 02) testifica a necessidade dessa proximidade: Esta abordagem - o estar junto virtual - tem norteado os grupos de docentes e pesquisadores no desenvolvimento de cursos de formação de professores para o uso pedagógico da informática. Estes cursos utilizam o ambiente virtual de suporte para o processo de ensino e aprendizagem, como por exemplo, TelEduc, Moodle, e-Proinfo entre outros, que se constituem por um conjunto de ferramentas, as quais viabilizam a organização e o gerenciamento do curso, bem como a comunicação entre os participantes.

 É elementar que esses ditames só se aplicam quando previamente se tem os objetivos pré-definidos para que não se caia em um verdadeiro sofismo: o professor  fingir que se ensina e o aluno fingir que aprende. Ou seja, é preciso observar qualitativamente o planejamento do dia, da semana, do mês, do curso.
Para finalizar, deixo testemunhos de alunas do curso acima referido, cuja identidade, local, nome, serão preservados por questões éticas, entretanto, eventuais erros gramaticais, de digitação ou concordância serão registrados, pois estes fazem parte da realidade também vivenciada quando escrevem no AVA.

Prof. Wilson Barbosa
- Filósofo Clínico 
- Especialista em Tecnologias na Educação


(16/12/2010)
Anotação aluno: No decorrer do curso aprendi a ultilizar o writer para desenvolver e formatar textos por meio dos diversos recursos oferecidos pelo aplicativo. Aprendi a fazer boletim escolar e planilhas orçamentárias usando o calc, bem como, a montar apresentações no impress. A dificuldade encontrada foi apenas na utilização do impress no que se refere a animações, porém tive o auxilio do professor para romper a dificuldade. No mais posso dizer que tive um ótimo aproveitamento porque aprendi a usar todos os aplicativos propostos.

(23/12/2010)
Anotação aluno: Prof.: Wilson Aluna: xxxxx. xxxx, 20 de Dezembro de 2010 Atividade Reflexiva Aprendi que a tecnologia pode somar e ajudar nas atividades que hoje executo com melhorias no tratamento das crianças e no relacionamento interpessoal, pois realizarei pesquisas, tabelas e outras funções que não conseguia executar anteriormente, pois não tinha afinidade com computadores. As dificuldades foram inúmeras conforme comentado devido não ter contato com computadores o simples ligar da maquina já se tornava uma barreira, mas com as informações recebidas e com o tempo tenho maior intimidade com esse novo ambiente de trabalho e as barreiras e medos foram rompidas. O aproveitamento foi ótimo devido o aprendizado que tive e a participação foi na medida do possível dentro de minhas limitações. Obrigado pela oportunidade em poder aprender e fazer novos amigos.


 



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Por Wilson Alves



Resumo
Este Artigo propõe tratar a questão da subjetividade do aluno e do professor no ambiente colaborativo de aprendizagem; os limites de entendimento que delineiam o conjunto de operações simbólicas e epistemológicas no contexto do ensino-aprendizagem. Procura aprofundar sob o estudo da semiose, característica que diz respeito ao quanto da mensagem segue do professor para o aluno no momento da comunicação, tratando especificamente, nesse texto, da comunicação assíncrona, em virtude de que esta não contata com o tempo real.

Palavras Chaves: Educação à distância, Operação simbólica, Semiose, Comunicação.


A COMUNICAÇÃO E O ENTENDIMENTO DA PROPOSIÇÃO NO 

AMBIENTE VIRTUAL DE ENSINO


Nesse momento em que o país vivencia a expansão da EAD na mesma velocidade em que a demanda por capacitação e necessidade de mão de obra especializada cresce vertiginosamente, cresce também a oferta de cursos a fim de atender o mercado de trabalho e a sociedade de um modo geral, e ganha cada vez mais credibilidade nas corporações, universidades e empresas. Assim, as instituições de ensino públicas e privadas adéquam-se nessa área cada vez mais, afinando a sua linguagem às reais necessidades desse público, cujos efeitos começam a aparecer no Brasil. Um exemplo é a aprovação do primeiro Mestrado Profissional, conforme ofício Nr. 031_06/2010/CTC/CAAIII/CGAA/DAV/CAPES [1]
Amparadas pelo Ministério da Educação que regulamenta os cursos à distância, através das bases legais as quais foram estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n.º 9394, de 20 de dezembro de 1996, pelo Decreto n.º 2494, de 10 de fevereiro de 1998, publicado no D.O.U. DE 11/02/98; através do Decreto n.º 2561, de 27 de abril de 1998, publicado no D.O.U. de 28/04/98 e pela Portaria Ministerial nº 301, de 07 de abril de 1998, publicada no D.O.U. de 09/04/98 [2], cujos conteúdos voltam a um esforço rigoroso para atender com qualidade ao aluno que opta por um curso em ambiente virtual, faz crescer na conjuntura desses esforços a necessidade de constantes estudos por parte de especialistas para dar conta da variedade de questões que estão em evidência, a saber, que constituem necessidade de objetos de discussões acadêmicas.

Um Ponto de Atenção
         
          De modo particular, a comunicação entre o professor e o aluno estabelecida nos ambientes virtuais de aprendizagem sofre alterações quando comparado com a linguagem estabelecida dentro da sala de aula conforme a conhecemos e a temos por tradicional. Em função de que a logística apresentada em uma plataforma virtual de ensino contém momentos assíncronos de educação[3] essa alteração é ainda mais acentuada, tendo em vista os recursos de multimídia utilizados para essa comunicação. A partir dessa complexidade, a natureza da comunicação que é estabelecida entre as pessoas: professor x aluno, sem contar com os mediadores que são envolvidos no processo (orientador acadêmico, tutor presencial, tutor a distância e coordenador de curso) sugere de antemão, que eventuais perdas de conteúdo da comunicação podem acontecer por meio de um processo natural da linguagem humana. As semioses são distintas de indivíduo para indivíduo, entendendo por isso que cada ser humano em sua riqueza singular exterioriza o ato comunicacional de forma completamente distinta, resguardadas as devidas proporções de semelhanças naturais (capacidade comum da linguagem oral, escrita, gesticular, outras), assim, somos levados a compreender que as bases do conteúdo pedagógico nos ambientes virtuais precisam suportar várias modalidades de expressão do aluno (hipertextos, WWW, web log, outros), portanto, as variáveis simples e complexas podem encontrar métodos eficazes para o processo comunicativo.

Uma Comunicação Profícua em Ambientes Virtuais
        
          A plataforma virtual moodle gratuita e democrática, exaustivamente utilizada por escolas e instituições públicas e privadas já citadas, tem como veículo de postagem do ato comunicativo o fórum (assíncrono), o material do aluno (assíncrono), o material do professor (assíncrono), a chat (síncrono) como algumas das ferramentas para desenvolvimento de cursos. A título de exemplo, no Estado de Goiás, a UFG – Universidade Federal de Goiás, e também no Distrito Federal, a UNB – Universidade de Brasília, oferecem cursos de graduação e pós-graduação à distância, através do programa UAB - Universidade Aberta do Brasil. O sistema Universidade Aberta do Brasil é um programa instituído pelo MEC e executado em regime de cooperação técnica com os municípios, cujo objetivo é capacitar gratuitamente os professores da educação básica em cursos de graduação, pós-graduação, extensão e aperfeiçoamento. O Pólo de Apoio Presencial é uma unidade operacional do Sistema Universidade Aberta do Brasil para o desenvolvimento descentralizado das atividades pedagógicas e administrativas relativas aos cursos e programas ofertados a distância pelas instituições públicas de ensino superior. Neste ambiente, que conta com salas de aulas, sala de coordenação, auditório e laboratório de informática com computadores conectados a internet banda larga[4] disponíveis para os alunos, acontece os encontros presenciais e as atividades de tutoria.
           Os tutores presenciais da UNB/UFG auxiliam os cursistas quanto ao uso correto das mídias; ao suporte técnico de aprendizagem da plataforma, além de intermediar problemas de ordem pedagógica junto à coordenação. A conjuntura orgânica própria para suportar o desenvolvimento das atividades, por mais equipada do ponto de vista tecnológico em que se encontra, não esgota as necessidades latentes que encontramos no aluno em formação. As circunstâncias que norteiam o estado fenomenológico da pessoa transcendem as expectativas do ambiente virtual, extrapolando para as diretrizes que remontam os dados subjetivos da psique humana.
  Assim, capacidades singulares que deveriam ser “aproveitadas” pelo professor podem se perder na técnica, no perigo do rigor de espectro da realidade, no cyber espaço. Daí a necessidade de ininterrupta formação e, por isso, a menção a Decretos e Leis que regulamentam a modalidade de ensino em EAD. Com esforços unificados entre Governo Federal, Estados e Municípios há possibilidade concreta do Brasil abandonar definitivamente as margens ínfimas de país subdesenvolvido em matéria de educação e compor um status de  supremacia, de país que galga patamares ajustados à demanda do desenvolvimento educacional que seja efetivamente comprometido com a cidadania, a democracia e a maestria própria do conhecimento formal.


   Prof. Wilson Barbosa
- Filósofo Clínico 
- Especialista em Tecnologias na Educação
- Prof. Formador do NTE_Anápolis


[1] Fonte: http://www.profmat-sbm.org.br/docs/OficioCTC.pdf
[2] Uma multimídia é um conjunto de mídias digitais criadas e adaptadas para funcionar simultaneamente através de interação, num determinado modo pré-programado. As possibilidades de usos são muito extensas, devido à sua multiplicidade de formatos e de programação. Fonte: http://www.foton.com.br/criacao.php?id=multimidias&sid=ferramentas
[3] Momento de aprendizado onde não há a presença em tempo real dos agentes envolvidos.
[4] Os dados correspondem especificamente ao Pólo-UAB-Anápolis-GO.


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