sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Por Wilson Alves

Cursos Técnicos Médio e Pós-Médio: Novos Rumos, Nova História.



Os cursos técnicos, em geral, surgiram no Brasil a fim de atender uma demanda do mercado e do capital, tão somente preocupado em responder aos anseios da elite detentora da relação de  poder nas cidades. Disso depreende-se que o formato desse ensino de caráter vinclulado a operacionalização não era propositadamente endereçado àqueles que vinham das classes privilegiadas, antes, àqueles filhos de trabalhadores pobres, sem esperança no futuro, de alma ferida e de caráter forjado pelo impulso do aliciamento psicológico o qual os tornaram cônscios de que os seus papéis era oferecer o trabalho da produção em série e segmentada para alimentar os propósitos e a ambição das castas dominantes.
A imblemática de ensino técnico fortemente marcada pela dicotomia entre ensino propedêutico voltado exlusivamente às artes, a cultura e ao universo intelectual e político, foi absolvida por um novo ethos cultural que se sedimenta em valores que, nos dias atuais, ganham dimensões totalmente inovadoras e perspectivas antes inimagináveis. Precedido por uma economia globalizante e uma política democrática dos saberes práticos, observca-se a aproximação entre a teoria e a prática, tendo por base referencial, uma ação a qual admite que ambas não concorrem entre si, mas complementam-se na construção do conhecimento.

Atualmente no Brasil, o ensino técnico profissionalizante em nível médio, pós-médio e concomitante constitui em marco revolucionário e histórico ora implantado especialmente nos Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia, de modo a reparar parte de uma dívida desde os tempos remotos quando a retalhação e a segregação sob essa modalidade de ensino imperava, além disso, nos limítrofes do início do século XXI essa modalidade de educação fomenta a  mão de obra qualificada para atender as necessidades de produção estritamente relacionada a economia, a política, a indústria, enfim, a vida social como um todo. 

Por conseguinte, o fato de que a educação técnica tem entre os seus objetivos a manutenção do mercado, é também agregado entre os valores que a compõe, a formação crítico-social do profissional, entendendo por isso,  a presença de valores que sustentam o processo de autonomia da pessoa humana, resguardando-a de toda e qualquer forma de prosetilismo dominante de classes opressoras. Assim, a educação técnica sustenta em seu eixo norteador valores que consagram o processo de formação relacionando-o a uma co-participação na formação da política de desenvolvimento sustentável, algo que está em franco questionamento e discussão nas mais distintas forças sociais, marcando o final do século XX e agora o início do século XXI como principais responsáveis pelos efeitos positivos e/ou negativos da produção industrial. 

Com tudo isso, há pouca ou nenhuma diferença entre o ensino propedêutico voltado às profissões revestidas da hermenêutica, comparado àquelas que contróem, criam, renovam, inovam ou modificam o processo de produção: as Profissões Técnicas. Essa última, transforma-se em instrumentos que insere as pessoas no mercado de trabalho e na vida social e política de seu tempo, pois, a produção contemporânea não é entendida no sentido da dicotomia segmentada do passado, mas é enriquecida com a evolução do status da consciência global que responsabiliza o processo de criação à representação simbólica das demandas sociais as quais ele mesmo ( o técnico) é consumidor.
Com o viés da proposta do pensamento crítico, a formação técnica de nível médio ou pós médio constitui um manancial de operações lógicas humanizantes, distante do cartesianismo representado e arquivado nas enciclopédias do Brasil do século passado.

_____________________________
Wilson Barbosa
Técnico em Assuntos Educacionais
IFTO- Instituto Federal do Tocantins 
Campus Porto Nacional.

terça-feira, 1 de março de 2011

Por Wilson Alves


Um pouco Sobre Mediação Pedagógica

Ao propor a mediação na EAD, o professor, dentro do entendimento de “quem é o aluno virtual”, precisa estar atento a maturação singular do aluno no dia a dia do curso. Com atenção às peculiaridades próprias do aluno, torna-se possível, por exemplo, pensar o processo de uma Avaliação Diagnóstica, cuja característica é a sua realização durante o processo de ensino-aprendizagem, além de ser melhor aproveitada, quando o resultado (feedback) para o aluno é iminente, logrando assim, êxito no que tange a possíveis correções dos conteúdos tratados. PRADO (2006) faz menção a essa necessidade: “Esta sensibilidade do professor, atento para conhecer o aluno virtual é importante para o re-planejamento de suas ações, balizando as necessidades dos alunos com os objetivos educacionais que pretende atingir”. OLIVEIRA (2006), por outro lado, atribui destaque às Bases Epistemológicas da Avaliação na Educação. É importante ressaltar que os dados epistemológicos encontrados no perfil do aluno implicam necessariamente ao seu modo de aprender e apreender as coisas. Assim, reafirma a necessidade do professor em conhecer a subjetividade do aluno diuturnamente.
De antemão, antes mesmo do processo de mediação propriamente dito, é fundamental que o professor questione o quanto está preparado para reconhecer a maturação do aluno e, sobretudo, reconhecer os pontos limítrofes da sua expressividade em ambientes colaborativos de aprendizagem, reduzindo ou eliminando a possibilidade de, involuntariamente, iludir-se em uma avaliação talvez inócua, porém, superficial, rasa e, quem sabe, até irresponsável.
Ao ler atentamente o texto de PRADO (2006), percebe-se que os problemas enfrentados no exterior, não são tão diferentes dos problemas enfrentados no Brasil. O trecho a seguir demonstra essa similaridade: “Em primeiro lugar e acima de tudo, está claro que, para trabalhar virtualmente, o aluno precisa ter acesso a um computador e a um modem ou conexão de alta velocidade e saber usá-los (...) é importante lembrar que nem todos os alunos têm acesso a conexões de alta velocidade. (...) terão também de lidar com questões de privacidade e confidencialidade, conflitos com o horário de trabalho, direitos autorais e propriedade intelectual.
No texto, PRADO (apud Brookfield, 1987, p. 1) segue: “Ser alguém que pensa criticamente é parte daquilo que forma a pessoa que se desenvolve”- característica essa que deve estar presente também no aluno AVA.
Entretanto, aí está um ponto a ser observado, especialmente na realidade brasileira. Dos cursos de capacitação/aperfeiçoamento e até pós-graduação, quando direcionado especificamente a professores, um percentual muito grande é de professores que estão na rede de ensino  a vários anos, dos quais existe um subgrupo que compõe outro grande percentual de profissionais que estão acima dos 40 anos de idade e que, por conseqüência, não foram educados pedagogicamente com a participação das TIC. O resultado disso é que ao ingressarem nos cursos EAD preocupam-se e se detêm com o aprendizado das tecnologias, com o uso correto do computador, por exemplo, que intelectivamente não conseguem pensar criticamente como o fariam na educação presencial. Essa é uma generalização local, goiana, pontual à realidade do Estado de Goiás, onde experenciamos o fato. É uma característica que observamos no dia a dia em cursos simples como no curso de Introdução a Educação Digital do PROINFO, oferecido pelos NTEs em diversas cidades. 

Assim, é fundamental que o professor diante de realidades diferentes, isto é, de faixa etárias mistas, de alunos com e sem cultura digital, conheça o perfil singular do aluno e alie-se a ele de modo a tranqüilizá-lo quando preciso, encorajá-lo quando preciso, ser junto, próximo, presente virtualmente  de modo a ser quase imperceptível a distância física que os separa. Prado (2006, p. 02) testifica a necessidade dessa proximidade: Esta abordagem - o estar junto virtual - tem norteado os grupos de docentes e pesquisadores no desenvolvimento de cursos de formação de professores para o uso pedagógico da informática. Estes cursos utilizam o ambiente virtual de suporte para o processo de ensino e aprendizagem, como por exemplo, TelEduc, Moodle, e-Proinfo entre outros, que se constituem por um conjunto de ferramentas, as quais viabilizam a organização e o gerenciamento do curso, bem como a comunicação entre os participantes.

 É elementar que esses ditames só se aplicam quando previamente se tem os objetivos pré-definidos para que não se caia em um verdadeiro sofismo: o professor  fingir que se ensina e o aluno fingir que aprende. Ou seja, é preciso observar qualitativamente o planejamento do dia, da semana, do mês, do curso.
Para finalizar, deixo testemunhos de alunas do curso acima referido, cuja identidade, local, nome, serão preservados por questões éticas, entretanto, eventuais erros gramaticais, de digitação ou concordância serão registrados, pois estes fazem parte da realidade também vivenciada quando escrevem no AVA.

Prof. Wilson Barbosa
- Filósofo Clínico 
- Especialista em Tecnologias na Educação


(16/12/2010)
Anotação aluno: No decorrer do curso aprendi a ultilizar o writer para desenvolver e formatar textos por meio dos diversos recursos oferecidos pelo aplicativo. Aprendi a fazer boletim escolar e planilhas orçamentárias usando o calc, bem como, a montar apresentações no impress. A dificuldade encontrada foi apenas na utilização do impress no que se refere a animações, porém tive o auxilio do professor para romper a dificuldade. No mais posso dizer que tive um ótimo aproveitamento porque aprendi a usar todos os aplicativos propostos.

(23/12/2010)
Anotação aluno: Prof.: Wilson Aluna: xxxxx. xxxx, 20 de Dezembro de 2010 Atividade Reflexiva Aprendi que a tecnologia pode somar e ajudar nas atividades que hoje executo com melhorias no tratamento das crianças e no relacionamento interpessoal, pois realizarei pesquisas, tabelas e outras funções que não conseguia executar anteriormente, pois não tinha afinidade com computadores. As dificuldades foram inúmeras conforme comentado devido não ter contato com computadores o simples ligar da maquina já se tornava uma barreira, mas com as informações recebidas e com o tempo tenho maior intimidade com esse novo ambiente de trabalho e as barreiras e medos foram rompidas. O aproveitamento foi ótimo devido o aprendizado que tive e a participação foi na medida do possível dentro de minhas limitações. Obrigado pela oportunidade em poder aprender e fazer novos amigos.


 



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Por Wilson Alves



Resumo
Este Artigo propõe tratar a questão da subjetividade do aluno e do professor no ambiente colaborativo de aprendizagem; os limites de entendimento que delineiam o conjunto de operações simbólicas e epistemológicas no contexto do ensino-aprendizagem. Procura aprofundar sob o estudo da semiose, característica que diz respeito ao quanto da mensagem segue do professor para o aluno no momento da comunicação, tratando especificamente, nesse texto, da comunicação assíncrona, em virtude de que esta não contata com o tempo real.

Palavras Chaves: Educação à distância, Operação simbólica, Semiose, Comunicação.


A COMUNICAÇÃO E O ENTENDIMENTO DA PROPOSIÇÃO NO 

AMBIENTE VIRTUAL DE ENSINO


Nesse momento em que o país vivencia a expansão da EAD na mesma velocidade em que a demanda por capacitação e necessidade de mão de obra especializada cresce vertiginosamente, cresce também a oferta de cursos a fim de atender o mercado de trabalho e a sociedade de um modo geral, e ganha cada vez mais credibilidade nas corporações, universidades e empresas. Assim, as instituições de ensino públicas e privadas adéquam-se nessa área cada vez mais, afinando a sua linguagem às reais necessidades desse público, cujos efeitos começam a aparecer no Brasil. Um exemplo é a aprovação do primeiro Mestrado Profissional, conforme ofício Nr. 031_06/2010/CTC/CAAIII/CGAA/DAV/CAPES [1]
Amparadas pelo Ministério da Educação que regulamenta os cursos à distância, através das bases legais as quais foram estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n.º 9394, de 20 de dezembro de 1996, pelo Decreto n.º 2494, de 10 de fevereiro de 1998, publicado no D.O.U. DE 11/02/98; através do Decreto n.º 2561, de 27 de abril de 1998, publicado no D.O.U. de 28/04/98 e pela Portaria Ministerial nº 301, de 07 de abril de 1998, publicada no D.O.U. de 09/04/98 [2], cujos conteúdos voltam a um esforço rigoroso para atender com qualidade ao aluno que opta por um curso em ambiente virtual, faz crescer na conjuntura desses esforços a necessidade de constantes estudos por parte de especialistas para dar conta da variedade de questões que estão em evidência, a saber, que constituem necessidade de objetos de discussões acadêmicas.

Um Ponto de Atenção
         
          De modo particular, a comunicação entre o professor e o aluno estabelecida nos ambientes virtuais de aprendizagem sofre alterações quando comparado com a linguagem estabelecida dentro da sala de aula conforme a conhecemos e a temos por tradicional. Em função de que a logística apresentada em uma plataforma virtual de ensino contém momentos assíncronos de educação[3] essa alteração é ainda mais acentuada, tendo em vista os recursos de multimídia utilizados para essa comunicação. A partir dessa complexidade, a natureza da comunicação que é estabelecida entre as pessoas: professor x aluno, sem contar com os mediadores que são envolvidos no processo (orientador acadêmico, tutor presencial, tutor a distância e coordenador de curso) sugere de antemão, que eventuais perdas de conteúdo da comunicação podem acontecer por meio de um processo natural da linguagem humana. As semioses são distintas de indivíduo para indivíduo, entendendo por isso que cada ser humano em sua riqueza singular exterioriza o ato comunicacional de forma completamente distinta, resguardadas as devidas proporções de semelhanças naturais (capacidade comum da linguagem oral, escrita, gesticular, outras), assim, somos levados a compreender que as bases do conteúdo pedagógico nos ambientes virtuais precisam suportar várias modalidades de expressão do aluno (hipertextos, WWW, web log, outros), portanto, as variáveis simples e complexas podem encontrar métodos eficazes para o processo comunicativo.

Uma Comunicação Profícua em Ambientes Virtuais
        
          A plataforma virtual moodle gratuita e democrática, exaustivamente utilizada por escolas e instituições públicas e privadas já citadas, tem como veículo de postagem do ato comunicativo o fórum (assíncrono), o material do aluno (assíncrono), o material do professor (assíncrono), a chat (síncrono) como algumas das ferramentas para desenvolvimento de cursos. A título de exemplo, no Estado de Goiás, a UFG – Universidade Federal de Goiás, e também no Distrito Federal, a UNB – Universidade de Brasília, oferecem cursos de graduação e pós-graduação à distância, através do programa UAB - Universidade Aberta do Brasil. O sistema Universidade Aberta do Brasil é um programa instituído pelo MEC e executado em regime de cooperação técnica com os municípios, cujo objetivo é capacitar gratuitamente os professores da educação básica em cursos de graduação, pós-graduação, extensão e aperfeiçoamento. O Pólo de Apoio Presencial é uma unidade operacional do Sistema Universidade Aberta do Brasil para o desenvolvimento descentralizado das atividades pedagógicas e administrativas relativas aos cursos e programas ofertados a distância pelas instituições públicas de ensino superior. Neste ambiente, que conta com salas de aulas, sala de coordenação, auditório e laboratório de informática com computadores conectados a internet banda larga[4] disponíveis para os alunos, acontece os encontros presenciais e as atividades de tutoria.
           Os tutores presenciais da UNB/UFG auxiliam os cursistas quanto ao uso correto das mídias; ao suporte técnico de aprendizagem da plataforma, além de intermediar problemas de ordem pedagógica junto à coordenação. A conjuntura orgânica própria para suportar o desenvolvimento das atividades, por mais equipada do ponto de vista tecnológico em que se encontra, não esgota as necessidades latentes que encontramos no aluno em formação. As circunstâncias que norteiam o estado fenomenológico da pessoa transcendem as expectativas do ambiente virtual, extrapolando para as diretrizes que remontam os dados subjetivos da psique humana.
  Assim, capacidades singulares que deveriam ser “aproveitadas” pelo professor podem se perder na técnica, no perigo do rigor de espectro da realidade, no cyber espaço. Daí a necessidade de ininterrupta formação e, por isso, a menção a Decretos e Leis que regulamentam a modalidade de ensino em EAD. Com esforços unificados entre Governo Federal, Estados e Municípios há possibilidade concreta do Brasil abandonar definitivamente as margens ínfimas de país subdesenvolvido em matéria de educação e compor um status de  supremacia, de país que galga patamares ajustados à demanda do desenvolvimento educacional que seja efetivamente comprometido com a cidadania, a democracia e a maestria própria do conhecimento formal.


   Prof. Wilson Barbosa
- Filósofo Clínico 
- Especialista em Tecnologias na Educação
- Prof. Formador do NTE_Anápolis


[1] Fonte: http://www.profmat-sbm.org.br/docs/OficioCTC.pdf
[2] Uma multimídia é um conjunto de mídias digitais criadas e adaptadas para funcionar simultaneamente através de interação, num determinado modo pré-programado. As possibilidades de usos são muito extensas, devido à sua multiplicidade de formatos e de programação. Fonte: http://www.foton.com.br/criacao.php?id=multimidias&sid=ferramentas
[3] Momento de aprendizado onde não há a presença em tempo real dos agentes envolvidos.
[4] Os dados correspondem especificamente ao Pólo-UAB-Anápolis-GO.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Por Wilson Alves

HOMENAGEM PÓSTUMA
DOM MANOEL PESTANA FILHO
27/04/1928 A 08/01/2011

REPUBLICAÇÃO ESPECIAL


Em dezembro de 2005 o Filósofo Clínico Wilson Barbosa, então membro da Comissão Nacional de Avaliação de Estágios Clínicos, entrevistou para o site do Instituto Packter-POA-RS, Dom Manoel Pestana Filho, Bispo Emérito de Anápolis. Intelectual, poliglota e amante assíduo da leitura. Entre os idiomas que domina, está o italiano, o latim, o espanhol e o francês. Altamente fluente em inglês, sem contar com os seus conhecimentos do grego e do alemão. Em 2005 já era também um estudioso da Filosofia Clínica.
Partes da gravação que não tiveram qualidade suficiente para a transcrição (cerca de 5%) foram suprimidas.



ENTREVISTA COM V. Ex.º Rev. DOM MANOEL PESTANA FILHO
BISPO EMÉRITO DE ANÁPOLIS-GO

Wilson Barbosa - Boa tarde D. Manoel. Bem, como nós sabemos uma das ocupações centrais da Filosofia Clinica diz respeito à Ética, o cuidado com a pessoa, o estudo da vida. Como o senhor entende essa questão?

Dom Manoel Pestana - Olha, eu entendo a Filosofia Clínica como uma responsabilidade muito grande. Porque? Porque nós estamos lidando com a pessoa humana, independentemente dos valores cristãos, da imagem de Deus, de filhos de Deus, nós devemos lembrar que o homem...é ele quem constrói o universo; é ele que constrói a sociedade. O mundo será o que os homens fizerem dele e eles podem até comprometer o equilíbrio da natureza com as muitas das suas chamadas "loucuras científicas", e por isso interferir no homem como um dono de seu destino e um construtor do seu futuro é assumir realmente uma responsabilidade que só pode ser julgada diante de Deus, por isso, eu mesmo como sacerdote tinha uma angústia muito grande quando eu devia entrar no confessionário para olhar a consciência dos homens e dizer-lhes alguma coisa. Nesse sentido, a Filosofia Clínica, independentemente da minha função religiosa, é extraordinária para conhecer mais profundamente os homens. Usando inclusive todos esses valores filosóficos que constituem uma parte preciosa da nossa formação e que às vezes fica, eu diria, quase encaixotados sem uma aplicação direta e que são tão importantes. Se nós, ao invés de ficarmos na casca do homem ou no fenômeno, nós entrássemos mais profundamente nas razões existenciais poderíamos realmente ajudar o homem a se encontrar, ajudar o homem a rever a sua vida, ajudar o homem a, por exemplo, a fazer da sua existência não apenas um encontro consigo, mas uma missão que o gratificaria profundamente se conseguisse acertar.

...a Filosofia Clínica, independentemente da minha função religiosa, é extraordinária para conhecer mais profundamente os homens.”

Nesse sentido a Ética é extremamente importante, todos nós sabemos. A Ética natural... porque afinal de contas é objeto direto da Filosofia, o valor da pessoa humana. Uma Filosofia que não é personalista ela acaba transformando o homem num grão de areia e, finalmente o valor da vida. Afinal, o que é a vida? De onde viemos, para aonde vamos, o que estamos fazendo aqui. A Filosofia Clínica resolveu entrar direto nesse campo, que é o campo decisivo. Quando em Londres, em 1968, naquele famoso congresso de psiquiatria, chegou-se a uma conclusão assim...menos favorável dos resultados de todos os seus trabalhos, dizendo que afinal em grandes partes dos casos não chegavam a uma resposta satisfatória ao homem. Percebemos que é preciso aprofundar mais, descer muito mais e eu creio que a ajuda da Filosofia Clínica tentando entrar no mistério da essência, ela poderá ajudar-nos muito, inclusive àqueles que têm por missão, cuidar da própria consciência dos homens.

Wilson Barbosa - Muitos padres e freiras estudam Filosofia Clínica hoje no país. Além da Fafisma (Faculdade de Filosofia São Miguel Arcanjo- atual Faculdade Católica de Anápolis) muitas instituições religiosas têm parceria com o Instituto Packter. Há muitos diretores de seminários que são Especialistas em Filosofia Clínica. Como o Pe. Carlos, no seminário em São Carlos, o Pe. Paulo Henrique, em Brodoski, Pe. Alcides, em São Luís, e outros. Alguns religiosos participam dos órgãos diretivos máximos, como o conselho de representantes. Outros assumem como professores nos centros de formação. Na sua opinião a que se deve essa afinidade entre a Filosofia Clínica e a religiosidade?

... eu creio que é uma belíssima parceria que nós podemos encontrar (entre a Filosofia Clínica e a religiosidade).”

Dom Manoel Pestana - Bem, é bastante simples. A dimensão religiosa é uma dimensão essencial do homem e ele está sempre aberto de alguma maneira pelo transcendente. Pode ser que às vezes não descubra, mas de repente ele pode compreender ou surpreender-se vendo que sem esse apelo transcendente fica sem respostas grande parte dos seus maiores problemas, e é por isso que a Filosofia Clínica não pode prescindir absolutamente a religiosidade do homem e aqueles que também trabalham diretamente com a religião não podem prescindir de um mergulho mais profundo na natureza humana, porque do contrário não ajudam a construir o homem, mas simplesmente uma super-estrutura do homem ou qualquer coisa parecida. O essencial é mergulhar nas raízes da natureza, como dizia Santo Agostinho; que a natureza e Graça são importantes porque a Graça supõe a natureza e a natureza não pode para nós... mesmo numa dimensão puramente religiosa, a Graça sem a natureza não pode alcançar os seus objetivos mais profundos. Nesse sentido, eu creio que é uma belíssima parceria que nós podemos encontrar. Aliás, estudando alguns autores, como São Tomas, por exemplo, na Suma Teológica, percebemos como ele procurou entender a natureza humana exatamente para poder entender; mostrar às raízes humanas as suas verdades religiosas, e ao mesmo tempo pôr a serviço da natureza toda essa beleza da visão cristã. De qualquer modo, nós podemos fazer bela parceria.

Wilson Barbosa - O senhor tem freqüentado as aulas de Filosofia Clínica e está estudando diretamente com Lúcio Packter. Quais as suas considerações a respeito desse estudo? Como esse estudo pode auxiliar a humanidade em sua caminhada?

Dom Manoel Pestana - Eu creio que diante dos problemas do homem... o homem é sempre um mistério. Mas dentre os problemas do homem, que os chamados “especialistas do homemnão conseguiram resolver, e pelo contrário, parece-me que às vezes até os agravam, uma alternativa como a do professor Packter é extraordinária, ela pode encontrar um caminho que eu creio que já está dando frutos até surpreendentes; conversando com algumas pessoas que eu conheço, eles se têm mostrado realmente até surpreendidos pelas novas descobertas e nesse sentido o trabalho do professor Packter, (eu não posso julgar) mas posso pelo menos acompanhar algumas aulas que já tenho tido com ele e creio que poderá representar muito. É um caminho novo, um rumo que vai reencontrar com muitas das intuições que já temos conhecimento no passado, mas organizá-las e orientá-las, isso eu creio que será um grande progresso, não só para os estudiosos do homem, mas de um modo muito especial àqueles que fizeram da sua vida um serviço ao homem.

...uma alternativa como a do professor Packter é extraordinária, ela pode encontrar um caminho que eu creio que já está dando frutos até surpreendentes.”

Wilson Barbosa - Dom Manoel, o mundo têm crescido e se multiplicado. Vivemos em uma época de mudanças e perplexidades em algumas áreas. O que o senhor recomenda aos jovens de hoje para que se possa viver em paz e compreender com maior serenidade o mundo?

Dom Manoel Pestana - Eu li uma vez que grande parte da humanidade passa a primeira parte da vida fazendo todo o possível para que a segunda metade seja bem desgraçada (risos). É uma pena que se perca tantas vezes o sentido da responsabilidade e o sentido da seriedade da vida. A vida é um dom, um dom maravilhoso e não se pode de modo nenhum diminuir a alegria de viver, mas é necessário também pensar na responsabilidade de viver, nunca vivemos sozinhos e nós nos construímos e construímos os outros.

A vida é um dom, um dom maravilhoso e não se pode de modo nenhum diminuir a alegria de viver, mas é necessário também pensar na responsabilidade de viver.”

Aristóteles dizia que nós somos filhos dos nossos atos, aquilo que nós fazemos nos constrói ou nos destrói e eu diria que a juventude devia com toda alegria, com todo entusiasmo, em toda a sua criatividade não perder de vista a missão suprema do homem na terra e o seu objetivo final porque, afinal, nós não vivemos para esse mundo, nós vivemos para a transcendência. Se tudo acabasse na terra então, afinal, eu perguntaria: o quê que valeu a vida? É uma coisa que não se pode perder de vista o rumo, senão, nós poderíamos talvez chegar a dizer como Voltaire que sem Deus, se Deus não é o objetivo final, ou se Deus não existe... aqui já não passaria de uma piada de mau gosto. Em todo caso, nós sempre podemos fazer alguma coisa para que essa piada tenha mais sentido.

Wilson Barbosa - Falando especialmente sobre Filosofia quais autores o senhor recomenda aos jovens filósofos em formação de hoje?

Dom Manoel Pestana - Olha, é interessante. Ainda hoje estávamos conversando sobre um autor que eu creio que tem ajudado muito aos nossos filósofos, particularmente aos jovens. Foi com essa intenção que ele escreveu. Mas um Leonel Franca dá uma visão tranqüila, objetiva, de todo o pensamento humano, de toda essa angústia humana que tenta desafiar a esfinge e encontrar uma resposta para o seu desafio... por exemplo, o Reale é outro autor... Dostoievsky é um mestre sobre a natureza humana. Shakespeare é também absolutamente bom. Eu creio que também quanto mais nós entramos em contato com a natureza humana em todos os seus níveis, tanto mais nos tornamos capazes não apenas de compreender a natureza no seu grande mistério, mas até de oferecer a eles esses recursos que vêm de... toda a angústia humana que foi depois registrada nas grandes obras que estão ajudando até hoje.

Wilson Barbosa - Quais são os desafios para a humanidade hoje?

Dom Manoel Pestana - O Papa João Paulo II disse que nós vivemos a cultura da morte, a cultura do pecado. Tomemos o pecado num sentido assim, estrito, pecado é hamartia, em grego, quer dizer, uma flecha que não chega ao alvo. Todo o sentido então do pecado seria sempre um desvio, uma distorção e o mundo de hoje não percebe mais a distinção entre bem e mal. Evidentemente é preciso levar sempre em conta essa medida interior do homem que se chama consciência. É a consciência que o próprio Deus respeita. Mas por outro lado não se pode cair num relativismo, num subjetivismo absoluto que acaba por confundir bem e mal, ou então virtude e vício. Isso que transforma o mundo de hoje numa grande cilada. Seria o caso de lembrar que o vício se torna cada vez mais sedutor e a virtude cada vez mais difícil. Se nós afinal de contas, não temos muita coragem de enfrentar a natureza humana sem violentá-la porque não se chega a resultado nenhum pela violência. Deus criou o homem livre e não aceita a submissão de escravos, mas de qualquer modo, nós vivemos num mundo carente de valores, sem rumo e eu creio que essa cultura da morte em que afinal a morte vale tanto como a vida e a vida vale tanto como a morte, ou então melhor todas as coisas estão limitadas por horizontes bastante estreitos. Tudo isso eu creio que é o grande desafio de hoje. É preciso se abrir horizontes, escancarar janelas para o infinito e mostrar que nós somos muito maiores que um grão de terra.

Tudo isso eu creio que é o grande desafio de hoje. É preciso se abrir horizontes, escancarar janelas para o infinito e mostrar que nós somos muito maiores que um grão de terra.”

Wilson Barbosa - Na sua opinião a Filosofia Clínica pode se envolver em questões políticas como o quadro político que vemos hoje no Brasil, ou deve manter-se somente no âmbito dos consultórios, nos hospitais e escolas?

Dom Manoel Pestana - Veja bem, eu creio que a Filosofia Clínica como filosofia fica bem como clínica, ela deve estar a serviço de todas as angústias, perplexidades, sonhos do homem em qualquer situação. A dimensão política é uma ação tão importante que o próprio Aristóteles definiu o homem como um animal político. Nós não estamos fora do mundo ou fora da sociedade, ou melhor, nós não só participamos dela como também a construímos, na medida em que afinal nos tornamos homens melhores, mais dignos dos valores da ética e por isso não é que ela não vá interferir diretamente na política, mas ela tem que despertar ou formar, orientar a consciência, eu estou falando de orientar naquele sentido de educação que é uma coisa que não vem de fora para dentro, mas vem de dentro para fora, quer dizer que a construção do homem passe de dentro; o homem tem que ser construído com aquilo que ele é, com aquilo que ele tem, por isso é tão interessante essas normas que se dão de começar o trabalho por uma anamnese completa da história pela caminhada de um homem, porque sem isso não é possível andar muito com segurança. Eu creio que não se pode deixar de lado a dimensão política embora ela não possa ser, digamos assim, um objetivo, muito menos uma ideologia. O homem sem essa dimensão será sempre um menos homem.

Wilson Barbosa - Quais os cuidados o senhor recomenda aos Filósofos Clínicos?

Dom Manoel Pestana - Eu diria muito estudo, muita competência, muita responsabilidade. Eu até arriscaria dizer que o filósofo clínico deve ver o seu trabalho quase como um sacerdócio, com uma dedicação plena, completa, incondicionada, a sua missão fielmente é fundamental. Ajudar o homem a encontrar o seu caminho é construir um universo que vale à pena.

Wilson Barbosa - O que podemos esperar sobre o futuro da humanidade, Dom Manuel?

Dom Manoel Pestana - (risos). Eu não sou nenhum adivinho, nenhum profeta, mas eu posso dizer que o homem infelizmente aprende mais com seus erros, os seus fracassos, que com as suas vitórias, porque geralmente é difícil o homem querer aprender com a experiência dos outros, embora a gente saiba que quem desconhece a história, por exemplo, isto é, o passado, está condenado a repetir os seus erros, mas uma coisa é certa, a humanidade eu creio que ela sempre poderá encontrar um caminho.

o filósofo clínico deve ver o seu trabalho quase como um sacerdócio, com uma dedicação plena, completa, incondicionada, a sua missão fielmente é fundamental, ajudar o homem a encontrar o seu caminho é construir um universo que vale à pena.”

Hoje nós somos talvez umas das esquinas mais angustiantes da história, mas realmente nós somos a mão de Deus e de novo eu volto a Deus, o próprio Jung dizia que sem os valores religiosos não se podia resolver nenhum problema humano profundo, ao contrário de Freud.... Por isso eu creio que nós temos sempre uma perspectiva de realização, de encontro. O horizonte de alguém que crê na transcendência é sempre um horizonte iluminado pela esperança. Nós sabemos que não somos meros grãos de areia jogados no deserto. Sim, somos filhos de Deus e isso é tão importante, por isso há sempre uma solução para os problemas, nós é que não as encontramos às vezes. Repito de novo, a Filosofia Clínica veio a ser uma perspectiva positiva, eu diria até otimista, do reencontro do homem com os seus caminhos. E poderá ser feita somente por ela, nós sabemos disso, todos temos limitações, mas de qualquer maneira, eu creio que a humanidade ainda pode encontrar seu caminho. Nós já passamos por tempos tão difíceis que parecia que o mundo não se encontraria mais e de repente algumas coisas, alguns caminhos começaram a abrir-se. Eu sou otimista, claro, creio na vitória do bem e creio na misericórdia de Deus embora sofra com tragédias da terra, do mundo, dos homens. Eu não perco nunca a esperança!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Por Wilson Alves



Esse texto compõe a Introdução do TCC apresentado pelo autor à Banca de Exame de Monografias da Especialização “Tecnologias na Educação” - PUC/RJ sob orientação da Profª Clarissa Fernandes do Rêgo Barros, cuja defesa oral aconteceu em 24 e 25 de Novembro do ano em curso, no auditório da Câmara Municipal Jayme Câmara de Goiânia. 
Em tempo oportuno o trabalho será apresentado na íntegra, cujo link estará disponível nesse Blog.
O Autor.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
A RELAÇÃO INTERPESSOAL NA EAD
 
A palavra alteridade, derivada do latim ‘Alter' - o esforço de se colocar no lugar do outro, constitui o princípio, a gênese do problema que será apresentado nesse TCC, de modo que o intuito é associar o conceito de alteridade ao caráter de planejamento de formação dos professores para o uso das mídias digitais, alterando dessa forma, possíveis estados emotivos tensos, em positivos.
Partindo dessa premissa, será construída com base nos pressupostos filosófico-clínico PACKTER (1997) uma proposta de trabalho que conduza a uma melhor articulação entre o professor e o aluno, no ambiente virtual. O problema da comunicação deficiente em ambiente EAD (Educação à distância) tem consequências graves, de modo particular, a possibilidade de evasão nos cursos em função de desmotivação, medo, fuga, perda de interesse, motivos os quais  interferem nas relações afetivas entre professores e alunos (XAVIER apud MORAN, 2005).
PACKTER (1997, p.45) no contexto da sua obra deixa implícito que toda relação humana, portanto, também a virtual, sugere a necessidade de uma aproximação do outro de modo mais próximo a compreendê-lo na sua singularidade, convergindo esforços em entender a forma genuína da pessoa em representar o mundo, as coisas, inclusive, o aprendizado e compreender também que toda pessoa possui uma epistemologia inata para lidar com o novo, nesse caso específico, com o aprendizado acadêmico via educação à distância. Assim, esse trabalho procura levantar uma revisão de literatura do que há escrito sobre os limites do aprendizado acadêmico nos ambientes virtuais e propõe colaborar na discussão do tema, de forma a incentivar novos estudos e futuras descobertas.
Considerando a grande expansão de cursos na modalidade de educação à distância no Brasil, desde cursos técnico-profissionalizantes, graduação e pós-graduação, torna-se necessário que seja feito uma abordagem bibliográfica voltada à coleta de dados e estudos da relação inter-pessoal dentro da EAD (Educação à distância), tendo em vista que uma relação fria e distante entre professor e aluno, pode acentuar as possibilidades de perda do conteúdo pedagógico como fruto do desinteresse causado pela apatia que se estabelece, quando não há proximidade efetiva entre as partes.
Nem todas as pessoas sentem que há uma relação segura, humana e próxima para cumprir com os objetivos pedagógicos propostos quando o único meio de comunicação é feita nos moldes da EAD (educação à distância), pois os recursos disponíveis para a troca de informações: e-mails, fóruns, gravação de áudio, links, bate-papo, podem, para algumas pessoas, passar a ideia de não envolvimento pessoal, de distância, que vai além da geográfica, como, por exemplo, relacionando a comunicação através desses recursos a problemas relacionados a atenção do professor, a diferenças de ideais e a problemas relacionados a afetação1. Os resultados diante dessas possibilidades é de que conteúdos importantes de um curso ou de uma disciplina, podem não ser assimilados a contento devido a interseção estabelecida ser frágil. Segundo PACKTER (2007, p.56) o problema da interseção negativa, entre outras possibilidades, pode ser decorrente de problemas epistemológicos, nesse sentido, um professor que sabe conhecer o estado epistemológico do seu aluno, terá muito a contribuir para a pedagogia2. Conforme a interseção estabelecida com o professor, o aluno da educação à distância pode aprender de forma mais fácil ou mais difícil. Quando há afinidades com o seu instrutor, quando a interseção é positiva, isto é, aquela que é subjetivamente boa a ambos, tende a se tornar mais fácil o aprendizado, por isso, essa interseção pode estar ligeiramente relacionada aos dados epistemológicos da pessoa, já que pode interferir diretamente no aprendizado. Essa afinidade é construída de acordo com a singularidade de cada um, sedimentando a relação afetiva que vai sendo experienciado ao longo do tempo de convivência.
A fim de desenvolvermos essas ideias minuciosamente, no primeiro capítulo “Alteridade, emoções e a relação Professor x Aluno”, como base teórica, será usada a fenomenologia como abordagem metodológica a qual norteará a pesquisa do trabalho alicerçado em um mecanismo de investigação que assegure descobertas de novos processos de relação nos ambientes virtuais, tendo por parâmetro as obras referenciadas, coadunando, dessa forma, quiçá, na colaboração para construir-se uma relação humanista na EAD, onde o humanismo significa, nesse contexto, uma aproximação que envolva o relacionamento afetivo e emocional como atividade-meio para se alcançar um fim último: a maturação do aluno frente aos desafios contemporâneos, entre eles, a formação ética; a construção da cidadania como um valor imprescindível que deve ser implícito em todo nível educacional; uma melhor relação no processo ensino x aprendizagem.
No segundo capítulo “Fortalecendo a relação professor x aluno no ambiente virtual”, o exercício da epistemologia na questão do aprendizado, a ênfase será sobre o modo como se deve respeitar o outro como ela de fato é, reafirmando a idéia contida no primeiro capítulo - a alteridade como um mecanismo para sedimentar a base do respeito ao próximo e, por consequência, alterando significativamente os dados epistemológicos da pessoa e interferindo na forma genuína de aprendizado do estudante da educação à distância, refletindo também, como já mencionado, na relação entre o professor e o aluno. Por fim, o texto voltar-se-á as ideias iniciais apresentadas no capítulo anterior, posicionando sobre as conclusões obtidas em torno das ideias principais, a saber, se as mesmas alteram para melhor os resultados da vivência do aluno no ambiente colaborativo de aprendizagem, demonstrada sob as bases de uma relação de respeito, ética e sensibilidade, chegando a um parecer final sobre as diferenças iminentes entre ensino presencial e ensino a distância, essa última, confirmando o seu caráter emancipatório e, posto em prática a visão humanista consagrada nesse TCC e articulada direta e indiretamente pelos autores de referência, aventar a possibilidade de instaurar uma comunicação bidirecional que conduza o processo ensino x aprendizagem a um dinamismo educacional atento as expectativas do país que se encontra em franco desenvolvimento.

Prof. Wilson Barbosa

- Filósofo Clínico 
- Especialista em Tecnologias na Educação

1 Afetação: ato ou efeito de afetar, fingimento, falta de naturalidade, presunção. Fonte: FERREIRA, Aurélio B. de Hollanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. 1838 p.
2 Epistemologia ou teoria do conhecimento (do grego "episteme" - ciência, conhecimento; "logos" - discurso), é um ramo da filosofia que trata dos problemas filosóficos relacionados à crença e ao conhecimento.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Por Wilson Alves, Especialista em Consultoria Acadêmica e Professor Formador no NTE-Anápolis-GO


Internet é lugar de Autoria ou Plágio?

Antes mesmo de adentrarmos na dialéctica de discussão sobre o plágio e a produção de autoria, publicada aos milhares na rede mundial, convém pensar o processo subjacente à primeira, as quais os originais estão postados em um ambiente de interatividade cuja performance oferece suporte de versatilidade (publicação de textos, imagens, sons, gráficos, etc.) que por sua vez, vem sendo largamente utilizado no início do século XXI, nunca antes visto na história, sendo que o mais próximo que havia a essa versatilidade eram os livros e as enciclopédias impressas que, por natureza, não permitiam a participação contígua do usuário, ficando este como mero receptador das informações com ou sem a semântica necessária às suas necessidades. Antes mesmo de aventurarmos em render louvores ao deus da revolução tecnológica, a internet, convém suscitar uma crítica contundente ao que subjaz a “liberdade” de criação na rede, ou ainda da facilidade de plágio do que ali se encontra. Dificilmente no âmbito da navegação, o internauta pára para questionar sob os interesses econômicos que há como pano de fundo atrás do universo de softwares que são oferecidos como mecanismos de inclusão e estratégia para que a “liberdade universal” não seja tolhida mesmo às sociedades menos prestigiadas. Esse é um primeiro ponto.
A ambigüidade que encontramos na internet, ao mesmo tempo revolucionária por oferecer um novo status para a produção textual, gráfico, visual, permitindo às pessoas serem autoras dos seus projetos, constitui, paralelamente a essa revolução, um mecanismo de contraproposta à uma pedagogia escolar e de vida progenitora do incrível poder de emancipar o indivíduo, porque para a grande maioria dos usuários, de modo especial para a maturação das crianças, o desenvolvimento pedagógico fica a cargo de uma pedagogia oculta (SILVA, 1992, p. 125) a serviço do desenvolvimento político-tecnológico, que atendendo aos interesses capitalistas surrupia do cidadão a criticidade expontânea redundando a pedagogia à técnica, como se o desenvolvimento estritamente técnico fosse o motriz do crescimento econômico do país, politicamente falando. A questão fundamental é saber separar o status de supremacia das tecnologias das necessidades emergentes do mundo real. É necessário perguntar a que serve a pedagogia moderna. Não nos espanta saber que atrás do mercado globalizado há uma super-estrutura dominante, regido e manipulado pelo neoliberalismo, segregaria das sociedades pobres e miseráveis. Ademais, para alimentar os interesses atrozes desse movimento demoníaco, é necessário que haja o sacrifício de inocentes a seu serviço. Na China, milhares de adolescentes e jovens adultos trabalham 15 horas por dia a 65 centavos por hora, proibidos de falar ou ouvir música, em condições terríveis nas fábricas, onde fabricam hardware da Microsoft que é exportado para os Estados Unidos, Europa e Japão. Assim relata o National Labor Committee, que lançou ao grande publico três anos de entrevistas e fotografias dentro de fabricas da China.1
Voltando a atenção para a questão do plágio e para a produção de autoria, partimos primeiramente do princípio da máxima de Heráclito “ninguém pode banhar-se duas vezes no mesmo rio”. Dessa máxima deriva pensar os limites das habilidades e competências implícitas na criação, reprodução e inserção/adaptação de idéias na Web. Por mais absurdo que possa parecer, quando a pessoa vai à rede, plagia e apresenta uma pseuda produção, entretanto, passando-a por genuína e “acabada”, apesar da fraude, houve na sua gênese uma construção real. Real no que diz respeito ao modo próprio de representação da sua Estrutura de Pensamento2. Há ai a semântica das ausências, das reticências, dos silêncios que exigem interpretação, dentro da regra que toda interpretação será, por sua vez, reinterpretada.
Autoria precisa ser visualizada em sua excelência e fragilidade: é excelente, no horizonte da vida como reconstrução a partir do sujeito que forja a autonomia possível e conduz seu destino relativamente; é frágil, nos horizontes das realidades descartáveis, incompletas, passageiras, pois toda autoria é feita a partir de outras, um remix. (Pedro Demo. Habilidades del siglo XXI, pág.08).
A genuinidade encontra-se exatamente no linear entre a cópia e a criação, entre o desejo e a farsa, entre o imagético e o criativo. Isso não implica afiançar a prática do plágio, mas dar luz à questão em sua vertente epistemológica, à sagacidade intencional que se bem entendido pode contribuir no processo autogênico da dialéctica dos contrários. Uma pedagogia que busca equacionar um substrato puro e significativo como referência para o desenvolvimento da autoria democrática que leve ao verdadeiro sentido de conquista da cidadania, precisa compreender os significantes e significados que permeiam as bases econômicas, psicológicas, tecnológicas e políticas de seu tempo. Nesse sentido, tópicos estruturais que alicerçam a sociologia de uma época passa por diversas etapas e se equilibra sob muitas variantes. Isso quer dizer que o que a determina hoje, como por exemplo,  valores, crenças, suas características deterministas, podem não o ser amanhã. As variáveis periféricas, frágeis, antagônicas e invisíveis, mas reais, podem juntas convergir em força suficiente para determinar as direções das ações, inclusive de mercado – o que faz crescer vertiginosamente o interesse capitalista a partir da disseminação das tecnologias, inclusive através de tecnologias na pedagogia.
Esses são princípios filosóficos que precisam ser refletidos anteriormente ao simplismo presente na definição meramente gramatical de plágio. A primazia da autoria, publicação e realização na rede se constitui exatamente na ambiguidade que pode ser exaurida da reflexão sob a máxima que norteou parte da dialéctica presente nesse texto “ninguém pode banhar-se duas vezes no mesmo rio”. Então, até que ponto pode se falar em autoria genuína por excelência? 
 
Prof. Wilson Barbosa

- Filósofo Clínico 
- Especialista em Tecnologias na Educação
1 Fonte da informação e foto: http://videogamebrasileiro.blogspot.com/2010/04/adolescentes-chineses-trabalham-como.html
2 Estrutura de Pensamento: tudo aquilo que está na pessoa; organização dos elementos que compõem e sustentam os modos de ser de uma pessoa (www.filosofiaclinica.com.br)
Nota: Este texto responde proposta de atividade da disciplina Projeto Pedagógico Utilizando Ferramentas de Autoria, Unidade 1 – Ferramentas de autoria: definição, particularidades e vantagens. 
Turma GO-01- Especialização: Tecnologias na Educaçã0- PUC-Rio,
2009-2010.
Web Analytics