sexta-feira, 7 de maio de 2010

Por Wilson Alves

2011 A 2020
PNE – PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

E o Novo Olhar Sobre as Ações do Professor

Por Wilson Alves, Filósofo Clínico; Especialista em Tecnologias na Educação e Professor Formador do NTE-Anápolis.



Ao lançarmos os olhos sob a trajetória profissional do educador, seja ele legalmente investido pelo Estado, seja atuando na educação formal do setor privado, ou ainda, investido em tarefas da educação informal, apreciado os caminhos percorridos ao longo da sua carreira e refletindo sobre a sua responsabilidade de acompanhamento técnico, psicosocial, psicopedagógico e humanitário nas várias dimensões da vida do aluno, e ainda, observadas as condições mínimas com as quais este dispõe para prestar acompanhamento em direção aos pontos cegos da alma, maximiza a necessidade de fomentarmos ponderações acerca dos desdobramentos decorrentes desse processo de formação que, invariavelmente, nos instiga a profundas reflexões filosóficas ainda não exploradas em nossos artigos. Devido a objetivos e a própria natureza das ações pedagógicas inerentes ao ato de ser professor, tais ações se refletem sob um aspecto pouco discutido no meio acadêmico: o conceito de doença x cura sob a ótica da dialética, da maiêutica, da lógica aristotélica.
Caracterizado o problema, requer que elaboremos quase uma exegese sob esse fato que, em via de regra, gera consequências graves a inobservância da profilaxia existente em potencial, a qual deve ser adotada de forma transversalizada no contexto da sala de aula a fim de evitar problemas dos quais afetam gravemente a comunidade escolar e a comunidade em geral. Consoante à questão saúde-doença e, de modo particular os vivenciados na escola, encontramos manifestações sensoriais conhecidas por bowling, bulimia, anorexia, derivações das histerias, vários desdobramentos da depressão, síndromes das mais variadas.
Se partirmos da premissa que doente é todo aquele que precisa de cura; se entendermos que aquilo que não faz bem à pessoa, naturalmente encontra o caminho oposto, isto é, faz mal; se considerarmos que a partir do momento em que um sorriso sincero, um abraço afetuoso, uma compreensão no momento do erro, pode fazer com que a pessoa veja a vida diferente, fica evidente o conceito de tratamento e a correspondência que existe entre educador e médico da alma, devidamente contextualizado, é claro. Entendendo melhor os fatos, é necessário saber que conteúdos invisíveis que podem afligir a alma humana são vivenciados no quotidiano do professor. Sua atividade o encaminha a esse prisma de identificação. Assim sendo, o que um professor faz? Prescreve remédios! Isso mesmo, prescreve remédios. Porém, um remédio não farmaco-químico ou homeopático, mas remédio para os paradoxos existenciais da pessoa. Propriedade de medicação, tem muito a ver com situação. Nessa dimensão, com um dedicado acompanhamento da historicidade do aluno, enraizado os principais fatos que alicerçaram a sua historicidade, palavras podem se tornar um fármaco muito poderoso. Compreendida a adequação, isso tem profundas implicações na saúde do ser humano. Algumas pessoas, usam prosac para cimentar problemas na vida, ou ao menos tentam. Para outras pessoas, o caminho que buscam para lidar com a situação que lhes causam dor, direciona às drogas; outros, convencidos de estarem buscando um bem para si, expurgam do organismo todo alimento ingerido. Ainda há aqueles que tomam a depressão quase como uma medida sanitária para lidar com aquilo que no seu entendimento é ainda maior do que a própria depressão, entendida a depressão do ponto de vista da acepção médica. E o fazem por razões que nem sempre são facilmente compreendidas nem mesmo pelo profissional preparado para lidar com as quimeras existenciais. Mas algo é certo: primeiro, devemos entender que essa pessoa está dando o melhor do que dispõe para se ver livre de algo que a incomoda. Em segundo lugar, compreender que tais ações podem simplesmente estar mascarando algo mais complexo ainda, a qual, sozinha, sem o acompanhamento de algum artífice como suporte, não conseguiria. Na atualidade o problema bowling tem alcançado patamares assustadores nas escolas de todo o país, lamentavelmente diante de frageis esforços acadêmicos no que tange às discussões entre pesquisadores no intuito de encontrar mecanismos para mudar esse quadro. É necessário um esforço conjunto, insisto.
Nesse contexto, a escola pode amplificar significativamente esses números ou reduzir o alarmante crescimento da violência na escola, dependendo das ações corretas ou erradas que ela irá tomar. Seria irresponsável abordar na teoria desse artigo a hipótese de que a responsabilidade terapêutica sob essas situações que sitiam a psique do ser humano devam convergir ao professor. Profissionais adequados, terapeutas em geral, são indicados. Entretanto o foco aqui é outro. É entender os limites naturais que naturalmente se encontra no momento da interseção entre o professor, o aluno e o meio escolar em si, e o quanto as inferências pedagógicas podem ou não provocar alterações nos casos apresentados. De partida, a fala, o acompanhamento proximodal, a interatividade - objetos diretos com os quais o educador lida, são instrumentos poderosos. Não negligenciamos os fatos a ponto de tomar esses objetos de trabalho do professor por uma espécie de panaceia como mecanismo de solução para os problemas que se apresentam nas manifestações do educando, inclusive manifestações orgânicas como a depressão e a ansiedade. Necessariamente haverá situações que é imprescindível a indicação médica no sentido literal do termo, mas precisamos verbalizar que o exercício da alteridade comummente experenciado na escola, em muitas situações, pode ser o princípio do processo de reconstrução de valores, perspectivas, comportamento, vezes com expressivos crescimento e sucessos, e vezes com insucessos notórios. No trabalho de acompanhamento do professor junto aos alunos que apresentam eventuais distúrbios cujo processo é via somatização, independente de que esse aluno esteja sob acompanhamento especializado deve haver momentos de alternância na relação pedagógica oscilando entre uma relação de firmeza e serenidade; momentos de admoestação e momentos de partilha. A “fórmula” pede reflexão, fóruns, discussão e muito discernimento. A época pede essa discussão quando os princípios educativos vêm sendo rediscutidos incansavelmente pelos arredores do mundo, inclusive no Brasil o qual nesse ano em que se discute e se redefine os rumos da educação para os próximos 10 anos, fato que exige ativa participação de toda a sociedade, incluindo a família, agentes educacionais e sociais, daí o tema do artigo. A participação da sociedade e da família nessas discussões é fundamental, por isso a situação exige que discutamos também essas questões, sugere que nos preparemos para reivindicar políticas públicas que mantenham um compromisso com uma educação de qualidade. Na mesma direção, compreender o papel e limites daquele que educa ajuda a compreender os objetivos, soluções e possíveis problemas que enfrentaremos adiante, quando o novo formato de educação pressupõe uma proximidade não cartesiana. Na educação contemporânea sujeito x objeto caminham juntos, pautada em uma relação de reciprocidade e respeito.
Afinal, quais os princípios primeiros do ato de educar. Ensinar a ler e escrever, ou ajudar o aluno a tornar-se e desenvolver-se enquanto cidadão ativo no mundo onde está inserido. A questão é profunda, ler e escrever são coadjuvantes de se tornar cidadão, ou o contrário?
À guisa de uma especulação essencialmente abstrata, a analogia entre médico e professor transcende a terminologia da palavra. Ao considerarmos uma hipotética situação elucida com mais clareza as proposições: Uma mulher fragilizada e com baixa auto estima, estimulada por um quase inconsciente desejo de viver, procura por um salão de beleza para os cuidados do corpo. Ao final do dia, após receber os serviços daqueles profissionais, vai para casa feliz, contrário a quando chegou, com a imunidade do seu organismo a níveis intoleráveis (acrescentando uma dose de exagero). Enfim, os profissionais cuidaram ou não da sua saúde, se considerado que por meio do trato da beleza aconteceu uma enorme descarga de endorfina levando-a ao prazer e ao bem estar? A analogia aqui é a mesma quando da atuação do professor imbuído no seu trabalho de ajudar a redimensionar os caminhos existenciais do seu aluno. Para entendermos as reais dimensões do que expomos, é fundamental um estudo sobre as complexidades do pensamento filosófico e científico vislumbradas pela corrente do pensamento intelectual predominante nos nossos dias. Fica assim recomendado.
Bem mais que o livro, bem mais que a técnica, bem mais que o saber instrumental, é a capacidade existente na articulação vertiginosa como fruto da comunicação entre as pessoas. Alterar os circuitos do organismo humano nem sempre requer pílulas dos laboratórios, mas princípios de verdade e referências axiológicas construídas sob laços de confiança e de amizade, de mistérios que se encontram alojados em uma relação síncrona com a qual nos deparamos diariamente com os nossos alunos, e na outra margem, com nós mesmos; com o quanto é preciso aprender a navegar em um oceano de incertezas em meio a arquipélagos de certeza - como bem poetizou Edgar Morin, ao tratar dos Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro; bem como assim, diante de toda inquietude que acomete toda e qualquer relação na vida e na sala de aula.


Prof. Wilson Barbosa 


- Filósofo Clínico 
- Especialista em Tecnologias na Educação



quarta-feira, 7 de abril de 2010

Por Wilson Alves

O artigo a seguir é uma resenha construída sob a catacrese “A escola do Bairro Cinza”, texto ilustrativo da disciplina Design Didático do Curso de Especialização em Tecnologias na Educação ministrado pela PUC/RJ.

UMA CONSCIENTIZAÇÃO INTELECTIVA DE UM PROBLEMA IMPLÍCITO PARA A HIPOTÉTICA ESCOLA CINZA

1ª IDÉIA: Uma Abordagem Geral e Apresentação do Problema
As idéias apresentadas nesse artigo, perpassam sob a ótica de estudos de Jean Piaget, um dos maiores representantes moderno no que se refere à psicologia voltada também a educação.
Apesar de todo o brilhantismo do trabalho de Piaget, convém lembrar que após os anos 80 os estudos em cognição, matéria em que Piaget debruçou-se, continuaram. São inúmeros os estudiosos que têm desenvolvido trabalhos acerca do desenvolvimento cognitivo da criança. Em Piaget, temos um marco fundamental para a história do desenvolvimento da inteligência. Com o seu trabalho, é instituída uma visão diferente de homem. O homem não é mais “fruto do meio”, mas um desdobramento contínuo de funções inatas e adquiridas que o compõe. Nessa linha de raciocínio, o desenvolvimento do intelecto passa por uma Lógica Progressiva – que sugere, por consequência, uma construção contígua. Os elementos constitutivos para essa progressão estariam calcados, portanto, na Lógica, na Geometria e no Aspecto Dinâmico de todo o processo do conhecimento. Os resultados dessas associações é que a criança, diante dessas ações, constrói um conhecimento autônomo, o que, obviamente é louvável do ponto de vista da educação, especialmente na visão da educação contemporânea. Nesse sentido, o conhecimento é uma tomada de consciência do sujeito-agente mediante o objeto, e mediante os signos que representam esse objeto.
É pertinente abordar uma situação-problema dentro da primeira idéia – Abordagem Geral. A Pedagogia Tradicional, num sistema político-pedagógico, de bases massificadora e ideais capitalistas, previam mão de obra barata e inculta para o desenvolvimento da indústria. Essa pedagogia disseminou no Brasil uma educação elitista e segregaria, o que é exaustivamente divulgado e já conhecido pelos educadores de hoje. Os prejuízos advindo desse período histórico, especificamente no problema da aprendizagem, é o caráter eminentemente reprodutivista que essa educação disseminou. Com os estudos de Piaget, parte desse problema teve uma abordagem e um enfrentamento novo, quando de uma nova perspectiva de homem (autônomo) não mais vendo-o como produto do meio e re-projetando-o a uma nova visão de mundo . Com isso, para a formação da criança seria maior a liberdade em desfrutar a curiosidade inata, explorando, dessa forma, o máximo da sua criatividade, da invencionice e, sobretudo, conforme atestava o próprio Piaget, da Lógica Progressiva no aprendizado, pois, fazer é compreender. Na criança, é comum que hajam desconstruções, haja vista as grandes possibilidades de Regressões – exigindo contínua reflexão e reconstrução – mecanismo pelo qual a criatividade é vivenciada na prática.
Para fins do nosso estudo, a hipotética escola Cinza, é um lugar apático e triste. Uma escola sem luz, sem sol, sem um processo pedagógico que eleve a auto estima da criança; sem uma pedagogia que não emancipa a pessoa humana. Se olharmos essa escola sob a perspectiva piagetiana, ela ainda não se encontra totalmente sob a “luz do sol”, mas há progressos, pois, já vislumbra à distância a “aurora do amanhecer” que possibilita tirá-la do total obscurantismo, tornando-a, assim, mais transparente, pedagogicamente falando, portanto, com melhores resultados. Na fábula a fadiga existencial que envolve a Escola Cinza sem vida e sem cor, tem por motivo subjacente à essa situação, professores que não mantêm um processo multi e interdisciplinar, então, não existe a capacidade de se construir coletivamente o conhecimento, dado a pouca significação aos conteúdos trabalhados, fragmentando o saber em disciplinas distintas entre si. Mas, reflitamos, por que de acordo com o esse texto, essa escola ainda não ganharia totalmente a luz do sol sob as bases da teoria piagetiana, se afirmamos ser ele um dos maiores expoentes na educação? Isso remete-nos à segunda idéia.
2ª IDÉIA: O Sócio-Construtivismo e a Subjetividade da Criança: Primeira Necessidade da Escola Cinza
Dado os devidos créditos aos estudos do mestre, é constatado que a produção do conhecimento na criança, embora tende a tornar-se autônoma na perspectiva de Piaget, não oferece suporte para uma pedagogia híbrida (na época, o socio-construtivismo não era uma pedagogia em vigor) – pois a construção autônoma da criança passava pelo crivo da Lógica, do Exato e do Aspecto Dinâmico da Ação, porém, sem espaço para a interatividade, para a troca de emoções, para a construção conjunta, para a fruição horizontal do aprendizado, entendendo-se:


Professor→Aluno; Aluno→Professor; Aluno< >Aluno
Para explicar essa ausência de tensão provocada pela razão prática, Piaget ensina a dialética dos significantes e dos significados. Sob a força da impressão dos signos é formano a afetação e a representação de mundo da e na criança.
Na hipotética Escola Cinza a harmonia provocada pelo Sócio-Construtivismo ampliaria substancialmente as capacidades cognitivas do aluno. Na interseção com o outro, na afirmação da alteridade manifesta-se a Lógica da Identidade. Sem essa característica anuvia-se o que se vê didaticamente pela frente na conjuntura de qualquer escola e estreita-se as possibilidades de construção formativa, princípios éticos e conceitos de cidadania – previstos como Direitos da criança na Carta Magna brasileira (Constituição Federal de 1988) e na Lei Federal 9394/1996 (LDB), que regulamenta a Educação Nacional.
Na apresentação do conteúdo que inspirou a criação desse texto, há uma espécie de questionário sugestivo. Nele, pergunta-se o que sentiríamos ao ser cerceada a nossa liberdade. Oferece ainda algumas opções de respostas. São perguntas indutivas, mas ainda que não o fossem, bastaria pouca, pouquíssima reflexão, para se chegar a mesma resposta indutivamente proposta.
As idéias que defendemos não constituem nenhuma novidade. Vivemos um momento da história educacional brasileira onde conceitos como “Desenvolver Habilidades”; “Trabalho em Equipe”; “Educação Formativa” tornaram-se presentes no circuito dos debates nacionais e internacionais de educação. O que é inusitado, é que grande parte dos educadores que defendem esses ideais, ao irem à prática na sala de aula, paradoxalmente, vão contra aquilo que proclamam e defendem na teoria. As aulas continuam as mesmas, recaindo sob a epígrafe de um currículo oculto, o saber superior e ditador do professor que “tudo sabe” e do outro lado o aluno que é mero recipiente do saber, um depósito, como bem explica Paulo Freire; um instrumento impensante e nada mais, um ponto enigmático sem autonomia que, por excelência e essência, tem em seu íntimo questionamentos, experiências oriundas do meio social, da vida- propriamente dito, mas que não as exteriorizam em sala de aula, e se as exteriorizam não provocam efeitos transformadores, confirmando, lamentavelmente, a não alteridade no processo educativo. O ponto sensível da questão é a instabilidade evidenciada na relação professor-aluno; a fragilidade emocional de certos educadores quando se vêem plasmados diante de uma utópica autoridade. Um gesso existencial, produto que é fruto da Educação Tradicional, altamente hierarquizada.
3ª IDÉIA: Transformação da Escola Cinza: As TIC e a Interseção Contígua entre Escola, Professores, Técnico-Administrativo e Comunidade.
Cônscios de uma educação que verdadeiramente transforma a realidade sob a qual a escola se encontra, estudos pormenorizados no mundo inteiro grita a urgência de se estabelecer uma política de educação emancipatória. Para que perpetue essa escola libertadora, a premissa primeira é conhecer o indivíduo na sua singularidade, respeitando seus limites e descobertas próprias. Um exemplo é a transversalidade que é uma exigência das Diretrizes da Educação para o Ensino Médio que molda o intento no qual temáticas como Meio Ambiente, Sexualidade, Pluralidade Cultural, Cidadania, Ética, Saúde, Trabalho e Consumo, sejam tratados e cuidados por toda a equipe do professorado e não pela Biologia ou pela Educação Religiosa ou pela Filosofia. Seguindo ainda no mesmo exemplo "trabalhar a educação sexual" (poderia ainda ser qualquer outra temática) perpassa uma conjuntura completa no que se refere ao trato da questão, significando com isso, que o aluno precisa conhecer o seu corpo, o movimento biológico da ebulição dos hormônios comum à adolescência e como há, devido a essa transformação, afetação nas suas emoções, culminando como objetivo , uma vivência da sexualidade com responsabilidade.
Ser livre do ponto de vista da educação sexual prevê responsabilidade sob atos e ações. Nesse aspecto, compete aos professores trabalhar o assunto de forma inter na escola. Esse tema, que foi apenas um exemplo, não compete à responsabilidade de um único professor, mas indubitavelmente a uma assessoria composta de todos os professores, inclusive, com a participação da família.
Esse modelo de responsabilidade educacional seria uma primeira proposta para qualquer Escola Cinza, bem como o é na prática para muitas Escolas Roxas, localizadas na nossa cidade, na quadra vizinha à nossa.
Quando anunciamos as TIC como medida profilática e potencialmente libertadora no sentido de instrumento para uma educação interacionista e socializante, referimos ao ato de que as tecnologias constituem um dos meios pelos quais se expressa e legitima as perspectivas apresentadas na primeira ideia desenvolvida nesse texto, e bem assim, na segunda ideia onde também elencamos os problemas. E por que as Tecnologias, de modo particular os LI (Laboratório de Informática) possuem essa característica? - Porque as infinitas propostas pedagógicas transitam de modo geral, por meio de situações e contextos hipermidianos; por possuir a possibilidade de construção educacional colaborativa em seus vários níveis de mecanismos virtuais de aprendizagens (Fóruns, Blogs, Orkut, entre outros); Porque uma estrutura pedagógica pautada no modelo de hipermídia, desconstrói eventual figura autocrática do educador, dando lugar a um cenário amiúde de professor mediador, aquele que norteia o desenvolvimento do aluno, oferecendo-lhe margem por onde convém trafegar. Antes de finalizarmos, há um acréscimo que importa comentar. Nessa nova perspectiva de pedagogia caracterizada pela inserção das TIC, se bem refletido, há consonância com as descobertas de Piaget ao estabelecer uma política onde a criatividade e a autonomia do aluno, ainda que por meio de mecanismos inconscientes da ação, eleva-o além da simples representação dos signos e dos aspectos encontrados no Construtivismo. Antes, o insere no gigantesco universo sócio-construtivista vygotskyano, onde todo aprendizado é necessariamente mediado, superando nesse ponto o previsto por Piaget.
A hipermídia tramita por meio de situações e descobertas intelectivas não lineares, assíncronas, e não necessariamente hierarquizada, promovendo a abolição do autoritarismo insano. Abre, portanto, oportunidade ao diálogo e sobre tudo, à Expressividade – que bem traduzido significa o quanto de mim vai em direção ao outro, no momento da comunicação” e não restringe apenas na semiótica, no seu sentido estrito, sendo “o canal de expressão do sujeito no momento da comunicação”. Por tudo isso, acreditamos que a influência das TIC na educação a qual vislumbramos nos dias atuais, é a ponta do iceberg da nova educação, da qual somos, enquanto sujeitos de uma geração, os primeiros protagonistas. A geração da pedagogia compartilhada.

Wilson Barbosa


- Filósofo Clínico 
- Especialista em Tecnologias na Educação




terça-feira, 2 de março de 2010

Por Wilson Alves


INTEGRAÇÃO DE MÍDIAS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS

Há muito se discute quanto aos benefícios e malefícios quanto ao uso das tecnologias em favor do conhecimento humano. Se retroagirmos a tempos remotos, de modo especial, ao período da glória grega até o Iluminismo do século XVIII, cujos representantes volta-se, exclusivamente nesse contexto, para Jean Jacques Rousseau, Immanuel Kant com breve passagem por John Locke até a contemporaneidade, é possível perceber que as tecnologias vieram sendo evidenciadas e ganharam, ou não, visibilidade1 dependendo da ótica eminentemente cultural de época, de acordo com uma interpretação subjetivista acerca dos tratados dos filósofos expoentes da Teoria do Conhecimento, supracitado.2
Inferindo especificamente a despeito da cultura a qual vivemos, depreende-se facilmente que nas últimas duas décadas do século XX aconteceram grandes mudanças tanto no campo sócio-econômico e político quanto no reduto cultural das ciências e das tecnologias. Diante desse cenário, os processos tecnológicos centrados na comunicação em massa nas décadas citadas, e ainda hoje, não se fizeram sentir plenamente de modo a alterar o modo do tratado do conhecimento já postulado pelas psicologias, sociologia e outras áreas das ciências humanas. Obviamente fazemos menção apenas à ótica a qual iniciamos esse texto, isso implica que essa alusão é em um sentido stricto a qual articulamos junto a ideia central e jamais n'uma perspectiva aberta, fora de contexto, enfim, em um sentido lato. Em outras palavras, (que se anunciam aparentemente paradoxais) estamos vivendo exatamente um período de mudanças paradigmáticas, talvez exatamente como viveram principalmente os filósofos Iluministas, como expusemos acima a título de exemplo. Todavia, os efeitos do próprio Iluminismo em sua totalidade só foram percebidos em sua amplitude muito além do seu tempo. Da mesma forma, a crença é que os paradigmas rompidos (ou em rompimento) do qual vivenciamos, terá o ápice de aceitação em um tempo futuro, ainda em devir3, enquanto aspecto fenomenológico, cujos resultados também serão percebidos somente a posteriori.
Colocado esse pensamento introdutório, partimos a contextualizar a Integração das Mídias e as Práticas Pedagógicas, hoje. No cenário atual, ao contrário dos períodos anteriores, caracterizado pela ausência de empenho político-educacional e seus respectivos órgãos reguladores no que se refere a subsidiar os sistemas de ensino no implemento de novas tecnologias no processo educativo, vivemos um cenário onde temos a oportunidade de vislumbrar escolas equipadas com recursos áudio-visuais, informática, ambientes virtuais colaborativos de aprendizagem e outros, dinamizando ou se propondo a, para a integração pedagógica com tais recursos. Essa integração por si somente não garante um proveito satisfatório ao aprendizado do aluno, tendo por conceito primeiro que as tecnologias, principalmente o computador/internet não ensina e não educa, mas o sujeito que se encontra atrás desses sistemas tecnológicos é o proponente associativo para efetivar esse ensinamento4. Atualmente a integração das mídias ao processo educativo vêm se mostrando como uma importante alternativa para o enfrentamento da falta de acesso a educação nos mais distintos níveis. Dessa forma, cumpre entender que a investidura na árdua tarefa de conscientização junto aos educadores no sentido de se abrirem para possibilidades concretas oferecidas pelos recursos das mídias, que teoricamente faz enriquecer a sua aula, faz também crescer substancialmente o sentido do seu trabalho enquanto professor. Essa integração, objeto central do texto, não se dá de forma aleatória e descontextualizada da realidade local, regional e, sobretudo, cultural. Ou seja, de nada, ou muito pouco valerá, o professor usar dos recursos midiáticos visuais, por exemplo, quando é privilegiado apenas o aspecto da AV (Acuidade Visual) cujo fim é manter os alunos “ocupados” com o que se assiste. Nesse sentido, as mídias não ocupam o seu papel pedagógico, subtraindo de forma maldosa e criminosa a oportunidade do educando em se desenvolver como cidadão, como pessoa humana. Os pressupostos das tecnologias precisam ser encarados como mecanismos de atalhos intelectivos para a possibilidade de aprendizado concreto, jamais possível de ser alcançado nos métodos tradicionais de dar aula vivenciados pela geração anterior a nossa. Só dessa maneira a educação intermediada pelas tecnologias pode perder eventuais estigmas outrora disseminados por meio de iniciativas mal sucedidas com o uso dos recursos das mídias que discutimos nesse artigo e dessa maneira ganhar prestígio e respeito do grande público.


Wilson Barbosa


- Filósofo Clínico 
- Especialista em Tecnologias na Educação
1 A heterogeneidade brasileira, os aspectos culturais que marcam regionalmente o país, faz com que o enunciado dessa questão ganhe maior ou menor representatividade social, conforme os setores sociais envolvidos. A idéia e consenso sobre o uso das tecnologias na educação são vistas de modo descentralizado, tendo em vista principalmente a extensão geográfica do país onde os processos culturais mudam conforme a região (Grifo nosso)
2 A história da tecnologia é a história das ferramentas e das técnicas úteis para fazer coisas práticas. Relaciona-se intimamente com a história da ciência, que inclui a maneira como os seres humanos adquiriram o conhecimento básico necessário para construir coisas úteis. Exemplo: fogo, cobre, agricultura, roda, escrita, cujos fins eram, por natureza, tecnologias. (pt.wikipedia.org)
3 Devir- o que está no vir a ser, a transforma-se. (Grifo meu)
4 Não vamos adentrar na discussão moderna se o homem pode ou não ensinar algo a alguém. O objetivo é clarificar o sentido do uso das tecnologias no processo educativo. Portanto, vamos abdicar de discussões meramente protelatória ao fundamento principal do texto.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Por Wilson Alves

Reflexão sobre o Perfil e as Atribuições do Professor Dinamizador

Este profissional, como qualquer outro professor da Escola, está intimamente ligado a equipe pedagógica da instituição. Servidor efetivo, responde hierarquicamente à Gestão da Escola onde se encontra lotado. Dessa forma, é importante uma estreita observação aos ditames da equipe escolar sem deixar de atender as solicitações próprias do cargo, a saber, a dinamização do Laboratório de Informática e dos Recursos Midiáticos.
O Dinamizador de laboratório é aquele profissional que estabelecerá uma “ponte” entre o professor de uma disciplina específica e o aluno, quando do uso dos equipamentos, incluindo nesse processo, além dos computadores, a TV ,DVD e outros. Disso resulta que o Dinamizador precisa ter uma visão global no tocante ao planejamento de atividades com o uso das referidas tecnologias. É ele quem tem melhor visão a despeito do uso adequado do tempo em proporção a realização de atividades condicionadas ao perfil dos alunos. Como os demais professores, ele é um agente facilitador do processo de ensino-aprendizagem, pois, na conjuntura do seu dinamismo, estabelece junto ao professor titular que procura o laboratório as melhores atividades-meio para se atingir o fim esperado.
Conforme disposição na Cartilha 2010 da SEDUC–GO, eis alguns componentes desejáveis ao seu perfil:
· Ser servidor efetivo da rede;
· Ser professor habilitado em nível superior na área de Educação – Licenciatura Plena;
· Ter participado de curso sobre uso das tecnologias aplicadas à Educação (priorizando, inicialmente, a TV e o computador), comprovados com os documentos de certificação;
· Ser comprometido com o sucesso do projeto pedagógico da escola;
· Ter disponibilidade para participar da realização de cursos fora de seu domicílio;
· Saber formular e conduzir estratégias pedagógicas em grupo;
· Ser capaz de estabelecer processo de comunicação, marcado pela confiança, cordialidade e competência entre os integrantes da equipe escolar, pais e comunidade;
· Ter interesse e entusiasmo pelo uso de tecnologia, visando ao desenvolvimento da aprendizagem.

Todos os itens enumerados são relevantes para o desenvolvimento do seu trabalho, mas por hora, vamos nos restringir a esmiuçar com maiores propriedades o que compete a sua própria formação para o desempenho da sua função. Sabemos que para qualquer ofício que propomos desenvolver, é imprescindível estarmos num processo de formação contínua. No caso do Dinamizador de Laboratório, é fundamental que este esteja em perfeita sintonia junto a instituição que promova capacitação para a sua área, o NTE - Núcleo de Tecnologia Educacional. O NTE no uso das suas atribuições, durante todo o ano letivo, procura levar àquele cursos, oficinas, palestras e suporte técnico para o bom desempenho do seu trabalho. Essas atividades compõem uma gama muito grande de recursos técnicos os quais o Dinamizador de Laboratório pode e deve oferecer ao professor, dando sentido à sua função. Nesse processo de formação contínua, o professor-dinamizador conta com uma equipe pedagógica formada e capacitada para ajudá-lo no desenvolvimento de novos trabalhos, novas idéias que possam agregar valor as atividades desenvolvidas com o uso das tecnologias no contexto pedagógico. Não obstante, a partir dessa interação com o NTE, o dinamizador tem a oportunidade de estender uma interação também com outros dinamizadores, sendo o NTE um Pólo de referência e um centro redistributivo dos saberes elementares à sua atividade.
Outra característica importante do trabalho do dinamizador encerra em questões que transcendem ao movimento estritamente técnico: A Ética profissional. A sua formação ética é balizadora do conjunto operacional do trabalho desenvolvido pelo profissional do laboratório de informática. A educação contemporânea privilegia a formação integral do aluno, o que justifica a esse profissional ser detentor de saberes que digam respeito ao relacionamento interpessoal, ao respeito mútuo no trabalho, à solidariedade. Ademais, sabemos que o processo educativo a muito não é visto como um amontoado de disciplinas segmentadas, meramente justapostas e desconexas entre si, logo, não cabe apenas ao professor de Filosofia, Sociologia ou Língua Portuguesa envolver em suas aulas o problema da ética, mas todos os profissionais da educação, incluindo, portanto, o professor dinamizador.
Espera-se do aluno egresso do Ensino Médio que ele possa contemplar conhecimentos que vão além do aprendizado da educação formal. O mundo do trabalho exige do aluno pleno domínio dos saberes técnicos da educação formal, mas também que saiba interagir com a sociedade, com os clientes e com colegas; que saiba relacionar-se com a multiplicidade que marca o mundo globalizado. Nesse ínterim as tecnologias da educação são um aporte para o desenvolvimento do aluno e que, por sua vez, exige também do dinamizador o domínio das competências do relacionar em grupo, da liderança de pessoas, do domínio de atitudes do saber ser e do saber fazer – contemplando uma formação pró-ativa para o aluno; exige ainda, capacidade de interagir com a sociedade e com as famílias dos educandos. Definitivamente, o profissional das tecnologias na escola não é uma “pedra” deslocada da estrutura do sistema educativo, antes, um ponto de convergência pronto a auxiliar todas as áreas do saber de modo que coadune em um processo de construção do conhecimento com a participação dos recursos midiáticos.

Wilson Barbosa


- Filósofo Clínico 
- Especialista em Tecnologias na Educação

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Por Wilson Alves

UMA CONVERSA SOBRE INCLUSÃO

Por Wilson Alves, Filósofo Clínico, Especialista em Tecnologias na Educação, Pesquisador e Professor Formador do NTE- Núcleo de Tecnologias Educacional de Anápolis-GO.

Se buscarmos na literatura, vamos facilmente perceber que para os Franceses Iluministas, o homem seria e é, uma Tábula Rasa ao nascer. Isso tem implicações profundas para a construção de uma análise que, por natureza, é dilemática: A Síndrome de Down e o Processo Epistemológico da criança, mais especificamente no que concerne ao Ensino e Aprendizagem.
A partir do momento em que seja verdadeira a premissa que uma criança nasça Tábula Rasa, infere que essa criança nasce com zero de conhecimentos; vazio no saber. Dessa forma, somente em um amplo processo mental de construção contígua, onde a pessoa matematiza dados, estabelece relações complexas entre objetos sensoriais e abstratos, é que se consegue compreender e apreender conhecimentos, tornando-o, dessa forma, intrínseco em si e para si .
Se os estudos do ilustre Filósofo John Locke, especialmente os dedicados à sua obra Ensaio acerca do Entendimento Humano (1960) fossem concludentes acerca do problema, por mais que a neurociência, a psiquiatria e as psicologias da educação se desenvolvessem, dificilmente conseguiriam grandes êxitos sobre os estudos do aprendizado do sujeito cognoscente, nesse caso, estudos que corroborem para o aprendizado da criança portadora de Down. Em geral, os estudos científicos seriam, invariavelmente, precários.
Essa breve introdução tem como objetivo defender um postulado largamente discutido pelas ciências médicas e pelos profissionais correlatos. As atividades do SNC (Sistema Nervoso Central) podem e devem ser estimuladas após o nascimento do bebê. O homem definitivamente não é Tábula Rasa, como gostaria Lock. Entende-se com isso, que para crianças acometidas de Down, o primeiro apoio psicopedagógico não deve ser iniciado na escola, mas na família. O Estímulo Sensorial, por si somente, garantirá o desenvolvimento da criança pré-escolar n'uma situação mais amena, haja vista as limitações naturais de quem é portador da Síndrome de Down. A afirmação de que o homem não é Tábula Rasa não vêm nesse artigo acompanhado de referências bibliográficas dado o fato de que é algo absolutamente superado nos estudos modernos por incontáveis especialistas, inclusive, por especialistas contemporâneos.
O problema é que por mais que a teoria de Lock seja ultrapassada nos dias atuais, grande parte do ocidente (incluindo o Brasil) respalda muito da sua política educacional nos postulados do filósofo, com breve passagem em Rousseau – especialmente sob a sua teoria do Bom Selvagem. Não nos iludamos, essa política educacional, especificamente nesse formato, é uma questão POLÍTICA!
Precisamente quanto ao ponto central do artigo, e considerando então uma criança que nasça com a Síndrome de Down, essa criança trará consigo referências intra-uterino que precisam ser estimuladas pelos pais. Essa estimulação não restringe apenas em aspectos relacionados à reflexão, ao sensorial, propriamente dito, mas também a aspectos abstratos. Um exemplo de estimulação abstrata é a promoção de um ambiente de paz, serenidade e afeto. Essas iniciativas fornecem à criança com Down maiores possibilidades para o seu desenvolvimento interacional com o mundo e com as coisas. Assim, ao chegar à idade escolar, fundamentalmente necessitará de um acompanhamento especial. Seu aprendizado, em matéria de tempo, não ocorrerá na mesma velocidade dos alunos entendidos por “normais”. Diante do contexto, surge uma questão eminentemente filosófica: Qual é o fim último da educação? Não queremos ater-nos nos méritos filosóficos da questão e não debateremos as possibilidades de respostas, mas acrescentamos uma Premissa Menor anterior à questão: ao se iniciar um trabalho pedagógico com uma criança portadora da Síndrome de Down, mais do que “descarregar conteúdo” importa oportunizar um ambiente que ela possa construir a sua própria identidade!
Com um mínimo de decência e reflexão, há de se ver que o princípio de formar o indivíduo que compreenda o processo por meio de um trabalho de mediação que contribua para a construção dos seus valores; para o direcionamento educativo que priorize a tolerância e a solidariedade social, transcende (ou deveria transcender), os objetivos preconizados pelas sociedades capitalistas, a saber, uma preparação pedagógica que vislumbra uma formação exclusiva para a competitividade do mercado do trabalho. Formar o aluno para o meio, para o mercado de trabalho, é oferecer uma formação parcial, segmentada, não atingindo o fim desejado – o de oferecer elementos cujos resultados eleve a criança e o adolescente como pessoa, como gente.

Notadamente, no caso específico de crianças com Down, sabemos, inclusive com o apoio de larga bibliografia publicada, bem como através de artigos correlatos, que o deficit de atenção tende a ser maior. Nesse caso, o interesse sob determinado conteúdo pedagógico ou não, pode ter curta duração, tornando fundamental manter sempre uma variedade enorme de situações que possam promover o aprendizado, e ainda, por parte dos professores, é fundamental que haja uma paciência quase sobre-humana para lidar com o fator Tempo. Enfim, é necessário uma dedicação especial a essa criança. Portanto, nesse contexto, chega o momento X: o momento da Inclusão. Equivocadamente, muitos professores cuidam do tema negligenciando alguns aspectos. Várias limitações, expressamente as apontadas no DSM IV (Manual Internacional de Doenças Mentais), em muitos casos, em se tratando de inclusão escolar para com essas crianças, não objetiva necessariamente a sua inclusão nas salas de aulas “comuns”. A inclusão nas salas comuns é o objetivo geral, porém, não o é, em muitos casos, o específico. A Síndrome de Down é decorrente de uma alteração genética ocorrida durante ou imediatamente após a concepção. A alteração genética se caracteriza pela presença a mais do autossomo 21*1, ou seja, ao invés do indivíduo apresentar dois cromossomos 21, possui três. Mas essas crianças, considerando as suas limitações, conseguem, com o esforço da escola e da família, permanecer nas salas de aulas normais. O que determinará todo o processo é o afã do professor em descobrir opções e formas de ensino que encontre quietude e pouso no universo singular dessa criança.
SUGESTÕES DE INTERAÇÃO COM A CRIANÇA PORTADORA DA SÍNDROME DE DOWN
  • EM MOMENTOS DE EXALTAÇÃO, INQUIETAÇÃO, FADIGA, O QUE FAZER?
Procure, via Intencionalidade Dirigida ( conversar com a criança dirigindo a conversa por meio de assuntos do seu interesse), levá-la às idéias complexas, às abstrações. Ex: Pedrinho, esse seu carrinho azul, não faz a gente lembrar do azul do céu? Você já brincou com as nuvens, imaginando carrinhos, bichos, pessoa andando pelas estradas e montanhas formadas em desenhos nas nuvens? Olhe para o céu e crie as montanhas, carros, bichos e estradas nas nuvens. Observe que com uma simples conversa imaginativa como essa, temos a oportunidade de deslocar a atenção da criança do aspecto somático, do aqui e do agora, e levá-la para um ambiente que tende a transmitir paz, calma e sossego (se isso for assim para a criança, caso contrário, não surtirá efeito).
  • QUANDO DO CONTRÁRIO, EM MOMENTOS DE DESATENÇÃO, QUANDO A CRIANÇA ESTÁ EM PROFUNDA ABSTRAÇÃO (VIAJANDO NO PENSAMENTO), O QUE FAZER?
Uma sugestão é fazer o caminho oposto da ilustração acima, ao invés de levá-la a derivações de derivações, onde provavelmente ela se perderia ainda mais no seu universo singular, fugindo completamente dos objetivos pedagógicos, o ideal é que o professor a traga de volta. Isso pode ser feito com ações muito simples. Vejamos um exemplo que caracteriza o fato: Luizinho, o que você sente quando eu toco aqui em você” (o professor escolhe uma área qualquer, por exemplo, num ponto fixo do antebraço, pressiona suavemente e pergunta se ele sente dor, cócegas, calor, etc). Ao fazer isso, o que estamos fazendo? - Conduzindo-o ao Dado Sensorial, fazendo com que sua atenção novamente se fixe em algo concreto, imediato, quebrando, nesse instante, os vínculos com as derivações.
  • SEU DEFICIT DE APRENDIZAGEM O IMPEDE DE APRENDER VIA MEMORIZAÇÃO. O QUE FAZER?
Uma proposta seria promover ações que não transcorram pelo Raciocínio Lógico puramente, mas que seja vinculado ao Raciocínio Lógico-Dedutivo. Dessa forma, o professor pode testar atividades que contenham a possibilidade de trabalho com E-R (Estímulo-Resposta). Um pálido exemplo são os trabalhos executados nos laboratórios de física. Com o dado empírico, provavelmente aumentam as chances de efetivar o aprendizado, desde que esse aprendizado faça sentido à criança, ainda que indiretamente ou momentaneamente. Poderíamos perguntar: Mas de que adianta um aprendizado momentâneo? - Adianta para, a partir dele, incluir outros recursos e metodologias a fim de alcançar e sedimentar o conhecimento não momentâneo.
Todos esses fatores, exemplos e circunstâncias, podem, quando desejado, serem transcritos e adaptados, inclusive, ao uso de softwares pedagógicos próprios à crianças com necessidades especiais. Hoje, há no mercado infinidade de opções. Cabe ao professor, cientificar-se da melhor opção para cada caso; ter desprendimento para tentar de novo; ter paciência para começar do zero. Ser sempre que necessário, um farol pertinho quando preciso, e um farol distante quando preciso.
Sugestão de Sites, Vídeos, e Recursos que Podem Colaborar no Ensino-Aprendizagem para a Criança com Síndrome de Down
1http://www.ufv.br/dbg/BIO240/DC07.htm

Wilson Barbosa


- Filósofo Clínico 
- Especialista em Tecnologias na Educação



quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Por Wilson Alves

FERRAMENTAS DO COMPUTADOR COMO MEDIÁTICOS PEDAGÓGICOS


Pensar nos aplicativos do computador como instrumentos pedagógicos requer certo desprendimento crítico por parte da instituição escolar. Não importa enchermos o laboratório de informática com dez, vinte ou trinta alunos quando não temos claramente definidos os fins. Persuadi-los de que precisam estar abertos a experiências tecnológicas não é o suficiente, como também não é suficiente entender um editor de texto ou uma rede de informações hiperligadas na web senão temos um constante crítico e reflexivo sobre essas ações.
Na era das enciclopédias de papel o aluno, “guiado” pelo professor executava a tarefa de pesquisas com o intuito de desvendar determinada temática. Nesse caso, esse aluno já transitava por hiperlinks em função da adjetividade das palavras pesquisadas, isso implica que não é algo absolutamente inédito ter às mãos uma gama de informações áridas e soltas, ainda que essas palavras tivessem sentido semântico justificáveis. No caso dos textos conexos que a internet oferece, facilita esse processo dado a sua velocidade e dimensão. Porém, na mesma medida que oferece largas dimensões, maiores também são as chances de nos perdermos em textos difusos dos objetivos propostos. A questão é: de que importa tudo isso quando o professor não disponibiliza um planejamento longitudinal para que o aprendiz estabeleça conexões lógicas e abstratas sobre o assunto tratado? Ora, a educação que se espera para o século XXI consiste num processo de formação que garanta competências que vão além da simples pesquisa. Mais do que conhecer os recursos wikipedianos, é necessário pensar o quê se lê; formar uma consciência de mundo. Não restam dúvidas de que o processo é facilitado por meio dos recursos disponíveis no computador, mas não mudará os velhos paradigmas se o professor não mudar os elos de simples memorização a despeito do que outros pensaram ou disseram. A competência que se espera com o auxílio do computador é que este diminua o trabalho secundário de manusear textos, para que dessa forma se tenha mais tempo de mobilizar recursos cognitivos para criar alternativas de resoluções de situações-problemas.
Olhando o contexto por uma ótica diferente, é afirmar que o principal objetivo do professor ao trabalhar com os seus alunos no laboratório não é ensinar-lhes manusear os recursos dos programas. Isso os próprios programas já o fazem. Ademais, num breve futuro farão ainda mais, como por exemplo, traduções em tempo real nos sites de relacionamento e programas de conversação, uma das poucas fronteiras com limites internacionais. O que programas de informática nunca farão é pensar criticamente e decidir pela pessoa. É aí que está a grande oportunidade de desenvolvimento epistemológico do educando que pode e deve ser tratado, cuidado, intermediado pelo professor, ainda que seja simplesmente em um único ponto de vista, lembrando que um ponto de vista é apenas a vista de alguém do ponto onde esse alguém se encontra, nesse caso, o professor. Quando a escola é voltada para uma pedagogia de formação contínua, tende a entender as tecnologias como adequada para essa visão formativa porque passa a idéia de modernidade e atualidade; de constância e assimetria na aquisição dos saberes. E de fato o é, mas uma formação contínua, entre outras coisas, não restringe apenas em equipar escolas com internet de alta velocidade. Internet na educação é, antes de tudo, requisito para que no oceano de suas possibilidades, ambientes de discussões onde ética e valores, sejam promovidas; lugar que por possibilidades de interação, vá além dos muros da escola; lugar onde o espírito de solidariedade e companheirismo se estabeleça. Há no Brasil uma lacuna muito grande a ser preenchida no que diz respeito à reflexões acerca dos conteúdos programáticos para a educação básica que imprima uma personalização e que corresponda às necessidades precípuas de cada unidade escolar. Numa perspectiva vertical, é imposta a necessidade de sequências curriculares cuja história tem demonstrado que currículo escolar embasado em sequências curriculares nem sempre seguem na mesma direção das necessidades que a vida impõe: Imposições do mundo do trabalho; imposições de equilíbrio na afetividade; imposições por vezes abrupta, como por exemplo, o aprendizado que temos que ter para lidar com as perdas, com os limites do amor e, sobretudo, com os valores que regulam as relações sociais.
Enfim, espera-se que das ferramentas do computador das quais a escola dispõe, não convertam em pressupostos inconscientes (ou conscientes) para fazer de novo, o velho; Que não sirvam de meio maniqueísta para verter absolutismos que sufocam a capacidade de fruição de competências do e no aluno. O professor em meio a toda essa negociação entre tecnologias e didática não deve se sentir inerte e espectro dos saberes, ao contrário, é ele o grande provedor da sinergia que pode ser criada sob as bases da World Wide Web, relacionando e regulando situações de aprendizado.
Lembre-se professor, você pode estar em um laboratório de informática e não ser PHD em telemática (algumas organizações usam essa nomenclatura) pode ainda, não ser exímio como os seus alunos em uso do Blog e do Twitter, mas você é mestre em associar um mero substantivo feminino tal como “casa” à família, lar e paz. Não especificamente em uma ordem do estudo das mudanças ou translações sofridas no tempo e no espaço pela significação semasiológica das palavras, mas numa ordem existencial e de significado singular às ansiedades do seu aluno.



Wilson Barbosa


- Filósofo Clínico 
- Especialista em Tecnologias na Educação

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Por Wilson Alves

Uma Conversa Sobre Fatos da Escola

Quando pensamos em Tecnologias na Educação, facilmente surge tácita tendência em incorrermos a um pensamento caracterizado predominantemente por ideais do tecnicismo. Isto é, a uma idéia de uso, apropriação e inclinação por parte do educando, da utilização das tecnologias para o seu uso e aprendizado exclusivamente pragmático no sentido estrito do termo, o que é verdadeiro, mas incompleto.
Refletir nas tecnologias educacionais implica em um movimento intelectual que transcende o caráter eminentemente manual dos anos 70 que marcou a educação brasileira. Importa também agregarmos à reflexão elementos contemporâneos, a saber, o aspecto da interdisciplinaridade e da solidariedade humana, a reflexão sóbria sob o conhecimento, a vivência prática do saber ser e do saber fazer. Em suma, sutilmente posiciona o aluno para a construção contígua com o outro. Traz ao educando a oportunidade da vivência do trabalho em equipe e a oportunidade de explorar a sua criatividade, o que é implicitamente aludido pela LDB 9394/1996 em todo o seu texto, com menção clara nos seus Art.2º e 35 II.
A educação não deve ser vista como um mero instrumento particionado, onde as disciplinas não encontram identidades recíprocas e intencionalidades comuns no aspecto sinergético que a sustenta. Quando os nossos jovens saem da escola e seguem em direção ao mundo do trabalho, é esperado desses estudantes que possuam uma íntima visão pró-ativa do mundo; uma visão crítica do meio social e do mercado produtivo e, por conseqüência, que incorporem em seu aprendizado um perfil que contemple flexibilidade profissional para adaptarem-se ao novo, ao inesperado e, numa perspectiva platônica, ao belo. Espera-se que tenham desenvolvido na escola uma capacidade de tomar decisões, balizadas em seus conhecimentos, em sua experiência escolar e extra-escolar, na altura e limites desejáveis e proporcionais às responsabilidades que lhe são próprias, considerando, portanto, idade apropriada e um equivalente grau de maturidade.
Talvez o leitor se pergunte por que essa temática encadeia o centro desse artigo. A razão é simples: cabe ao educador a responsabilidade de equalizar as bases do conhecimento a ser transmitido, compartilhado, mediado junto a seu aluno. Nesse teor, enquanto sujeitos em busca do saber, o professor precisa compreender as tecnologias como uma aliada importantíssima para a consolidação da interdisciplinaridade. D’outro modo, se vermos que o computador enquanto exemplo de uma tecnologia, entre tantas outras, não coaduna com uma pedagogia para Matemática, para a Física, para a Filosofia ou para a Língua Portuguesa ou outra disciplina qualquer, ou ainda, que o computador não possui a capacidade de ser instrumento para interação de
nenhuma forma para com o processo de ensino e aprendizagem, não seria exagero vislumbrar que viveremos um retrocesso à educação livresca, tautológica e reprodutivista – o que não comporta mais a um país como o Brasil tão ajustado às expectativas internacionais globalizadas. Logo, cumpre aos professores desprenderem-se de “padrões” que eventualmente os amarram e lançarem-se então a projetos de sucesso, de conquistas e descobertas. Nesse ínterim é sugerida uma tentativa de experenciar o uso das tecnologias para o processo educativo. Esse universo tecnológico é muito bonito de se viver, descobrir e utilizar. Através das possibilidades com as tecnologias, mundos outrora aparentemente prosaicos, ambíguos, contraditório às expectativas do século XXI se encontram e se ajustam. Na educação, o Ensino Religioso desenvolverá projetos interdisciplinares com a Biologia explicando reciprocamente sobre a Alma e o corpo. A Biologia, por sua vez, conversará longamente com a Língua Portuguesa que, por sua natureza hermenêutica, convidará a Matemática para um “cafezinho racional” bem ao gosto do mundo das exatas. A Sociologia chamará a Arte para profundas investigações a respeito dos mistérios da natureza, da Estética e das relações de Causa x Efeito no universo. Por fim, a Escola promoverá um diálogo interessante com a comunidade, com os pais, com os Amigos da Escola. Todos esses atores sociais envolvidos, o que deve ser permanente objeto de desejo e de trabalho da Instituição Escolar, culminará em direito e em fato com os propósitos da Constituição da República Federativa do Brasil que assegura a democracia ao país, bem como dará profundo sentido à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Básica, no que importa à construção da cidadania e dos direitos básicos à pessoa humana.
Professores, dinamizadores, gestores e comunidade escolar como um todo, o NTE - Núcleo de Tecnologia Educacional, idealizado e criado para colaborar na fundamentação desses princípios, mediado pelas tecnologias, no segundo semestre de 2009 continua com as suas portas abertas para trabalhar no processo de formação, capacitação tecnológica e acompanhamento escolar. Esperamos ao longo desse semestre a presença da sua escola em nossas oficinas e cursos. Esse é o nosso trabalho, essa é a nossa vocação.
Um bom retorno a todos os profissionais da educação básica e um forte abraço do NTE de Anápolis-GO.

Wilson Barbosa.
Professor Formador

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Por Wilson Alves


SISTEMA OPERACIONAL LINUX
BrOficce.org Impress
BrOficce.org Writer
BrOficce.org Calc
O QUE SÃO TODAS ESSAS COISAS?

Para maior entendimento em torno dessas questões, vamos por partes. O Sistema Operacional Linux é um sistema baseado em um outro Sistema operacional chamado Unix. Próprio do Linux importa salientar em linhas gerais, que se trata de um sistema operacional livre e aberto. Isso quer dizer que você, caro professor e/ou usuário, não precisa pagar por ele e ainda conta com a possibilidade de modificá-lo, alterá-lo, no sentido de implementação, conforme a sua demanda. Note; para abrilhantar e impressionar ainda mais, o Sistema Operacional Linux é menos suscetível a vírus.
No mundo todo, os mais entusiastas, chegam a ver o Linux mais do que um simples sistema operacional, antes, o vêem como uma nova filosofia de desenvolvimento e distribuição de software que, pela primeira vez, é voltado puro e exclusivamente para o usuário e não para a empresa que o produz. Se olharmos o fato do ponto de vista de uma economia capitalista, isto é uma novidade sem igual.
Bem, diante dessa breve definição por extensão, a finalidade de compartilhar com nossos leitores um texto com enfoque diretamente sobre o Linux, tem como objetivo exaurirmos conhecimentos sobre o que, em tese, o aproxima e o distancia da educação. O Brasil não é pioneiro em usar o Linux educativo e/ou empresarial. Países como Japão, Irlanda, Estados Unidos, Grã Bretanha França, Suécia, Finlândia, Itália, Noruega, Espanha, Austrália, Hungria, Bélgica, Dinamarca, Polônia e dezenas de outros países também fazem o mesmo. Em nosso caso específico, comprometido em estudar, divulgar e trabalhar com o Linux educativo, o NTE de Anápolis, sempre empenhado em buscar os melhores resultados, vem constantemente promovendo eventos voltados ao uso do sistema operacional Linux no âmbito intrinsecamente educacional por meio de cursos longos e oficinas diuturnas.
Ao iniciarmos esse texto, deixamos uma pergunta em aberto, a saber, do que se trata as terminologias BrOficce Impress, BrOficce Writer, BrOficce Calc. Se falarmos em Windows, logo vêm a nossa mente as “ferramentas” mais comuns que usamos no dia a dia para trabalhar, tais como: Apresentação Eletrônica: Power Point; Editor de Texto: Word; Planilha Eletrônica: Excel. Semelhante a esses aplicativos, o Sistema Operacional Linux, comporta (entre outras opções) uma suíte de aplicativos para escritório muito parecido às que encontramos como componentes do Microsoft Oficce. São eles: O Impress, o Writer e o Calc. Procurando consolidar os estudos sobre esses Softwares nos reunimos frequentemente para treinamentos e com isso, viemos concomitantemente oferecendo, como já mencionado acima, cursos e oficinas específicas das Ferramentas de Produtividade do Linux para serem trabalhados nos laboratórios das escolas que compõem a rede pública de educação. Até porque, em breve todas as escolas da rede pública estadual terão o Linux Educacional instalado, e o professor é uma peça fundamental para o sucesso dessa empreita no âmbito do Estado de Goiás. Desse modo, urge que estejamos familiarizados com os comandos básicos anunciados em sua interface.
Persuadidos de que temos todas as condições para oferecermos um trabalho de excelência, conforme tem sido a nossa responsabilidade, aguardamos a sua inscrição inteiramente gratuita em um dos cursos e/ou oficinas constantes de nossa plataforma. A inscrição pode ser feita pessoalmente no NTE ou pelo telefone (62) 3314-8338, onde você será prontamente atendido.
Um forte abraço da Equipe Gestora e de toda a Equipe de Professores Formadores do NTE de Anápolis.


fonte: http://www.basico.unicamp.br/home/Apostilas/apostila_linux.pdf




Wilson Barbosa


- Filósofo Clínico 
- Especialista em Tecnologias na Educação

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Por Wilson Alves

TECNOLOGIAS:ALGO MUITO ANTIGO



Tenho aprendido em minhas viagens, cursos, workshop e oficinas, que muitas pessoas e professores, por mais paradoxal que isso possa parecer, ainda não entendem o uso das tecnologias em apoio ao ensino-aprendizagem como propósito de algo que veio para trazer leveza, simplicidade e, sobretudo, facilidade ao trabalho humano.
É um equívoco pensar que todos os artefatos tecnológicos suprem o que o professor já trás consigo, seja por fruto de seus valores pessoais, seja por tudo o que aprendeu desde os bancos da faculdade. Outro engano é pensar que quando usamos a terminologia “tecnologia” refere-se sempre a algo inédito e futurista. Definitivamente não é. Desde que somos conhecidos por seres pensantes, construímos, inovamos e inventamos, dessa forma, a muito já usamos subsídios para tornar mais fácil nosso trabalho que culmina, em nossa profissão, no ato de ensinar. O papel-carbono e o mimeógrafo são exemplos clássicos do que quero dizer em todo o parágrafo. Como essas “ferraris” revolucionaram a educação!
O computador com programas ultramodernos, o datashow, a máquina fotográfica digital, o microscópio, todo esse aparato produz um marco ímpar na história da educação, e o melhor de tudo isso, caro professor, é que você faz parte dessa revolução, o que é simplesmente esplêndido. Esses elementos são continuidade tecnológica e não um começo. A expressão continuidade é porque você já vêm naturalmente usando tecnologias de tempos imemoriais, com vista no prisma da história. Faz sentido lembrar aos educadores o fato de que a fala humana, a escrita, e, consequentemente, os livros didáticos, revistas, projetos bimestrais e anuais são, indubitavelmente, tecnologias. Por conta disso e muito mais a finalidade do nosso artigo é tão somente imbuir-nos de que vale a pena buscarmos compreender a proposta dos recursos contemporâneos remanescentes da nossa antiga máquina de escrever. Remanescentes para ironizar o raciocínio.
Não teria nenhuma valia tudo o que falamos se as propostas do uso das tecnologias não viessem trazer melhor qualidade de ensino e, antes de tudo, melhor qualidade de vida. O que precisamos atentar e de modo algum aceitar, é que nossos professores abneguem-se, por força de sua vocação ou por “imposição” de seu profissionalismo, de viverem melhor qualitativamente, ou ainda que sucumbam-se inconscientemente em workaholic-uma compulsão desmedida pelo trabalho, o que as vezes o faz para darem o seu melhor na sua pedagogia de ensino.


Wilson Barbosa


- Filósofo Clínico 
- Especialista em Tecnologias na Educação

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Por Wilson Alves

Um Bate Papo com Colegas

Em nossos encontros com professores das mais diversas áreas do conhecimento no Núcleo de Tecnologia de Anápolis, cujo objetivo, entre outros, é a troca de experiências pedagógicas, o aprendizado com colegas, dado a vasta caminhada que possuem em anos de trabalho dedicado, por tudo isso e muito mais, fica claro e tranqüilo dizer que o mito de que “professores são resistentes” ao uso das tecnologias na sala de aula, se existiu, foi algo de um remoto passado. O que temos experenciado em nossos encontros são colegas que vêem de dois turnos diários de trabalho, de sabatina com os alunos e, em verdade, se dedicam aqui a ampliarem ainda mais o seu saber como aquisição da produção humana com muita eficiência, por meio dos aplicativos do Office, sendo, o Excel, Word, Power Point entre outras coisas. Tudo isso é muito bonito de ser ver!
Não raro, em bate-papo que vêm em formato de testemunho em nossas oficinas e cursos, os colegas percebem-se imbuídos em uma sutil transformação, percebem que houve um significativo crescimento em sua causa de estudo. Aquilo que lhes parecia obscuro e quase inacessível, torna-se íntimo. Cada professor, cada colega exerce seu modo genuíno de aprendizado. Alguns, associando o seu modo de aprender à questão tempo, enquanto para outros, há uma promoção intuitiva para a sua condição de aprender associando à questão da observação, na repetição das tarefas, no acompanhamento em loco do professor. Enfim, vários são os modos de aprendizado. O que de fato tem importância é que o nosso trabalho venha efetivamente contribuir para que cada pessoa, cada professor que faça uma oficina, um treinamento, um curso, sinta tranqüilo ao usar essa ou aquela ferramenta pedagógica, especificamente no nosso caso, as tecnologias em auxílio do seu trabalho.
Caro professor, venha você também conversar conosco sobre essas possibilidades. Será um imenso prazer, como enfatizamos no início desse artigo, poder partilhar da sua experiência, das suas idéias, das suas conquistas, sonhos e ansiedades, bem como mostrar e oferecer aquilo que propomos: Uma discussão sobre tecnologias na escola.

Wilson Barbosa


- Filósofo Clínico 
- Especialista em Tecnologias na Educação
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